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17 de mai de 2016

Olympic Orchids Café V - Fragrance Review


Português (scroll down for english version):  há uma parte da perfumaria independente que pode ser vista como um local de encontro de compositores mais ousados, pessoas que não se importam de gerar reações intensas de amor e ódio com suas composições, mesmo que isso signifique talvez um público menor para suas criações. Vejo Ellen Covey como membro proeminente desse grupo, capaz de criar mesmo com um tema familiar como o de Café V algo que exige um posicionamento em relação ao seu cheiro e uma vontade de desbravar os aspectos mais difíceis da composição.

A visão que Ellen tem de um ambiente de uma cafeteria é de fato complexa, um pouco difícil de ser digerida a princípio caso você não esteja familiar com o aroma mais clássico de couro. As facetas de couro e madeiras crepitando se misturam para criar algo defumado e quase medicinal, que se confunde com o aroma torrado e seco do cheiro de café. Há uma boa dose de cardamomo contribuindo com um toque spicy levemente cítrico que ajuda um pouco a suavizar o aspecto mais denso dos primeiros momentos. E conforme o cheiro de couro e das madeiras suaviza um lado mais adocicado e adulto surge para completar o cenário com uma mistura de baunilha e o que me parece o aroma de resinas adocicadas. É possível ainda perceber como uma espécie de fio condutor um aroma amadeirado e seco, conífero, que remete ao ambiente de uma selva de abetos.

Café V é bem interessante, enigmático, denso em suas diversas facetas, como muito das criações de Ellen são. É essa densidão e mistura de elementos aconchegante e as vezes desconcertantes que torna seus perfumes criações que valem a pena serem decifradas e desbravadas apesar de um possível estranhamento inicial.

English: 
There is a part of the independent perfumery that can be seen as a meeting place of the most daring composers, people who do not care to generate intense reactions of love and hate with their compositions, even if it means maybe reaching a smaller audience for their creations. I see Ellen Covey as a prominent member of this group, able to create even in a familiar theme as one in Café V something that requires positioning in relation to its smell and a willingness to brave the most difficult aspects of the composition.

The vision that Ellen has an atmosphere of a coffee shop is a complex in fact, a little hard to digest at first if you are not familiar with the more classic scent of leather. Leather facets and crackling wood blend together to create something smoked, almost medicinal, which coincides with the crisp, dry aroma of coffee smell. There is a good dose of cardamom contributing a slightly spicy citrus touch that helps a little to soften the densest aspect of the first moments. And as the smell of leather and wood softens a more mellow and adult side emerges to complete the picture with a mixture of vanilla and what seems to me the aroma of sweetened resins. You can still see as a kind of leitmotif a woody aroma and dry, coniferous, which refers to the environment of a spruce forest.

Café V is very interesting, puzzling, dense in its various facets, as are much of Ellen creations. It IS this thickness and mixture of cozy and sometimes baffling that makes her  perfume creations  worth being deciphered and explored despite a possible initial strangeness.