Pesquisar este blog

3 de abr de 2016

Reflexões - I, Processo de Criação



Desde o processo de reativação do blog no ano passado a ideia de criar um novo espaço voltado a reflexões surgiu na minha cabeça. Eu senti certo receio em cria-lo, visto que uma reflexão não é algo exatamente analítico e pontual como uma avaliação. Por mais que haja uma forma poética e as vezes lúdica de escrever sobre um perfume, a base é sempre algo palpável, que o leitor pode experimentar e tirar suas próprias conclusões, confirmando ou refutando as impressões que tive eu no momento em que escrevi. Para mim, porém, uma reflexão é algo quase abstrato, filosófico, uma ideia que passa pela cabeça em um determinado momento. Hoje ela pode ter um sentido, amanhã já ter outras conotações. Mas cheguei a conclusão que formalizá-las em um texto e compartilhar poderia ser interessante.

E essa reflexão surgiu justamente relacionado ao processo de mutação que uma ideia sofre, algo que tenho percebido muito na minha incursão no processo de criação de um perfume. Nesse momento, minha jornada já possui algumas aulas no excelente curso da Perfumaria Paralela, alguns livros que tenho lido aos poucos, uma centena de materiais e vários rascunhos de ideias em paralelo. O processo de aprendizagem e criação de um perfume é algo que me parece simultaneamente sublime e assustador, simples e complexo, abstrato e prático. E é um processo de mutação e perseguição de ideias.

Nesse processo de caça às ideias, a criatividade é uma especie de Alice que, entediada, vislumbra o coelho e decide ir atras dele. Ou então como se a mente recebesse a dádiva de entrar rapidamente no mundo das ideias de Platão. E ao fazer isso, deparar-se com uma forma que lhe agrada antes que essa suma completamente.

O complicado, porém, é que vislumbrar as ideias em formas de possibilidade não garante que seremos capazes de transformar em aromas o que se enxerga perfeitamente nesse mundo de ideias. É como entrar numa caçada limitado pelas ferramentas e conhecimentos que se tem em mãos. As vezes você é capaz de capturar por alguns momentos aquele aroma ou perfume que imagina, porém ele escorre pelas suas mãos na hora que você escolhe determinados sintéticos ou óleos essenciais para dar vida a ele. É como se o projeto levantasse vôo por alguns momentos e voasse desengonçado ou até mesmo planasse rapidamente, se desfazendo no solo o que tinha sido iniciado com graça e leveza.

Pode parecer que eu me sinta desanimado com essa certa dificuldade e complexidade que é o processo de criação de um perfume. Mas eu me vejo talvez como a Alice, levado pela jornada e pela curiosidade, disposto a pagar para ver pelas escolhas que tomo nas coisas que vislumbro e a tentar corrigi-las depois caso não dê certo. É um processo de muito trabalho, retrabalho, nascimento e renascimento, mas que se torna gratificante quando você sente que está cada vez mais perto de capturar o que um dia pareceu perfeito na imaginação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com relação a postagem? Escreva aqui
Comments related to the post? Write them here