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27 de jul de 2016

Chanel Les Exclusifs Boy e L'Artisan Parfumer Bucoliques de Provence - Fragrance Review



É interessante como o universo da perfumaria avança em seus lançamentos sempre com um olhar no futuro e um no passado. Ao mesmo tempo que novos materiais surgem e permitem ao perfumista conseguir novos efeitos e novos estilos de fragrâncias, recorrentemente vemos ideias clássicas retornarem com uma roupagem mais contemporânea sem perder sua elegância. Recentemente tivemos algo similar a isso com a maison Chanel e a grife de nicho L'Artisan Parfumeur. Com criações diferentes ambas dão uma roupagem luxuosa e ao mesmo tempo minimalista para o aroma da lavanda, suas conotação de limpeza e seu papel importante dentro do gênero Fougére.

Mestra como poucas em explorar sua história e suas características, com Boy a Chanel continua uma espécie de revival de seu estilo clássico dentro da linha exclusiva, resgatando a grande paixão de Coco Chanel, Boy Capel, ao mesmo tempo que aplica a estratégia de Coco Chanel de introduzir elementos do universo masculino dentro do universo feminino ao propor uma fragrância fougére feminina. O resultado para mim é uma interessante mistura de uma Chanel clássica com uma moderna - algo entre Jersey e Bois des Iles.

Boy me remete a cremosidade elegante, quente e sofisticada da base de sândalo do Bois Des Iles, porém tornada mais moderna pela ênfase maior no aroma dos musks. A ideia de um fougere feminino é construída em cima desse aroma quente, macio e levemente doce, que é presente em toda a evolução da fragrância. O caráter fougére é criado baseado em uma lavanda de qualidade, sem conotações de produto de banheiro, e ganha um caráter mais feminino por um uso moderado de rosas, uma sugestão de violetas atalcadas e um brilho aldeídico e cítrico na saída. Apesar de classificado como feminino, Boy possui uma aura fougere oriental perfeitamente compartilhável e de fácil uso visto que seu aroma não é intenso demais,

Bucoliques de  Provence é mais direto em sua exploração da Lavanda, a estrela da composição. O perfume presta a homenagem a duas heranças culturais da França, os campos de lavanda de Grasse e sua tradição como produtora de artigos de couro finamente perfumados. Apesar desse aspecto clássico, assim como Boy Bucoliques de Provence possui um pé na perfumaria mais direta e compacta da modernidade e oferece seu aspecto aromático fougére com uma grande presença da maciez e limpeza dos musks. 

Aqui eu vejo uma aura de um fougere spicy: Bucoliques abre com um aroma quente e picante, algo que remete a cravo e flores de cravo, mas rapidamente revela o aroma fresco, herbal, limpo e levemente doce da lavanda. Suspeito que o Absoluto de lavanda seja usado aqui, já que o perfume evidencia uma lavanda mais oriental e encorpada em aroma. Um acorde powdery e terroso de iris trás uma sofisticação maior a lavanda e ajuda a reforçar a impressão secundária de um aroma delicado de couro que se mostra entre os musks macios da base. Comparado com Boy, Bucoliques também tem claramente uma aura unissex, mas que parece ser mais intensa e perceptível durante o dia. Ambos são belos exercícios luxuosos em torno de ideias clássicas que se saem de moda por um tempo sempre voltam em algum momento.

English:

It is interesting how the world of perfumery advances in its releases always with a look into the future and the past. While new materials emerge and allow the perfumer achieve new effects and new styles of fragrances, recurrently we see classical ideas return with a more contemporary guise without losing its elegance. Recently we had something similar to this with the house Chanel and niche designer L'Artisan Parfumeur. With different creations both give a luxurious and at the same time minimalist drapery for the scent of lavender, its clean connotation and its important role within the Fougère genre.

Master as few in exploring its history and characteristics, with Boy Chanel continues a kind of revival of its classic style within the exclusive line, rescuing the great love of Coco Chanel, Boy Capel, while applying Coco Chanel strategy to introduce  male universe elements within the female universe by proposing a feminine Fougere fragrance. The result for me is an interesting mix of classic Chanel with modern one - something between Jersey and Bois des Iles.

Boy brings me the elegant creaminess, warm and sophisticated base of sandalwood in Bois Des Iles, but made more modern by greater emphasis on aroma of musks. The idea of ​​a female fougere is built upon that warm, soft and slightly sweet aroma, which is present throughout the evolution of the fragrance. The Fougere character is created based on a high quality lavender, no bathroom connotations, and gain a more feminine character by a moderate use of roses, a hint of powdery violets and citric aldehydic opening. Although classified as feminine, Boy has an oriental fougere aura perfectly shareable and easy to use as its aroma is not too intense,

Bucoliques de Provence is more direct in his exploration of Lavender, the star of the composition. The scent pays homage to two cultural heritages of France, the lavender fields of Grasse and its tradition as a producer of finely perfumed leather goods. Despite this classic look, like Boy, Bucoliques de Provence has a foot in the most direct and compact perfumes of modernity and offers its aromatic Fougere aspect with a large presence of softness and cleanliness of musks.

Here I see an aura of a spicy fougere: Bucoliques opens with a hot and spicy aroma, which refers to cloves and carnations but quickly reveals the fresh, herbal, clean and slightly sweet lavender aroma. I Suspect lavender absolute is used here, since the perfume shows a more full-bodied and oriental aroma of lavender. A powdery and earthy iris  accord brings greater sophistication to lavender and helps to strengthen the secondary impression of a delicate aroma of leather that shows between the soft musks base. Compared with Boy Bucoliques also has a clearly has unissex aura but that seems to be more intense and noticeable during the day. Both are beautiful luxurious exercises around classical ideas that go out of fashion for a while coming back at some point.