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12 de mai de 2016

Guerlain Ambre Éternel - Fragrance Review


Português (scroll down for english version): confesso que como apaixonado pelos perfumes da Guerlain tenho sentido pouco entusiasmo pela marca nos últimos anos. Creio que com o propósito de popularizar a marca e atingir novos públicos a marca deixou de investir em composições que tragam a riqueza e o aspecto clássico que a tornaram inesquecível. E quando isso é feito é apenas de forma elitista, para um público muito pequeno e a preços exorbitantes. Por isso me peguei surpreso ao encontrar em Ambre Éternel algo que não custa um rim e que ao mesmo tempo não é banal.

Ambre Éternel começa a formar junto com Santal Royal uma segunda linha de criações voltadas ao público árabe, mas é curioso que ambos sejam bem diferentes na forma como lidam com a questão.Enquanto Santal Royal vai por um caminho intenso de materiais sintéticos que representam o oud, Ambre Éternel parece favorecer a riqueza nos detalhes, o aconchego, a tonalidade powdery gourmand da Guerlain sob o ponto de vista de um ambar moderno, intenso sem ser sufocante.

Éternel abre com uma boa dose de iris e o coentro, que com seu alto teor de linalol acaba fazendo o papel de lavanda e dando um aspecto aromático ao lado powdery da iris. É interessante como o acorde de pêssego é usado junto para reforçar esse aspecto clássico, dando uma doçura que remete distantemente ao Mitsouko. Em pouco tempo o lado mais oriental começa a prevalecer e percebe-se também o aroma macio, brilhante, sedoso e quente do sintético ambroxan fazendo o papel de ambergris aqui. Ele é apoiado em um estilo de couro camurça e em uma mistura de patchouli, baunilha e benjoim, algo que dá um aroma quente, doce e sofisticado a aura do perfume.

Ambre Éternel consegue trazer aspectos encontrados na assinatura olfativa clássica da Guerlain ao mesmo tempo que soa como a interpretação Guerlain do estilo árabe de perfumaria que tem sido muito explorado. É algo que a marca tinha tentado fazer previamente e que acertou em cheio aqui. Seria muito bom se essa lógica de construção e exploração olfativa fosse uma parte recorrente do que a marca lança, pois é uma prova de que é possível unir o passado e o presente sem excluir os fãs com menor poder aquisitivo.

English:

I confess that as a Guerlain perfume passionate I have felt little enthusiasm for the brand in recent years. I believe that in order to popularize the brand and reach new audiences the brand stopped investing in compositions that bring the wealth and classic aura that made them unforgettable. And when this is done it's just in an elitist way for a very small audience and at exorbitant prices. So I found myself surprised to find Ambre Éternel something that does not cost a kidney and at the same time is not trivial.

Ambre Éternel begins to form along with Royal Santal a second line of creations aimed at Arab audiences, but it is curious that both are very different in how they deal with the issue. While Santal Royal went through an intense way of synthetic materials that represent oud , Ambre Éternel seems to favor the richness in detail, the warmth, the powdery gourmand Guerlain tonality from the point of view of a modern amber, intense without being suffocating.

Éternel opens with a good dose of iris and coriander, which with its high linalool content ends playing the role of lavender and giving an aromatic aspect to the powdery side of the iris. It is interesting how the peach chord is used together to enhance this classic look, giving a sweetness that distantly refers to Mitsouko. Soon the oriental side begins to prevail and you realize it is soft, shiny, silky and warm aroma of ambroxan synthetic playing the role of ambergris here. It is supported in a suede-style leather and a mix of patchouli, vanilla and benzoin, which gives a warm, sweet and sophisticated aura to the perfume.


Ambre Éternel can bring features found in classical olfactory Guerlain signature while it sounds like Guerlain interpretation of the Arabic style of perfumery that has been widely explored. It is something that the brand had previously been trying to do and nailed it here. It would be nice if this building logic and olfactory exploration was a recurring part of the brand launches, it is a proof that it is possible to unite the past and the present without excluding fans with lower purchasing power.