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18 de jun de 2016

Thierry Mugler Amen Pure Wood - Fragrance Review


Português (click for english version): 

A Thierry Mugler parece explorar em sua linha uma resposta para a seguinte pergunta que me vêm a cabeça: Até onde é possível ir com flankers de um best seller consolidado no mercado sem cansar a audiência? É uma tarefa de certa forma interessante, pois exige que você seja capaz de transformar o perfume ao ponto de ele parecer um conceito novo e interessante mas manter o elo com a criação original. Em algumas edições a coleção Pure tem se mostrado bem sucedida nisso, com Pure Coffee, Pure Malt e Pure Havane se destacando entre os mais celebrados. Os Flankers Taste of Fragrance e Pure Leather/Cuir até chegam a trazer detalhes interessantes a ideia original, porém falham em criar um aroma distinto e sua evolução os torna muito parecidos com o Amen de forma que é difícil manter o interesse neles após alguns usos. Esperava que Pure Wood fosse seguir o mesmo caminho deles, entretanto seu perfume parece mostrar que ainda é possível extrair variações interessantes do oriental amadeirado Amen.

Primeiramente, é interessante ressaltar que apesar do nome indicar uma possível dominância do aroma das madeiras, Pure Wood não vai pelo caminho óbvio e não apresenta uma saturação de cedro, sândalo, oud ou materiais ambarados sintéticos que possam passar um aroma pesado e difusivo de madeira seca. Algumas dessas madeiras podem até serem percebidas, porém o que realmente se destaca e dá uma nova vida ao cheiro do Amen é o uso da madeira de carvalho na composição. Ela trás uma nuance amadeirada pouco explorada comercial, um cheiro com nuances de rum, mel e frutas secas.

Apesar de não estar listado, além do aroma de carvalho eu noto um cheiro bem evidente de guaiaco, uma madeira interessante pelo seu aspecto picante e um aroma fenólico (esfumaçado e emborrachado) ao mesmo tempo que trás um leve toque açucarado a composição. Ainda temos um cheiro secundário e sofisticado de aroma de couro que se mistura ao aroma doce e açúcarado da baunilha e ao cheiro torrado de café. Essas duas notas junto com o o patchouli acabam sendo as principais responsáveis por fazer a ligação com o AMen tradicional enquanto o carvalho, guaiaco e um aroma de resinas adocicadas e ambaradas dão uma nova roupagem ao aroma oriental da composição. Apesar de pouco conhecido e comentado é um dos flankers mais interessantes da linha na forma como explora seu conceito, beirando uma abordagem que não faria feio em um perfume de nicho ou mais exclusivo.

English:

The Thierry Mugler brand seems to explore on their line an answer to the following question that come into my head: How far you can go with flankers of a consolidated best seller on the market without tiring the audience? It is a task interesting somehow, because it requires you to be able to transform your perfume to the point it seems a new and interesting concept but at the same time keeping the link with the original creation. In some editions of the Pure Collection we have seen this approach be very successful, with Pure Coffee, Pure Malt and Pure Havane standing out among the most celebrated. The Flankers Taste of Fragrance and Pure Leather / Cuir  were also able to bring interesting details the original idea, but failed to create a distinctive aroma and its evolution makes them much like the Amen so it is difficult to keep the interest in them after a few uses. I expected Pure Wood to follow suit them, though its scent seems to show that it is still possible to extract interesting variations of woody oriental theme in Amen.

First, it is interesting to note that despite the name indicating a possible dominance of the aroma of woods, Pure Wood does not go the obvious route and doesn't shows a saturation in cedar, sandalwood, oud or synthetic amber  materials that can pass a heavy, dry and diffusive wooden aroma Some of these woods can even be perceived as secondary, but what really stands out and gives a new life to the smell of Amen is the use of oak wood in the composition. It brings a little explored commercial woody nuance, a scent with nuances of rum, honey and dried fruits.

Although not listed, besides the oak aroma I notice a very obvious smell of guaiac, a wood interesting for its spicy aspect and  phenolic impression (smoky and rubber like) while having also a slightly sugary touch. We still have a secondary and sophisticated scent of leather aroma that mingles with the sweet, sugary scent of vanilla and roasted smell of coffee. These two notes together with patchouli end up being the main responsible for making the connection with the traditional  AMen while the oak, guaiac and aroma of sweetened ambery resins  give a new look to the oriental aroma composition. Although little known and commented it is one of the most interesting flankers in the line in the way ut explores the concept, bordering on an approach that would not be bad in a niche perfume or a more exclusive one.