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18 de jun de 2016

Yohji Yammamoto Yohji Homme - Fragrance Review


Português (click for english version):

Na perfumaria assim como em outras indústrias timing e resiliência são essenciais quando falamos de inovação, seja essa uma evolutiva (que propõe modificações em conceitos já conhecidos) ou disruptiva (o tipo mais radical, que explora caminhos e ideias pouco conhecidos). Se a escolha correta do tempo de lançamento é um fator importante para que o público reconheça e aceite sua ideia a resiliência pode ser crucial para que ela sobreviva caso o timing não tenha sido o melhor. Yohji Homme infelizmente sofreu com ambos na época de seu lançamento, mas felizmente foi relançado em 2013 com outros clássicos da marca japonesa.

Eu o vejo como parte dos vários dos perfumes criativos da década do final dos anos 90 e do início de 2000, criações que pareciam colocar o foco da perfumaria de novo na criatividade e visão pessoal, algo que já tinha começado a se perder na década de 80 e se aprofundou nos anos 90. O canal para isso, porém, não foi o melhor, visto que tais ideias tinham um apelo mais especifico, ideal para uma perfumaria mais seletiva e exclusiva que hoje conhecemos de forma bem mais ampla como perfumaria de nicho.

Yohji Homme e outro perfume lançado no mesmo ano, Rochas Man, exploram um dos gêneros mais clássicos da perfumaria masculina sob um ângulo mais arriscado, os perfumes fougeres. Dois dos elementos principais de um fougere clássico aparecem em ambas as criações, a lavanda e a coumarina. Os dois perfumes exploram o lado aromático, amendoado e herbáceo da combinação acrescentando um toque gourmand diferente para a época, o aroma torrado de café.

O que diferencia Yohji de Rochas Man, porém, é o risco corrido em acrescentar algo mais dissonante ainda a combinação, o cheiro picante, mentolado e um pouco amargo da combinação do alcaçuz com o anis. É uma ideia que só seria explorada novamente e sem o uso do café em um perfume de nicho da hermès lançado 10 anos depois: Brin de Reglisse. Mas aqui temos essa exótica combinação de café torrado, lavanda fresca e limpa e um cheiro complexo de chá, menta e ervas amargas. É um conjunto de sensações olfativas muito distinto para uma década que ficou marcada pelas composições lineares, limpas e fáceis de agradar.

Yohji ainda vai além, acrescentando a mistura um uso bem claro de canela, cravo e cardamomo que também lhe dá uma dimensão especiada e quase oriental, algo que por breves momentos remete a outro interessantíssimo perfume dessa década, Boucheron Jaipur. E por mais exótico e complexo que Yohji se mostre, seu cheiro não é gritante, pesado ou sufocante em nenhum momento. É um perfume harmônico, mais introspectivo talvez, que não se preocupa em se exibir com um rastro gigantesco mas que se preocupa em mostrar bastante conteúdo - conteúdo demais para uma década onde isso pouco era valorizado.

English: 

In perfumery as well as other industries timing and resilience are essential when it comes to innovation, being either  an evolutionary  (which proposes changes in concepts already known) or disruptive (the most radical type, which explores ways and little-known ideas) one. If the correct choice of release time is an important factor for the public to recognize and accept your idea resilience can be crucial for it to survive if the timing was not the best. Yohji Homme unfortunately suffered both at the time of its release, but fortunately it was re-released in 2013 with other classic from the Japanese brand.

I see it as part of a number of creative fragrances of the decade of the late 90s and early 2000s, new creations that seemed to put the fragrance's focus back on creativity and personal vision, something that had already begun to get lost in the decade of 80 and deepened in the 90's; the channel for this, however, was not the best, as these ideas had a more specific request, ideal for a more selective and exclusive perfumery that we know far more broadly today as niche perfumery .

Yohji Homme and other perfume released the same year, Rochas Man, explore one of the most classic genres of men's perfumes in a more risky angle, the fougeres perfumes. Two of the main elements of a classic fougere appear in both creations, lavender and coumarin. The two fragrances explore the aromatic, almond and grassy combination of a fougere adding a different gourmand touch to that time: the roasted coffee aroma.

What differentiates Yohji from Rochas Man, however, is the risk incurred to add something more dissonant yet the combination, the spicy, minty and slightly bitter smell of licorice combination with anise. It's an idea that would only be explored again and without the use of coffee in a niche perfume that Hermès launched 10 years later: Brin Reglisse. But here we have this exotic combination of roasted coffee, fresh, clean lavender and a complex smell of tea, mint and bitter herbs. It is a set of very distinct olfactory sensations for a decade was marked by linear compositions, clean and easy to please.

Yohji goes even further, adding to the mix a clear use of cinnamon, cloves and cardamom which also gives you a spicy and almost oriental dimension, something that briefly refers to another interesting scent of that decade, Boucheron Jaipur. And for more exotic and complex Yohji might show up, its  smell is not stark, heavy and suffocating in no time. It is an harmonious perfume, one more introspective that does not bother to show up with a huge trail but who cares to show enough content - too much content for a decade where it was little valued.