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4 de mai de 2016

Cartier Oud Radieux - Fragrance Review


Português (scroll down for english version): por mais que eu seja um fã assumido tanto da Cartier como do trabalho de sua perfumista, Mathilde Laurent, a linha Les Heures Voyageuses simplesmente não me convence com relação ao seu posicionamento e seus conceitos. Por mais que as apresentações sejam lindas e os perfumes vendidos com concentrações de extrato, as interpretações do agarwood nos 3 primeiros integrantes não foge do que é encontrado em outros concorrentes de preços mais acessíveis. E em Oud Radieux, o novo integrante, a perfumista e a marca parecem errar o alvo ao tentar uma abordagem diferenciada.

Talvez isso poderia passar uma impressão de que não vejo seu aroma com bons olhos, o que não é verdade. Oud Radieux entrega o frescor inesperado prometido dentro do conceito com o uso de um excelente aroma de gengibre. Tenho a impressão de que foi usado o óleo essencial de fato, já que a faceta mais cítrica do gengibre se mostra bem clara junto com as nuances que remetem a erva cidreira e ao aroma terroso da raiz. É uma sensação complexa e bem equilibrada, de fato um frescor interessante e nem um pouco artificial. Esse é complementado pela pimenta sichuan, que confere um lado levemente incensado e salgado.

O problema porém reside na parte do Oud prometido. A essa altura do campeonato é fácil perceber que muito se não quase tudo do que tem saído como agarwood no mercado não é fruto da escassa e cara madeira em si, mas sim de bases sintéticas especiais que emulam o aroma. Ainda sim, ao fugir dos esteriótipos desses acordes, a marca lança em Oud Radieux algo que não se parece com Oud de nenhuma forma - real ou artificial. Estamos diante é de um bom acorde de ambar, patchouli, mirra, sândalo e resinas, coisas que você não vê mais listadas pela marca devido ao costume irritante da marca de divulgar quase nada da composição de seus perfumes. Ainda sim, há aromas que são muito singulares para passarem despercebidos mesmo quando não listados e uma base adocicada, amadeirada e resinosa dos elementos citados é um desses casos.

Considerando a faixa de preço e posicionamento, é um grande erro para mim que Oud Radieux não entregue nada que se pareça com Oud. Uma coisa é um acorde de oud diferenciado, trabalhado para fugir do senso comum de todos os outros lançamentos. Outra é um que de tão diferenciado que é poderia passar sem a palavra Oud e ninguém perceberia. Pelo aroma em si, estamos diante de um bom e duradouro oriental spicy, mas preço, conceito e posicionamento elevam expectativas para níveis que não são atendidos.

English: as much as I am an assumed fan of both the Cartier and the work of its perfumer Mathilde Laurent, the line Les Heures Voyageuses simply does not convince me with regard to its positioning and its concepts. As the presentations are beautiful and perfumes sold with extract concentrations, agarwood interpretations in the first 3 members does not shy away from what is found in other more affordable competitors. And in Oud Radieux, the new member, the perfumer and the brand seem to miss the mark when trying a different approach.

Perhaps this could give an impression that I do not see its aroma with good eyes, which is not true. Oud Radieux shown the unexpected freshness promised within the concept with the use of an excellent ginger accord. I have the impression that was used is the essential oil of fact, since the more citrusy facet of ginger shown clear along with the nuances that refer to lemongrass and the earthy aroma of the root. It is a complex and well balanced feel, indeed an interesting freshness and not a artificial at all. This is complemented by pepper sichuan, which gives a slightly incensed and salty side.

The problem however resides in the part of the promised Oud. At this stage of the game is easy to see that much if not almost all of which has gone as agarwood market is not the result of scarce and expensive wood itself, but special synthetic bases that emulate the aroma. Still, to escape the stereotypes of these accords, the brand launches in Oud Radieux something that does not look like Oud in any way - artificial or real. What we are experiencing is a good amber, patchouli, myrrh, sandalwood and resins accord, things you do not see more listed by brand due to the annoying habit of the brand to disclose almost nothing of the composition of their perfumes. Still, there are scents that are too unique to pass unnoticed even when not listed and a sweet, woody and resinous base of the above elements is one of those cases.


Considering the price range and positioning, it is a big mistake for me that Oud Radieux do not deliver anything that looks like Oud. One thing is a different oud accord, worked to escape the common sense of all other releases. Another is one that it is so different that it could pass without the Oud word and no one would notice. Considering scent itself, we get a good and lasting spicy oriental, but price, concept and positioning raise expectations to levels that are not met.