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9 de jun de 2016

O'DRIÙ Italian Angel - Fragrance Review

Português (click for english version): 

Confesso que a minha relação com a marca indie O'DRIÙ nunca tenha sido muito explorada pelas fortes emoções que seu perfumista  Angelo Orazio Pregoni me desperta. Há algo no senso de humor dele que sempre me irritou profundamente, com críticas a práticas de marketing da perfumaria que me pareciam em si uma tentativa de marketing para chamar a atenção (como o convite a colocar 1 gota de urina do própria pessoa em Peety, por exemplo). Porém, mudando o olhar, é certo que o equilíbrio de players em um sistema exigem elementos que fujam do convencional e tanto encenado ou genuíno Angelo faz esse papel e o faz bem. Além disso, ele mostra que é capaz de ter um olhar mais convencional em criações como Italian Angel, onde o peculiar parece abrir espaço para algo exótico porém mais direto em sua abordagem.

É interessante para mim como é possível encaixar os anjos em diferentes formas dentro de Italian Angel e de certa forma ele pra mim sintetiza um lado de Angelo que não me interfere na apreciação da fragrância. O perfume procura unir tanto o passado como o presente da perfumaria italiana e brincar com os esteriótipos. O primeiro esteriótipo que me vem a cabeça com relação a Italian Angel é que sua beleza não é nem um pouco discreta. Ela me parece espalhafatosa, grande e sensual/sexual sem ser vulgar - algo que se encaixa muito bem no aspecto estereotipado.

O Perfume encarna um aspecto andrógino bem claro, condizente com a temática dos anjos, trabalhando com a mesma presença e força tanto elementos florais como aspectos amadeirados, cítricos, especiados e fougeres. Estamos diante de um Anjo do período barroco, dramático, decorativo, exuberante algo que não se envergonha de exalar opulência. Essa já evidente para mim em uma saturação do aspecto frutal de banana na saída, algo que me parece um aroma doce, uma distorção de nuances do ylang ylang que quando tocadas no volume máximo também remetem ao aroma metálico de tinta que alguns acetatos parecem emanar. Contrastando com isso há claramente um acorde fougére cítrico clássico, algo que enfatiza mais a presença do lado verde e amargo de rosa e gerânio da ideia. O Tabaco aparece entre eles, com suas nuances  balsâmicas exploradas junto com um aroma vanílico cremoso e um floral sensual e denso de jasmim. Por fim, temos o café, o vetiver (e para mim algo que diz oud) trazendo o perfume para um lado mais austero, bruto, um amadeirado torrado e seco que balanceia o aspecto mais carnal da ideia.

Certamente Italian Angel não é um perfume para quem gosta de sutilezas - e como um bom clichê seria estranho se fosse. Ele fala comigo pois me parece uma celebração de quem eu sou com minha origens italianas - algo dramático e beirando o teatral. E talvez justamente essa teatralidade que a princípio tanto me incomodou em Angelo seja justamente o que eu amo aqui. Uma contradição que eu não teria vergonha de admitir considerando que o perfume em questão vale a pena.

English:
I admit that my relationship with indie brand O'DRIÙ has never been much explored due the strong emotions that its perfumer Angelo Orazio Pregoni awakens on me. There is something in his sense of humor that always irritated me deeply, with criticism of the fragrance marketing practices that seemed itself a marketing attempt to draw attention (as the invitation to put 1 drop of urine of the user in Peety, for example). However, changing the perspective, it is certain that the balance of players in a system require elements that escape the conventional and either staged or genuine Angelo makes this role and does it well. Also, it shows that he is able to have a more conventional appeal with creations as Italian Angel, where the peculiar seems to make room for something exotic but more direct in its approach.

It's interesting to me how you can fit the angels in different forms in Italian Angel and somehow it to me sums up one side of Angelo that do not interfere with the enjoyment of the fragrance. The perfume seeks to unite both the past and the present of Italian perfumery doing this by playing with stereotypes. The first stereotype that comes to mind regarding Italian Angel is that its beauty is not a bit discreet. It seems to me loud, big and sensual / sexual without being vulgar - something that fits very well in the stereotypical appearance.

The perfume embodies a very clear androgynous aspect, coeherent with the angels theme, working with the same presence and strength both floral, woody, citrus, spicy and fougeres elements. We are facing an Angel of the Baroque period, dramatic, decorative and lush, something that is not ashamed to exude opulence. This already evident to me in a saturation of a banana fruity aspect at the opening, something that seems to me to be a sweet aroma, a distortion of ylang ylang nuances that when played at full volume also makes me think to the metallic paint scent o that some fruity acetates seems to emanate. By contrast there is clearly a classic citrus Fougere accord, something that emphasizes more the presence of green and bitter side of rose and geranium idea. Tobacco appears between them, with its balsamic sweet site explored with a creamy vanillin aroma and a sensual and dense floral jasmine. Finally, we have coffee, vetiver (and for me something that says oud) bringing the scent to a more austere side, rough, a crisp woody and dry aroma that balances the carnal aspect of the idea.

Surely Italian Angel is not a perfume for those who like niceties - and as a good cliché would be strange if it were. He speaks to me because it seems to me a celebration of who I am with my Italian origins - something dramatic and verging on the theatrical. And maybe it is exactly this theatricality that at principle bothered me in Angelo just what I love here. A contradiction that I would not be ashamed to admit considering that the perfume in question is worthy.