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19 de jul de 2016

Hermès Bel Ami - Fragrance Review

Português (click for english version):  Um aspecto interessante da perfumaria antes dos anos 90 e  a simplificação das formulações é a riqueza de detalhes no aroma. São perfumes que mesmo tendo sido adaptados às regulamentações atuais continuam oferecendo mais complexidade e nuances em seus aromas do que muitos lançamentos recentes (desde que sejam reformulados adequadamente, é claro).

Me lembro que há alguns anos atrás experimentei Bel Ami e me encantei com seu couro, denso, clássico, carregado em resinas aromáticas e em aroma de madeiras mas com uma nuance doce de coco que aparece no final de sua evolução e que surpreendia com seu aspecto cremoso e lactônico. A modernização feita por Jean Claude Ellena e que resultou em Bel Ami Vetiver me deixou apreensivo talvez que a marca também tivesse feito do clássico um perfume simples, mais transparente e similar a alguma das outras criações do Ellena.

Minhas preocupações mostraram não se concretizar ao ter a chance de usar Bel Ami novamente na pele. A reformulação que conduziu a versão atual me parece que deu um ar mais seco e sério a composição e o trouxe mais para um campo fougère do que chypre, o aproximando inclusive de outros perfumes da época. Bel Ami atual ainda tem o cheiro clássico de couro mais seco, porém não muito defumado e sem a nuance doce de coco. Percebo em maior evidência o cheiro das especiarias e uma combinação de ervas e aromas cítricos adstringentes, o que forma a minha percepção fougére do perfume. 

Porém, como disse no começo, Bel Ami ainda tem muito a oferecer e mesmo no final de sua evolução é possível ver o perfume ganhar nuances orientais ambaradas em seu cheiro. Há uma combinação de ambar com um aspecto aveludado de musk e um leve quê de baunilha talvez que curiosamente me remete a aura de algumas composições atuais que exploram esses elementos dentro da temática de oud. Não me lembro se tal aspecto estava presente no original, mas se mostra uma adição interessante e que casa com a composição como um todo. Bel Ami é como o perfume avaliado ontem, Rocabar, uma criação mais madura, sofisticada e um perfume que parece focar em um público bem específico em vez de querer agradar a todos. Mesmo reformulado, ganha facilmente de muitos lançamentos atuais.

English:

An interesting aspect about the fragrances before the nineties and its simplification of the formulations is the richness in aroma details. Even perfumes that are even being adapted to current regulations continue to offer more complexity and nuances in aromas than many recent releases (provided they are properly reformulated, of course).

I remember a few years ago experiencing Bel Ami and being charmed  with its leather, dense, classic, surrounded by aromatic resins and  woods but with a sweet coconut nuance that appears at the end of its evolution and surprised by its lactonic creamy impression. The modernization made by Jean Claude Ellena which resulted in Bel Ami Vetiver left me apprehensive perhaps that the brand had also made the classic one a simple perfume, more transparent and more similar to some of the other Ellena creations.

My concerns proved not to materialize once i had the chance to use Bel Ami again in the skin. The reformulation that resulted in the current version seems to me to have a dry and serious aura and brought the fragrance more into a fougère than chypre direction, making it come closer to other perfumes of the its time, the eighties. The current Bel Ami still has the classic smell of drier leather, but not very smoked and without the sweet coconut nuance. I notice in most evidence the smell of spices and a combination of herbs and astringent citrus aromas, which are what shape my perception into a Fougere perfume.

But as I said at the beginning, Bel Ami still has a lot to offer and even at the end of its evolution is possible to see the perfume win ambery oriental nuances. There is a combination of amber with a velvety musk and a slight hint of vanilla  that perhaps curiously brings me the aura of some current compositions that explore these elements within the oud theme. I do not remember if this aspect was present in the original, but it shows an interesting addition and matches with the composition as a whole. Bel Ami is like the perfume evaluated yesterday, Rocabar, a more mature and sophisticated creation and a scent that seems to focus on a very specific audience rather than trying to please everyone. Even reformulated easily beats many current releases.

2 comentários:

Scott disse...

Bel Ami is one of the great masculine classics, I'm glad to hear that you think the more recent reformulations and flanker are still worthy of the Bel Ami name. I cherish my vintage version in the old cocktail-shaker flacon. Truly a masterpiece with focus, style and richness.

Henrique/Rick disse...

I want to have one on that cocktail-shaker flacon Scott. It's really a beautiful fragrance and i think it survived pretty well to reformulations

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