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30 de mai de 2016

Thierry Mugler Woodissime - Fragrance Review


Português (click here for english version): antes de começar meus testes olfativos e estudos com matérias-primas eu tinha uma visão não realista da flor de Osmanthus. Baseado no seu uso em composições como o Hermessence Osmanthe Yunnan ou  Parfum d'Empire Osmanthe Interdite, via o aroma dessa flor como algo mais frutal, delicado, com o aspecto de couro apenas sugerido na composição. A verdade é que o Osmanthus está bem longe disso.

O cheiro de pêssego e as nuances que remete a violeta e iris fazem parte de seu perfil olfativo no óleo essencial natural, porém o aroma de couro e um aspecto oleoso se mostram bem potentes e evidentes, mesmo quando o absoluto é usado em pequenas quantidades. Por isso, trabalhar com Osmanthus não é algo fácil, exigindo aromas tão intensos quanto ele. Acho bem inteligente a ideia explorada por Thierry Mugler de usá-lo como uma reviravolta em Woodissime, que procura explorar de forma didática as nuances de um perfume amadeirado.

Acho interessante a dinâmica que é construída em Woodíssime, que é o diferencial de seu aroma, já que uma criação amadeirada que explore cedro, sândalo, vetiver e agarwood não possui nada de novo (Comme des Garçons já chegou em territórios similares com sua criação Wonderwood). Woodissime se esforça em mexer nas proporções dos materiais amadeirados, de forma que o perfume não fique monolítico na pele e ainda mostre uma evolução de certa forma passando por saída, coração e fundo. Isso de fato torna seu cheiro didático e interessante e tentar identificar o Osmanthus entre as nuances do aroma é um desafio extra também.

Apesar de não listado entre as notas oficiais, eu percebo em Woodíssime algo incensado, conífero, doce e balsâmico que me remete a um primeiro momento ao cheiro de bálsamo de pinheiro. Nessa primeira fase já é possível perceber algo  meio oleoso e a sugestão de um aroma de couro, ambos certamente presentes devido ao aroma do Osmanthus. Num segundo momento, Woodíssime revela o que eu esperava, um aroma ambarado e de cedro, algo bem seco e pontiagudo, típico de materiais que ajudam a dar uma alta fixação e um perfume ambarado mais moderno a composição. O sândalo e o vetiver acabam se escondendo nesses materiais, com um contribuindo para um aspecto amadeirado mais gramíneo e o outro acrescentando uma madeira powdery e lactônica a composição. O Oud é talvez o mais moderado da composição, se misturando ao cheiro de cedro e ambar. E por fim, quando penso que Woodíssime terminou de evoluir é que percebo uma base almiscarada e com nuances de baunilha, algo cremoso, levemente adocicado e que curiosamente torna evidente novamente o cheiro do osmanthus, trazendo a tona um leve quê de pêssego que passa batido na saída.

O Objetivo de Mugler era explorar e homenagear os aromas amadeirados, tão amados e presentes na perfumaria contemporânea, e a execução consegue isso de forma luxuosa e bem estruturada. A adição do Osmanthus é equilibrada e não deixa que ele sequestre o foco principal da composição. É para mim um dos melhores integrantes da nova linha de Thierry Mugler, um que capricha no que se propõe a fazer.

English:

Before starting my olfactory tests and studies with raw materials I had an unrealistic view of Osmanthus flower. Based on its use in compositions such as Hermessence Osmanthe Yunnan or Parfum d'Empire Osmanthe Interdite i saw the scent of this flower as something more fruity, delicate, with just suggested leathery in the composition. The truth is that the Osmanthus is far from it.

The peach smell and the nuances that refers to violet and iris are part of its olfactory profile in natural essential oil, but the aroma of leather and an oily aspect clearly show itself very powerful and evident even when the absolute is used in small quantities. So, working with Osmanthus is not easy, requiring  aromas as intense as it. I think it's a pretty clever idea explored by Thierry Mugler to use it as a turning point in Woodissime, which explores didactically the nuances of a woodsy scent.

I find interesting the dynamic that is built in Woodíssime, which is the cornerstone of its aroma, as a woody creation that explore cedar, sandalwood, vetiver and agarwood does not have anything new (Comme des Garcons has arrived in similar territory with its creation Wonderwood ). Woodissime strives to stir in the proportions of woody material so that the perfume doesn't behave monolithically in the skin and even show a change of a way through opening, heart and basenote. This actually makes it an educational and interesting exercise to smell and trying to identify the Osmanthus between the nuances is an extra challenge as well.

Although not listed in the official notes, I notice in Woodíssime something incensed, coniferous, sweet and balsamic which reminds me at first  the smell of fir balsam. In this first phase it is already possible to see something through oily that suggest an aroma of leather, both nuances certainly present due to the Osmanthus aroma. Secondly, Woodíssime reveals what I expected, an amber and cedary aroma, something very dry and sharp, typical of materials that help give a high lasting and a more modern amber fragrance conotation to a composition. The sandalwood and vetiver end up hiding in these materials, with the later contributing to a grassy woody aspect and the former  adding a powdery wood and lactonic  aspect. The Oud is perhaps the most moderate of the composition, mixing with the smell of cedar and amber. And finally, when I think Woodíssime finished evolving is that I can see a musky base and vanilla nuances, something creamy, slightly sweet and that curiously put in evidence again the smell of osmanthus, bringing a slight  peach touch passing beaten in the opening.

The Mugler's goal was to explore and honor the woody aromas, so loved and present in contemporary perfumery, and its execution achieves it in a luxurious and well-structured way. The addition of Osmanthus is balanced and does not let it abduct the main focus of the composition. It is for me one of the best members of the new line of Thierry Mugler, who fancies what it claims to do.