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16 de jul de 2016

Etat Libret d'Orange Rien Intense Incense - Fragrance Review


Português (click for english version): 

Para mim os melhores momentos da grife Etat Libret d'Orange são justamente os que a marca consegue amparar um conceito provocativo e irônico com relação as práticas do mercado com um perfume que não apenas se encaixa no conceito mas que resgata algo do passado e dá uma roupagem mais moderna e decente.

Rien é talvez um dos melhores da marca nesse sentido, um perfume que com seu nome de certa forma tira um sarro das composições minimalistas e quase transparentes oferecendo uma composição gigantesca e orgulhosa de couro, aldeídos e toques animálicos, algo que imediatamente me faz lembrar de um dos clássicos mais desafiadores quando se trata de couro, o belíssimo Bandit de Robert Piguet. Rien Intense Incense vai justamente na direção oposta de que menos é mais e faz um mais é mais adicionando mais uma faceta a ideia, o incenso, e mantendo a intensidade da composição conforme o prometido.

Esse é um daqueles perfumes que se destaca automaticamente, já que poucos ainda ousam fazer isso. A composição mantém a ótima combinação de couro com elementos aldeídicos e animálicos, algo que passa uma personalidade ousada e diferente. É possível perceber que o incenso casa muito bem, acrescentando de fundo uma dimensão fresca, um pouco mentolada e resinosa que ressalta os aldeídos ao mesmo tempo que acalma um pouco a intensidade seca do couro. As vezes é possível perceber o aspecto floral da iris e da rosa acrescentando algo mais delicado e sensual a brutalidade da ideia, que é resgatada pelo aspecto seco da madeiras e do âmbar na base.

Um pouco me surpreende o rumo que Etat Libret d'Orange tomou recentemente. É com perfumes como Rien Intense Incense que a marca se tornou relevante e chamou a atenção no cenário. É com criações como Rien Intense Incense que ela deveria continuar. Entendo a necessidade de garantir a rentabilidade dos negócios com composições menos desafiadoras, mas sinto a maioria dos lançamentos recentes da marca faltam esse tipo de personalidade, que vão na contramão do senso comum e saem vitoriosos no que fazem.

English:
For me the best moments of the brand Etat Libret d'Orange are precisely those that they can support a provocative and ironic concept regarding market practices with a scent that not only fits into the concept but who rescues something of the past and gives a more modern but still decent interpretation.

Rien is perhaps one of the best brand in this sense, a perfume with her name somehow takes a fun of minimalist and almost transparent compositions offering a gigantic and proud creation of leather, aldehydes and animalic touches, something that immediately reminds me of one of the most challenging classic when it comes to leather, the beautiful Robert Piguet Bandit. Rien Intense Incense goes precisely in the opposite direction that less is more and do more is more by adding another facet to the idea, incense, keeping the intensity of the composition as promised.

This is one of those scents that automatically highlights, since few still dare to do this. The composition maintains the optimum combination of leather with aldehyde and animalic elements, something that gives it a bold and different personality. You can tell that the incense fits very well, adding a fresh, camphor-like and resinous dimension at the background, something that highlight the aldehydes while softing a bit the dry intensity of leather. Sometimes you can see the floral aspect of the iris and pink adding something more delicate and sensual to the brutality of the idea, which is again bring back by the dry aspect of the woods and amber in the base.

It surprises me a little the direction that Libret Etat d'Orange took recently. It is with perfumes like Rien Intense Incense that the brand became relevant and drew attention in the scenario. It is with creations like Rien Intense Incense that it should continue. I understand the need to ensure the profitability of business with less challenging compositions, but I feel that most of brand recent launches lack this kind of personality, which go against common sense and come out victorious in what they do.