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4 de abr de 2016

Natura Homem Especiarias - Avaliação


Ultimamente a perfumaria feminina da Natura tem me parecido sofrer para encontrar um caminho a seguir e dar uma cara sofisticada a marca, algo que lhe ajude a reconquistar a liderança e a atravessar a crise - lançamentos bem pensados como a linha Esta Flor convivem com projetos que parecem mais um rascunho do que a versão final - caso dos dois perfumes da linha Amó. A surpresa, porém, é na perfumaria masculina, onde a marca parece ter encontrado um caminho a seguir e tem experimentado com ele lançamento após lançamento. E há bastante consistência nesse processo.

A empresa começou a desenvolver ano passado uma nova assinatura amadeirada e mineral com o lançamento da edição especial Essencial Estilo, que remetia a uma versão nacional do excelente Encre Noire. Depois, a marca partiu para uma variação menos dark da ideia ao lançar Homem madeiras, explorando a abstração amadeirada mineral mais na direção do vetiver e menos do sândalo. Ainda no final do ano a empresa lançou um terceiro integrante nesse caminho olfativo, Ekos Copaíba, que acrescentou ao aroma o cheiro de madeira seca e incensada do cedro e produziu para mim uma versão mais comercial do perfume de nicho CDG Wonderwood. E agora Homem Especiarias continua essa jornada dando um aspecto mais luminoso e cítrico ao que seus predecessores trabalharam.

O nome em partes foi mal escolhido, visto que não estamos diante de um perfume que explora nem o aroma mais quente de um cravo, canela ou aroma frio e picante das pimentas. Ainda que elas sejam destacadas no marketing da criação, não seriam percebidas facilmente e entram mais para arredondar o aroma. Se há especiarias em destaque, eu ficaria com cardamomo e suas nuances cítricas e o cheiro da noz-moscada usada em doses pequenas. Assim, Homem Especiarias não é o perfume especiado que se esperaria que fosse.

O tema central da composição para mim é o vetiver, dessa vez um acorde de vetiver que explora mais o aroma adocicado em contraste com um cheiro de grama seca e cortada. É como se a marca tivesse utilizado em quantidades moderadas uma extração mais nobre e livre de impurezas do óleo essencial, garantido um perfil mais limpo e linear, que ela pudesse vestir com toques de especiarias, cítricos e aromas amadeirados minerais e abstratos na base.

Em sua essência não estamos muito longe do que foi feito no Natura Homem Madeiras, mas a variação ainda que não surpreenda agrada e dura bem. Poderia se chamar talvez Natura Homem Madeiras II ou até mesmo Natura Homem Vetiver, nomes que fariam maior justiça ao perfume. Eu diria que há um senão em tudo isso: por mais que Natura Homem Especiarias se mostre bem feito, agradável e de boa performance, ele também me mostra que a marca deve desenvolver mais ainda a sua assinatura olfativa em novas direções. Há um perigo de ir pelo caminho fácil e lançar o mesmo perfume em frascos diferentes daqui para frente. Espero que não seja esse o caso da marca.