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10 de jun de 2016

Auphorie Miyako e Regal Secret - Fragrance Reviews

















Português (click for english version): 
Quando se é uma marca independente nova ter o suporte de um nome de peso a seu favor como o de Luca Turin pode ser uma das melhores coisas a te acontecer. Ajuda ainda mais se o perfume elogiado pelo respeitado crítico também se tornar vencedor de um prêmio que destaca criações artísticas no segmento independente e de nicho. Foi esse o sucesso que Eugene e Emrys Au, criadores da Auphorie, tiveram e que certamente ampliaram o público que os conhecia. A Curiosidade em cima de seu celebrado e premiado perfume Miyako foi assim criada. Me perguntei se ela seria pontual ou se refletiria na compacta linha como  um todo e assim embarquei em conhecer as criações da marca.

Eugene e Emrys parecem explorar com coerência estética a temática da perfumaria oriental. Não a que estamos acostumados, que explora a visão do ocidente por criações opulentas, carregadas em baunilha, ambar, especiarias e resinas. A impressão que a Auphorie me dá é a de explorar a estética da delicadeza olfativa, como se seus dons tentassem criar perfumes que funcionam como pinturas de pequeninos detalhes em porcelana branca.

Regal Secret se mostra para mim justamente com essa característica, o que a princípio me levou a um certo desapontamento, já que sem ter muita consciência do estilo da marca esperava um floral denso e sedutor. A sua realeza, entretanto, se dá de uma forma sussurrante, com um perfume confortável e delicado que dura com uma projeção minimalista na pele. Há uma certa transparência floral que parece ir numa direção aquática bem natural, como se tivéssemos pétalas úmidas de flores de aroma delicado. Elas são combinadas a um aroma cítrico sofisticado e sutil e se estendem na pele oscilando entre o que parece uma espécie delicada de jasmim, flores de néroli e lírios aquáticos. A base é predominantemente almiscarada e sutilmente doce, com leves tons de resinas e madeiras. Apesar do desapontamento inicial, parece uma composição interessante, um equilíbrio de delicadeza não muito simples de ser atingido sem dar ao perfume uma cara banal.

Miyako acaba se mostrando entre os dois o perfume mais intenso e marcante e é fácil entender como ele se tornou ilustre em tão pouco tempo. Há poucas criações que realmente exploram o absoluto de osmanthus em todas as suas cores. Primeiro pois o absoluto natural é caro e apesar de existir uma excelente base sintética para substituí-lo ela não é muito comum e fácil de ser achada. E em segundo lugar, conforme eu expliquei recentemente na avaliação de Woodíssime, Osmanthus não é uma flor fácil de ser trabalhada, dominando tranquilamente uma composição. Suas nuances exóticas não lhe dão uma cara comercial e de certa forma obrigam o perfumista a seguir as facetas que ela exibe. Miyako acerta justamente em não ir contra o osmanthus e sim torná-lo como seu pedestal de luxo e como símbolo importante dentro da cultura oriental.

É possível perceber todos os aspectos que tornam a flor tão fascinante e complicada ao mesmo tempo. Estão lá o seu lado mais oleoso, que remete a azeitona, o cheiro frutal e macio de pêssego, o aspecto floral de violetas, o aroma de couro que parece sugerir algo levemente animalico. Todos esses aspectos que podem ser vistos em Miyako pertencem primariamente ao Osmanthus e são ajustados pelas outras essências ao redor dele. Acho interessante um contraste que me remete a palha, feno e açúcar queimado e que parece sugerir bem na saída um tom exótico moderado de sempre viva formando um par inusitado com o osmanthus. Novamente o jasmim é usado de forma delicada, trazendo um aroma floral levemente frutado para a ideia. A intensidade exótica e luxuosa de Myiako é mais evidente na saída, com o perfume se tornando mais delicado conforme evolui na pele, finalizando com um cheiro de madeiras cremosas e um leve tom gourmand terroso de patchouli. Junto com Regal Secret, Miyako demonstra que Auphorie apesar de ser uma marca jovem tem uma direção artística bem clara a ser seguida e deixa na expectativa dos próximos passos a serem evidenciados em lançamentos futuros.

English:

When you are a new independent brand having the support of a household name like Luca Turin in your favor can be one of the best things to happen to you. It further helps if the scent praised by respected respected also become a winner of an award that highlights artistic creations in the independent and niche segment. It was this success that Eugene and Emrys Au, the Auphorie creators, had and it certainly broadened the audience that knew them. The Curiosity upon his celebrated and award-winning fragrance Miyako was thus created and I wondered if it would be punctual or be reflected in the compact line as a whole and so embarked on meeting the creations of the brand.

Eugene and Emrys seem to explore with aesthetic coherence the theme of oriental perfumes. Not what we are accustomed, which explores the Western vision opulent creations, loaded in vanilla, amber, spices and resins. The impression that Auphorie gives me is to explore the aesthetics of olfactory delicacy, as if their gifts would be to create perfumes that act as tiny details in white porcelain paintings.

Regal Secret shown to me precisely with this feature, which at first led me to some disappointment, since without much awareness of the brand style I expect a dense and seductive floral. Its kingship, however, is given in a whispery way with a comfortable and delicate scent that lasts with a minimal projection in the skin. There is a certain floral transparency that seems to go in a very natural aquatic direction, as if we had wet petals of delicate aroma of flowers. They are combined with a sophisticated and subtle citrus aroma and stretch in the skin ranging from what looks like a delicate kind of jasmine, neroli flowers and water lilies. The base is predominantly musky and subtly sweet, with light shades of resins and woods. Despite the initial disappointment, it seems an interesting composition of a delicate balance not too simple to be achieved without giving the scent a banal face.

Miyako turns out to be between the two the  most intense and striking scent and is easy to understand how it became renowned in so little time. There are few creations that really explore the osmanthus absolute in all its colors. First because the natural absolute is expensive and although there is an excellent synthetic base to replace it it is not very common and easy to be found. And secondly, as I recently explained in evaluating Woodíssime, Osmanthus is not an easy flower to be worked dominating quite easily a composition. Its exotic nuances do not give you a commercial edge and somehow force the perfumer to follow the facets that it displays. Miyako got right in not going against the osmanthus, but make it as the luxury pedestal and thus also showcasing an important symbol within the Eastern culture.


You can see all the aspects that make the flower so fascinating and complicated at the same time. There are its oilier side, which refers olive, the fruity and soft smell of peach, the floral sweeet aspect of violet and a leather scent that seems to suggest something slightly Animalic. All these aspects that can be seen in Miyako belong primarily to Osmanthus and are adjusted by other essences around it. I find it interesting a contrast that brings me to sa traw, hay and burnt sugar aroma and that seems to suggest just off a moderate exotic tone of imortelle forming an unusual pair with osmanthus. Again Jasmine is used delicately, bringing a slightly fruity floral aroma for the idea. The exotic and luxurious Myiako intensity is most evident in the output, with the scent becoming more delicate as the skin progresses, ending with a smell of creamy woods and a light earthy gourmand tone of patchouli. Along with Regal Secret, Miyako Auphorie shows that despite being a young brand it has a clear artistic direction to be followed and leaves anticipation of the next steps to be evidenced in future releases.