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7 de abr de 2016

Serge Lutens La Vierge de Fer - Fragrance Review



Português (scroll down for english version): certamente algo me intriga com relação a perfumaria atual que Serge Lutens tem proposto. O que teria levado a uma mudança tão radical em estilo? Seria uma mudança ou ampliação do público que consome a perfumaria que hoje se conhece como de nicho (e que cada vez mais tem menos apelo de nicho)? Ou teria Lutens ao longo do tempo sofrido uma transformação nas suas predileções por temáticas complexas, densas e desafiadoras, passando então agora a favorecer uma abordagem mais amigável e as vezes até minimalista nos aromas? Ou ainda, seria isso influência tanto de uma participação cada vez maior da Shiseido na administração da marca aliado as restrições no uso de sintéticos ou naturais?

Eu não sei dizer se há uma única resposta correta para as perguntas acima ou ainda se há uma mistura de fatores, porém o fato é que percebo que desde 2011 Lutens com De Profundis parece de certa forma ter anunciado a morte de seu estilo clássico e o nascimento de um novo. Nesse novo estilo, ganhamos conceitos cada vez mais complexos e enigmáticos, mas que não casam com os perfumes propostos. É preciso um exercício muito grande de convencimento pessoal para encaixar os conceitos crípticos, religiosos e misteriosos nos florais agradáveis, simples e comerciais que a marca tem lançado.

Apesar de todo o aparato medieval, austeridade e dureza propostas, La Vierge de Fer passa bem longe de uma visão complicada, tortuosa ou sádica das flores brancas. Pelo contrário, o que é criado aqui procura trazer uma visão casta e luminosa ao Lírio, despindo-o de seu aroma narcótico, intenso e animálico. É como se estivéssemos presenciando a aura purificada do Lírio, um floral branco com nuances frutadas verdes e algo que remete de forma distante ao aroma floral da gardênia. De forma similar ao que foi feito em La Religieuse, a temática sacra aqui se traduz em uma sugestão de incenso preenchida por um aroma de musk bem macio e nuances de madeiras e patchouli.

O fato é que cada vez mais eu percebo que o consumidor atual não compra conceitos, histórias ou até mesmo coesão de marca. Por isso, por mais que La Vierge de Fer não soe como Lutens costumava soar é um perfume que provavelmente se mostra fácil de vender pela facilidade de seu aroma. Porém é bom alertar que é uma facilidade perigosa, pois flerta em alguns momentos com o aroma funcional de um shampoo.  Falta o toque provocador e desafiador que os perfumes de Serge  Lutens costumavam ter no passado e que as destacavam do resto.

English:
Certainly something intrigues me about the current fragrances that Serge Lutens has beeing proposing. What would have led to such a radical change in style? It would be a change or expansion of the public that consumes the perfumery  now known as niche (and that increasingly have less of a niche appeal)? Or would Lutens over time undergone a transformation in his predilections for complex issues, dense and challenging, then passed now to favor a more friendly and sometimes even minimalist approach? Or, would this be influence of both increasing participation of the Shiseido brand in the administration allied to restrictions on the use of synthetics and naturals?

I can not tell if there is a single correct answer to the above questions or if there is a mix of factors, but the fact is that I realize that since 2011 Lutens with De Profundis seems somehow to have announced the death of its classic style and birth of a new one. In this new style, we gain concepts increasingly complex and enigmatic, but that do not match the proposed perfumes. A very large exercise of personal conviction is needed to fit the cryptic, religious and mysterious concepts in nice, simple, mainstream florals that the brand has been releasing.

Despite all the medieval apparatus, austerity and hardness proposals, La Vierge de Fer passes far from a complicated, tortuous or sadistic view of white flowers. On the contrary, what is created here seeks to bring a chaste and luminous vision to Lily, stripped of  its narcotic, intense and animalic aroma. It is as if we were witnessing the purified Lily aura, a white floral with green fruity nuances and something that refers distantly to the floral scent of gardenia. Similarly to what was done in La Religieuse, the sacred theme here translates into an incense suggestion met by a very soft musk aroma and nuances of wood and patchouli.

The fact is that more and more I realize that the current consumer does not buy concepts, stories or even brand cohesion. So, as much as La Vierge de Fer does not sound like Lutens used to smell is a perfume that probably shows easy to sell due the ease of its aroma. But it is good to warn that it is a dangerous facility because at times flirts with the functional aroma of a shampoo. It misses the provocative and challenging touch the Serge Lutens fragrances used to have in the past and that made them stood out.

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