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14 de jun de 2016

Maison Francis Kurkdjian Baccarat Rouge 540 e Ciel de Gum - Fragrance Reviews


Certamente é possível dizer que Francis Kurkdjian é um perfumista eclético. Dei-me conta disso quando resolvi analisar as criações onde ele é mencionado como perfumista no Fragrantica. Mesmo que não seja um dos meus favoritos vejo que ele é capaz de ir do mais comercial e fácil de agradar (Armani Mania Masculino, por exemplo) ao mais conceitual e complexo (Dior Eau Noire é para mim um de seus melhores nesse quesito). Na linha de perfumes que leva seu nome ele parece encontrar um meio termo para isso mas tendendo a um estilo comercial chic, seja compondo para si ou incorporando parcerias com clientes como a loja Russa GUM e a produtora de cristais Baccarat. 

Criado originalmente para celebrar os 120 anos da GUM, Ciel de GUM me faz pensar numa versão oriental minimalista e contemporânea do acorde de flor de laranjeiras que aparece de forma recorrente em suas criações comerciais e em alguns perfumes de sua marca. Francis Kurkdjian passa a impressão nas entrevistas que dá de ser avesso a aromas clássicos e datados e isso transparece em seus perfumes.  Ciel de Gum  é para mim uma visão panorâmica e de certa forma monolítica de um floral oriental. Vejo nele um aroma floral cítrico, que é classificado como jasmim mas certamente me faz pensar no cheiro da flor de laranjeira. Aqui ela é combinada com um toque apimentado frutado da pimenta rosa e envolta em musks macios.  Há um aroma levemente ambarado e powdery, algo quente porém sem o peso de uma base oriental clássica. É uma fragrância que me passa uma sensação elegante, mas que em sua simplicidade me deixa desejando um pouco mais pelo preço que é cobrado.

Baccarat Rouge 540 também vai por uma linha oriental minimalista e transparente, sendo uma das criações que o perfumista recentemente mencionou ser uma de suas obras-primas. Certamente o é pela capacidade de passar algo chique e sofisticado usando primariamente sintéticos e poucos naturais em uma fórmula que de acordo com o perfumista é bem compacta. De certa forma Rouge 540 me faz imaginar uma criação árabe transportada para o universo minimalista e moderno. Temos uma sugestão de um aroma de rosas e açafrão, algo aveludado com nuances de tabaco e mel. Um uso sábio do maltol dá um aroma levemente caramelado a composição que soa bem sofisticado e cai bem nas nuances powdery e de couro do açafrão. Conforme evolui o aroma vai se tornando também almiscarado, com a predominância clean e levemente salgada do ambroxan, uma importante molécula presente no ambargris.

Vejo tanto em Ciel de Gum como em Baccarat Rouge 540 justamente o tipo de produto que comentei na minha reflexão recente sobre perfumaria de nicho. São composições com um apelo mais exclusivo e capazes de evocar luxo pela distribuição e estratégia de preço adotada mas composições que ainda sim focam no que vendem. Não são perfumes que miram o artístico e o não convencional - até mesmo porque Francis não acredita em aromas engarrafados  como obras de arte. 

It is certainly possible to say that Francis Kurkdjian is an eclectic perfumer. I realized that when I decided to analyze the creations where he is mentioned as a perfumer at Fragrantica. Even that he is not one of my favorites I see that he is able to go from the more commercial and easy to please (Armani Mania Male, for example) to the more conceptual and complex (Dior Eau Noire is for me one of his best in this regard). In the line of perfume that bears his name he seems to find a middle ground for this but tending to a commercial chic style, be that composing for himself or entering partnerships with clients such as Russian GUM store and the  crystal producer Baccarat.

Originally created to celebrate the 120th anniversary of GUM, Ciel de GUM makes me think of a minimalist and contemporary oriental version of the orange blossom accord that appears recurrently in his mainstream creations and in some perfumes of his brand. Francis Kurkdjian gives the impression in interviews he gives to be averse to classic and dated aromas and it shows in his perfumes. Ciel de gum is for me a panoramic and somehow monolithic view of a floral oriental. I see it as a citrus floral scent, which is classified as jasmine but it certainly makes me think of the smell of orange blossom. Here it is combined with a fruity spicy touch of pink pepper and wrapped in soft musks. There is a slightly amber and powdery aroma, something warm but without the weight of a classic oriental base. It is a fragrance that gives me an elegant feel, but in its simplicity makes me wanting a bit more for the price that is charged.

Baccarat Rouge 540 also goes by a minimalist and transparent oriental line and it is one of the creations that the perfumer recently mentioned to be one of his masterpieces. Certainly it is due the ability to pass something chic and sophisticated using primarily synthetic molecules and a few naturals on a formula according to the perfumer is very compact. In a way Rouge 540 makes me imagine an Arab creation transported to the minimalist and modern universe. Here we have a hint of a scent of roses and saffron, something velvety with tobacco and honey nuances. A wise use of maltol gives a slightly caramelized aroma to the composition that sounds very sophisticated and falls well in powdery nuances and leather saffron nuances. As it evolves the aroma becomes too musky, with a clean and lightly salted predominance of ambroxan, an important molecule present in ambargris.

I see both Ciel Gum as Baccarat Rouge 540 to be precisely the type of product that I commented on my recent reflection on niche perfumery. They are compositions with a more exclusive appeal and capable of evoking luxury with distribution and pricing strategies but compositions that still  focus on selling. They do not  target the artistic and unconventional - even because Francis does not believe in bottled perfumes as works of art.