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9 de mai de 2016

Naomi Goodsir Iris Cendre - Fragrance Review


Português (scroll down for the english version): Há sempre um perigo quando se ambiciona algo grandioso, o de não corresponder as expectativas e objetivos almejados. Um bom conceito não garante uma boa execução do mesmo e, assim, o resultado final pode deixar a desejar. A marca de Chapéus Naomi Goodsir enfrenta justamente esse problema em seu terceiro perfume, Iris Cendré, que já carrega expectativas criadas com relação a marca e seus dois primeiros perfumes, que exploram de forma elegante temas clássicos da perfumaria.

Iris Cendré pretende ser uma Iris excepcional como pode ser percebido em uma de suas propagandas. É uma iris que deseja ser conceitual e ir além do universo powdery aconchegante que tem sido explorado. O problema é que ao mirar um conceito excepcional e mais conceitual Iris Cendré falha na execução do que se propõe. O que é uma pena, visto que percebe-se claramente que há bons materiais, sejam naturais ou sintéticos, fazendo o papel da iris.

O perfume abre com uma explosão de diferentes facetas de iris - é possível perceber o aroma mais powdery, adocicado e que remete a violeta das iononas, uma iris mais metálica que se consegue com alguns sintéticos e uma íris mais natural, vegetal e terrosa, algo que parece indicar a presença do absoluto em si. O problema é que não há equilíbrio entre as facetas, elas tentam aparecer ao mesmo tempo, quase que gritando. Junto a elas há um aroma que fica entre o couro e o tabaco e que também parece não se integrar ao resto. E depois dessa explosão mais exótica e quase conceitual, Iris Cendré se torna um perfume mediano de ambar e musks, que perdura de forma bem rente a pele. É um contraste tão grande entre fases que dá a impressão de uma composição mal elaborada.

A impressão que eu tenho no final é que Iris Cendre desejava ser o que o Iris Silver Mist de Serge Lutens é, uma iris que se destaca de todas as outras. Porém enquanto em Iris Silver Mist Maurice Roucel domina todos os aspectos da iris e cria algo tanto assustador como encantador, Iris Cendre não sabe controlar as facetas de iris e não soa nem encantador nem assustador. No fim, soa desinteressante.

English:

There is always a danger when you aspires to something great, to not match the expectations and desired goals. A good concept does not guarantee a good performance of itself and thus the end result may fall short. The Millinery brand Naomi Goodsir just experience this problem in their third perfume, Iris Cendré, which already carries expectations created regarding the brand and its first two perfumes, which explore elegantly classic themes of perfumery.

Iris Cendré aims to be an exceptional Iris as can be seen in one of its advertisements. It is an iris that wants to be conceptual and go beyond the warm powdery universe of iris that it is usually explored. The problem is that by targeting an exceptional concept and more conceptual one Iris Cendré failure in the implementation of what is proposed. Which is a shame, since you clearly notice that there are good materials, whether natural or synthetic, playing the role of the iris.

The perfume opens with an explosion of different iris facets - it is possible to perceive  more powdery, sweet and violet-like aroma of ionones, a more metallic iris that is achieved with some synthetics and a more natural, vegetal and earthy iris, something which would indicate the presence of the absolute itself. The problem is that there is no balance between the facets, they try to appear at the same time, almost screaming. Next to them is a scent that is between the leather and tobacco and also does not seem to integrate the rest. And after this most exotic and almost conceptual explosion, Iris Cendré becomes a median scent of amber and musks, which lasts very close to the skin. It is such a contrast between phases that gives the impression of a poorly written composition.

The conclusion I have at the end is that Iris Cendre wanted to be what the Serge Lutens Iris Silver Mist Serge is: an iris that stands out from all others. But while in Iris Silver Mist Maurice Roucel dominates all aspects of iris and creates something much scary as charming, Iris Cendre not control the iris facets and sounds neither charming nor scary. In the end, it sounds uninteresting.