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29 de jul de 2016

DSH Perfumes Pandora e Mata Hari - Fragrance Reviews


Português (click for english version):

Se eu pudesse resumir a coleção de perfumes e o trabalho da perfumista e pintora Dawn Spencer Hurwitz em uma palavra, certamente eu escolheria a palavra riqueza. Com um vasto catálogo de perfumes, alguns já avaliados aqui, é muito difícil para mim escolher criações favoritas e não se deixar levar pela curiosidade e animação pura a cada vez que uso uma das criações da DSH perfumes na pele. Em particular, criações como Mata Hari e Pandora são espetaculares com suas auras de perfumaria vintage, sua riqueza nos aromas e o uso das melhores matérias-prima que o dinheiro pode comprar.

Inspirada em Pandora, que na mitologia grega representa a primeira mulher, abençoada em talentos, dona da sabedoria e que trás o conhecimento do bem e do mal para a humanidade, a interpretação de Dawn para a ideia certamente possui um aspecto ancestral e belo que representa muito bem o conceito. Estamos diante aqui de um chypre complexo, uma tapeçaria olfativa que passa por elementos florais, especiados, ambarados e animálicos. É interessante que Pandora para mim tem de alguma forma um elemento bem moderno também, algo que me faz remeter às bases sintéticas utilizadas para criar o aroma de agarwood em perfumes atuais. Isso porém só aparece bem no final da evolução de Pandora. A saída tem um aroma especiado seco, com toques de couro e um leve quê animálico de ambergris. As flores aparecem de forma mais tímida para arrendondar e trazer graça e sensualidade a ideia. E por fim, Pandora termina numa espécie de momento reflexivo, um aroma de sândalo, musgo, agarwood e incenso que pode ser, na minha visão, uma personificação da esperança que é a última a ser libertada na caixa de Pandora.

Em Mata Hari Dawn também homenageia uma figura feminina com um perfume espetacular. Dessa vez estamos diante da exótica dançarina que viveu de 1876 a 1917, filha de um empresário e amante de diversos oficiais militares. Certamente uma figura voluptuosa e fora da lei como o perfume que Dawn representa -um chypre clássico dos que não podem mais serem vendidos na União Européia. A paranoia burocrática com relação a possíveis alergias matou perfumes maravilhosos como esse da mesma forma que a paranoia de Mata Hari ter sido espião a levou a morte por fuzilamento. Aqui Dawn captura a perfeição do contraste entre o aroma fofo e mais seco do musgo de carvalho e labdanum com o aroma mais cítrico e brilhante da bergamota. O uso do osmanthus na composição acrescenta um toque floral exótico, voluptuoso e único, que se encaixa ao redor de flores como jasmim e ylang. O uso moderado de especiarias e de íris ajuda a completar a riqueza e sinuosidade de uma composição perfeita e cheia de vida.

English:

If I could sum up the collection of perfumes and the work of the perfumer and painter Dawn Spencer Hurwitz in a word, certainly I would choose the word wealth. With a large catalog of perfumes, some already reviewd here, it is very difficult for me to choose favorite creations and not get carried away by curiosity and pure animation each time I use in my skin one of DSH Perfumes creations. In particular, compositions like Hari Mata and Pandora are spectacular with their vintage fragrance auras, its richness in aromas and the use of best raw materials that money can buy.

Inspired by Pandora, which in Greek mythology is the first woman, blessed with talents, owner of wisdom and responsible for bring the knowledge of good and evil to mankind, the interpretation of Dawn to the idea certainly has an ancient and beautiful aspect that fits very well the concept. We are facing here a complex chypre, an olfactory tapestry that goes through floral, spicy, ambery and animalic elements. It is interesting that Pandora to me  somehow has a very modern element too, something that makes me refer to synthetic bases used to create agarwood aroma in current perfumes. This however only appears at the very end of the evolution of Pandora. The output has a dry spicy aroma, with leather touches and a light hint of ambergris animalic aura. The flowers appear more timidly to round and bring grace and sensuality the idea. Finally, Pandora ends in a kind of reflective moment, a sandalwood, moss, agarwood and incense aroma that can be, in my view, an embodiment of hope that is the last to be released in Pandora's box.


In Mata Hari Dawn also honors a female figure with a spectacular perfume. This time we are present with the exotic dancer who lived from 1876 to 1917, the daughter of a businessman and lover of many military officers. Certainly a voluptuous and outlaw figure as it is the perfume that Dawn created a classic chypre of which can no longer be sold in the European Union. The bureaucratic paranoia regarding possible allergies killed wonderful scents like this in the same way that the paranoia of Mata Hari bein a spy led her death by firing squad. Here Dawn captures the contrast between the perfection and fluffy drier aroma of oak moss and labdanum with the more citrus and bright aroma of bergamot. The use of osmanthus in the composition adds an exotic floral touch, voluptuous and unique, which fits around flowers like jasmine and ylang. The moderate use of spices and iris helps to complete the richness and sinuosity of a composition perfect and full of life.