Pesquisar este blog

26 de jun de 2016

Boticario Egeo Provoque e Eudora Trip Itacaré - Avaliações Rápidas


Tanto Egeo Provoque como Trip Itacaré mostram as possibilidades que o mercado nacional de perfumes pode explorar mais, mesmo com as suas limitações tributárias que encarecem bastante o processo de produção. Ambos são perfumes que por mais que não sejam inovadores se mostram diferentes do que é oferecido de forma costumeira aqui e ainda por cima com um preço razoavelmente bom.

Egeo Provoque fez parte da edição especial  de dia dos namorados de 2015 (7 tentações) e aparentemente continua como parte integrante da coleção do Boticario. A primeira coisa que me chamou a atenção nele foi sua descrição, que colocava como parte de seu conceito uma flor que não costuma aparecer em perfumaria nacional: Narciso. As flores de Narciso possuem um perfume inebriante, uma mistura de aroma de erva mate, tons frutados, especiarias, jasmim, aspecto indólico e ambarado. Provoque é modelado ao redor de ideias assim porém sempre mantendo em mente o apelo mais comercial que ele deve ter. É interessante isso, pois seu perfume está sempre no limiar de algo mais de nicho ou exclusivo e uma ideia comercial. Seu aroma abre com um tom suculento frutal que remete a pêssego e a parte principal do perfume já se percebe, algo que explora as nuances mais verdes do aroma do narciso e as combinam com o aroma de uma rosa aveludada. A base tem um tom ambarado e powdery que condiz bem com a forma como o absoluto de narciso evolui. O ambarado aqui tem um tom mais gourmand, porém nada que seja super adocicado ou comum e finaliza bem o perfume. Apesar de ser classificado como feminino, o aroma ambarado predominante na composição o torna bem compartilhável.

Trip Itacaré, por sua vez, é o flanker do interessante e bem trabalhado aquático Trip da Eudora, uma marca que para mim se destaca no mercado nacional por não destoar da perfumaria comercial internacional e conseguir fazer isso sem cobrar muito. É interessante que não tenhamos muitos perfumes masculinos nacionais que deixem de lado os musks e cítricos para investir mais em uma combinação que oscila entre um frescor aromático, especiarias e madeiras abstratas. Itacaré me parece elegante, com uma bela projeção e harmonia entre seus aspectos: não é muito metálico, nem exageradamente aquático ou muito carregado em musks. É harmonioso em seus aspectos e por mais que não seja intenso na sua faixa de preço reaplicá-lo durante o dia não é nenhum problema. É relaxado e casual e condizente com a temática de praia que ele encarna.