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13 de jun de 2016

Guerlain Ne M'Oubliez Pas - Fragrance Review


Português (click for English Version): Enquanto eu vejo na Chanel uma das marcas mais eficientes em comunicar pela propaganda e marketing a sua história clássica é na Guerlain que eu encontro a abordagem mais lucrativa e sem pudores para fazer isso. Desde seus tempos de ouro a marca é mestra em criar variações de suas ideias mais rentáveis e também sabe como ninguém lançar infinitas vezes o mesmo perfume com diferentes nomes, preços e estratégias de distribuição. As vezes isso é bem evidente, como no caso do perfume Guet Apens, criação de 1999 relançada pelo umas 4 vezes diferentes (Royal Extrait, Attrape Coeur, Vol de Nuit Evasion, Fragrance Collection No 68). Em outros casos, como Ne M'Oubliez Pas, temos uma colagem de inspirações e aromas para criar algo novo, familiar e ao mesmo tempo apaixonante.

Primeiramente, Ne M'Oubliez Pas possui uma temática tipicamente clássica da marca, com um romantismo que se percebe pelo nome, que pede a pessoa amada que não a esqueça. Ne M'Oubliez Pas também faz uma referência dupla a produtos históricos da marca: o nome do primeiro batom lançado pela Guerlain e também o nome de uma criação feita por Jacques Guerlain em 1920. O perfume em si, entretanto, parece resultar da experiência de Thierry Wasser com o portfolio moderno de criações da marca e com a sua jornada de reconstrução e entendimento dos perfumes clássicos esquecidos do passado.

Para mim é como se Ne M'Oubliez oscilasse entre duas Guerlains que dificilmente se conversam na atualidade: a juvenil, despreocupada e mais superficial, representada por criações como La Petite Robe Noire, e a mais cerebral, complexa e aristocrática dos tempos de Shalimar, Mitsouko, L'Heure Bleue, entre outros. Essa segunda é a que se destaca logo de cara em Ne M'Oubliez para mim, principalmente com o brilho aldeídico em sintonia com a bergamota, nota cítrica clássica da assinatura da marca, e o aroma das rosas. A presença de cominho e ameixa também me fazem pensar de alguma forma que Wasser encontrou um jeito de homenagear o descontinuado Parure ao mesmo tempo que a combinação de tons aldeídicos e rosas me remete um pouco ao aroma de Liu.

A parte que eu mais gosto, porém, é que essas nuances florais, frutais e carnais estão envoltas em uma base de ambar, baunilha e um cheiro que me remete a tabaco, me lembrando de um dos meus Guerlains descontinuados favoritos, Plus Que Jamais. A elegância púrpura e acessível de Plus Que Jamais se encaixa perfeitamente com as outras referências e vai aos poucos se transformando na parte mais jovem e moderna da marca, uma base de amêndoas, musk e um tom açucarado controlado que remete a algo entre a base do La Petite Robe Noire e a base do L'Heure de Nuit.

O que eu menos gosto aqui, entretanto, é o preço e a estratégia extremamente seletiva. Ne m’Oubliez Pas  só é vendido na concentração extrato e está disponível apenas em frascos de 50ml no preço de 500 euros. Acho frustrante que a marca reserve os perfumes que melhor a representam e as criações mais bem trabalhadas a uma parcela pequena de seu público. Isso não me afetaria se no cenário comercial opções interessantes também fossem lançadas. Porém a Guerlain parece preocupada em enfiar goela abaixo do consumidor o máximo possível de versões do La Petite Robe Noire, que por melhor que seja já cansou e não tem mais nada a oferecer de bom em novas criações. Espero que um dia os executivos da LVMH aprendam um pouco com a Chanel de como é possível manter a aura de luxo, a modernidade e ainda sim oferecer clássicos sem cobrar um rim de seus consumidores.

English:
While I see in Chanel one of the most efficient brands to communicate through advertising and marketing their classic story it's in  Guerlain where I find one of the most profitable and shameless approach to do this. Since its golden years the brand is master to create variations of their most profitable ideas and it is also knows how to throw at its public infinite times the same perfume with different names, pricing and distribution strategies. Sometimes it is quite clear, as in the case of perfume Guet Apens, created in 1999 and relaunched by about 4 different times (Extrait Royal, Attrape Coeur, Vol de Nuit Evasion, Fragrance Collection No 68). In other cases, such as Ne M’Oubliez Pas, we have a collage of inspirations and aromas to create something new, familiar and at the same time exciting.

First,  Ne M’Oubliez Pas has a typically classical theme of the brand, with a romanticism that is perceived by the name, asking the beloved to not forget it. Ne Pas m'oubliez also makes a double reference to historical products of the brand: the name of the first lipstick launched by Guerlain and also the name of a creation made by Jacques Guerlain in 1920. The perfume itself, however, seems to result from experience Thierry Wasser with modern portfolio of brand creations and his journey reconstruction and understanding of the classics forgotten perfumes of the past.

For me it's like Ne m'oubliez oscillated between two Guerlains that hardly talk today: the youth, carefree and more superficial, represented by creations like La Petite Robe Noire, and the more cerebral, complex and aristocratic from the times of Shalimar, Mitsouko, L'Heure Bleue, among others. This second is the one that stands out right away in Ne m'oubliez for me, especially with the aldehydic shine in tune with bergamot, the citrus classical signature note of the brand, and the scent of roses. The presence of cumin and plum also make me think somehow that Wasser found a way to honor the discontinued Parure while the combination of aldehyde tones and roses brings me a little to Liu aroma.

The part I like most, however, is that these floral, fruity and fleshly nuances are wrapped in a base of amber, vanilla and a smell that brings me a tobacco smell, reminding me of one of my favorite discontinued Guerlains, Plus Que Jamais. The purple and friendly elegance of Plus Que Jamais fits perfectly with the other references and it slowly transform into the youngest and modern part of the brand, a base of almond, musk and a controlled sugary tone that refers to something between the base of La Petite Robe Noire and the base of L'Heure de Nuit.


What I like least here, however, it is the price and the extremely selective strategy.  Ne M’Oubliez Pasis is only sold in extract concentration and is only available in bottles of 50ml in the price of 500 euros. I find it frustrating that the brand leave the perfumes that represent the best and the most well-crafted creations to a small portion of  its audience. It would not affect me in a commercial scenario where  interesting options were also launched. But Guerlain seems anxious to shove down the throats of consumers as much as possible versions of La Petite Robe Noire, which while not bat has already tired and have nothing to offer of good on new creations. I hope one day the LVMH executives learn a bit with Chanel as it is possible to maintain the aura of luxury, modernity and still offer classic creations without charging a kidney from its consumers.

2 comentários:

Andre Ferreira disse...

Excelente! Toma, Guerlain!! É, sempre, um privilégio ler suas avaliações! Abraço, Mestre!

Henrique/Rick disse...

Muito obrigado Andre! :)

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