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27 de jun de 2016

O'driu Gothic Angel - Fragrance Review

Fonte: https://fifi.ru/

Português (click for english version): 

Nem sempre as primeiras impressões são corretas. Ou, quando são corretas, podem não captarem todos os aspectos de um assunto ou pessoa e assim levarem a conclusões precipitadas. Me dei conta de que ao avaliar rapidamente o trabalho de Angelo Orazio Pregoni me deixei levar pela estética exótica e pelas provocações sem perceber que elas eram apenas a superfície de algo mais interessante, que só é revelado a partir do momento em que se aceita o desafio de deixar que Angelo como perfumista e artista nos tire da zona de conforto e nos leve a pensar sobre o que realmente está acontecendo. Nesse sentido, vale a pena visitar o página do Facebook de Angelo e buscar seus artigos publicados no site fifi.ru, que nos levam a conhecer um pouco mais de sua mente e seus princípios.

Não pretendo aqui em poucas palavras ser capaz de passar as coisas que o perfumista pretende com Gothic Angel, que é o segundo mensageiro em sua linha de temática Angelical, e sim fazer um convite para que ele seja conhecido. Com Italian Angel em mente, a primeira coisa que eu me pego pensando é nas coisas que eles tem em comum e nas que eles diferem. Em comum  é possível perceber algumas notas de base, principalmente um aspecto cremoso e gustativo, o fato de ambos serem perfumes maiores que a vida, o tipo que parece querer preencher uma Arena com seu aroma vibrante e cheio de detalhes. Porém, a impressão que eu tenho é que enquanto Italian Angel é uma excelente exploração caricata e com uma aura barroca da cultura aromática italiana Gothic Angel parece, como o artista deixa claro, olhar para o passado, nesse caso o movimento artístico gótico, mas sem uma representação caricata. É como se, assim como tal movimento, Angelo explorasse o passado mirando um estilo futuro desconhecido e, certamente, almejando o divino como a própria arte gótica.

Eu vejo em Gothic Angel uma fórmula estruturada aromaticamente que me faz pensar mais no estilo arquitetônico desse período e de seus vitrais do que da pintura em si. Eu tenho a impressão de que estamos diante de algo que certamente mira o divino e o luminoso, o que já foge da caricatura dark que eu imaginava. Eu vejo o uso de materiais ambarados e de certa forma ásperos servindo como os arcos da estrutura olfativa que se desenvolve. E os aldeídos juntamente com o incenso funcionam como os vidros sobre os quais a arte das outras notas é pintada, criando o efeito de uma luz intensa e magnífica para mim.

O aspecto do passado aqui me faz pensar, por algum motivo, no contraste entre sensualidade e temperança do Chanel No 5, porém tocado de uma forma que a estrutura torna-se tipicamente algo das criações de Angelo. Há para mim um aspecto soapy entre o austero e o luxuoso, onde os aldeídos parecem elevar o aroma de ervas amargas. Há uma sensualidade floral pintada em tons vibrantes e ao mesmo tempo sem uma forma definida, mas é possível sentir seu contorno sensual, erótico e complexo passando pelos raios de luz olfativa da saída e se misturando ao aspecto sacro do incenso. Um tom powdery e entre o cheiro de iris e violetas me faz novamente relembrar uma dinâmica similar a encontrada no Chanel No 5, que se repete novamente na base pela presença de um belíssimo aroma sagrado e rico de sândalo. Nesse ponto a harmonia permite que vc perceba mais uma vez os materiais ambarados e secos da saída, que trazem a composição novamente para o presente e futuro, e um aroma cremoso e de baunilha que é bem aconchegante.

Gothic Angel é interessante no que me parece ser uma espécie de dicotomia em seu cheiro. Ao mesmo tempo que ele possui uma aura maior que a vida e digna de uma performance de arena há algo em seu cheiro que me remete a um sentimento que associo ao goticismo, o de proteção. A combinação de materiais aconchegantes como incenso, sândalo, baunilha e toques powdery criam o sentimento de que estou envolvido e seguro debaixo de seu aroma (e será que não seria essa uma das atribuições de um anjo?).

English
The first impressions are not always the correct ones. Or when they are correct, they can not capture all aspects of a subject or person and thus lead to hasty conclusions. I realized that the quickly judgment of the work of Angelo Orazio Pregoni let myself take the exotic aesthetic and the provocations without realizing that they were only the surface of something more interesting, which is only revealed from the moment we accepted the challenge to let Angelo as a perfumer and artist takes us out of the comfort zone and make us to think about what is really happening. In this sense, it is worth visiting the Facebook page of Angelo and read the articles he published on fifi.ru site, which lead us to know a little more of his mind and his principles.

I do not intend here in a nutshell be able to pass things that the perfumer want to Gothic Angel, which is the second messenger in his line of angelic theme; this is more an invitation to know it. With Italian Angel in mind, the first thing I find myself thinking here is about the things they have in common and in which they differ. In common you can see some basic notes, especially a creamy and gustatory aspect, the fact that they are both scents larger than life, the kind that seems to fill an arena with its vibrant aroma and full of detail. But the impression I have is that while Italian Angel is an excellent caricature and a baroque exploration Italian aromatic culture Gothic Angel seems, like the artist makes clear, to look at the past in the Gothic art movemen  but without one caricatured representation. It's like, with such move, Angelo explore the past aiming indeed an unknown future style and certainly longing for the divine as the very Gothic art.

I see in Gothic Angel one aromatically structured formula that makes me think more about the architectural style of that period and its stained glass than the painting itself. I have the impression that we are facing something that certainly sees the divine and the light, which already differs from the dark caricature I imagined. I see the use of ambery materials and in a rough form serving as the arches of the olfactory structure that develops. And the aldehydes with incense function as the glass on which the other notes of the art is painted, creating the effect of an intense and magnificent light to me.

The aspect from the past here makes me think, for some reason, the contrast between sensuality and temperance of Chanel No. 5, but played in a way that the structure becomes typically something of Angelo creations. There is to me a soapy appearance between the austere and luxurious, where aldehydes seem to raise the aroma of bitter herbs. There is a painted floral sensuality in vibrant hues and at the same time without a definite shape, but one you can feel her sensual, erotic and complex contour past the olfactory rays of light output, mixing the sacred aspect of incense. A powdery tone and between the iris and violets smell makes me again recall a similar dynamic that found in Chanel No. 5, which is repeated again at the base by the presence of a beautiful sacred and rich aroma of sandalwood. At this point the harmony allows you to realize once again the amber and dry materials of the opening, which bring the composition back to the present and future, and a creamy and vanilla scent that is very cozy.

Gothic Angel is interesting in what seems to be a kind of dichotomy in his scent. While it has a larger than life aura and worthy of an arena of performance there is something in its scent that brings me a feeling that I associate to Gothicism: the protection. The combination of warm materials such as frankincense, sandalwood, vanilla and powdery touches create the feeling that I am involved and secure under its aroma (and wouldn't this be one of the duties of an Angel?).

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