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24 de abr de 2016

Mahogany Keen - Avaliação


Uma coisa me chamou a atenção para reflexão ao longo dos meus anos de colecionador e avaliador amador de perfumes quando se trata do tema originalidade da perfumaria. Um perfume que se mantém original muitas vezes ou é um perfume fraco em vendas ou de um aspecto excêntrico tão grande que seu público é limitado e o processo de criar variações ao redor dele é muito complicado para valer o investimento. Fora isso, de maneira mais literal ou não, uma ideia que mostre ser bem sucedida será copiada e transformada ao longo do tempo e é quase como se o público esperasse que isso acontecesse. E além disso, é possível se inspirar ou copiar uma ideia e levá-la além do que a inspiração originalmente pretendia.

A Mahogany muito se inspira em criações internacionais e de sucesso para criar sua linha, mas acho interessante que a marca faça em vários deles justamente esse processo de ir além da ideia original. Em Keen eu vejo isso por uma espécie de mixagem de dois perfumes diferentes, unidos pela temática gourmand vanílla. A princípio, seu cheiro me pareceu bem juvenil com seu aroma com sugestões de flores e frutas mergulhadas em baunilha, chocolate e açúcar, uma ideia que Keen trás diretamente do sucesso Fantasy da Britney Spears. Na saída há algo levemente cítrico e silvestre e que me remete em particular a morangos frescos. Percebo também por uns breves momentos um aroma floral verde e leve, algo que remete a lírios ou frésias talvez. Mas isso rapidamente mergulha na parte principal da composição, o cheiro de baunilha cremosa e doce e com aromas modificadores que lhe dão um cheiro de chocolate branco.

Keen não é um perfume tão simples como eu presumia ao pensar em sua temática juvenil e percebo isso pois em alguns momentos cheiros florais emergem entre o aroma de baunilha e chocolate branco, sugerindo aromas de flores de orquídea. Quando esses desaparecem, o perfume começa a tomar uma segunda cara gourmand, algo mais adulto e com uma temática entre o almiscarado e o oriental. Nessa fase, é como se Keen fosse na direção do Prada Candy ao misturar ao cheiro de baunilha açucarada e chocolate um acorde de sândalo, musk e benjoin, algo que sugere a textura de madeiras adocicadas, lactônicas, resinas e um leve quê de coco queimado. Essa combinação de inspirações não esperadas, complexidade na textura do aroma e equilíbrio entre o juvenil e o mais adulto que tornam Keen um produto mais interessante do que possa parecer a princípio. Soma-se a isso, é claro, o preço acessível e a ótima performance para um produto de sua concentração. Mais uma prova da Mahogany de que é possível se inspirar e fazer que fuja o trivial.