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9 de abr de 2016

Lubin Inédite - Fragrance Review


Português (scroll down for english version): me ocorreu enquanto eu refletia sobre como escrever a minha avaliação do Lubin Inédite que os perfumes são como pessoas no quesito da semelhança. As vezes nós temos pessoas que procuram imitar deliberadamente outra pessoa, seja no jeito de se vestir, penteado, forma de falar ou de gesticular. E há outras que mesmo sem essa intenção nos remetem a alguém, seja por algum traço em comum na fisionomia ou jeito de falar parecido ainda que diferente ou até mesmo gostos parecidos em determinadas áreas. Não é algo intencional, mas seres analíticos como somos captamos imediatamente esses sinais sutis. A mesma coisa acontece com perfumes e no caso de Lubin Inédite eu diria que estamos na segunda categoria.

O nome escolhido pela marca francesa acaba se tornando um pouco irônico nesse caso, já que de Inédito sua fragrância não tem nada. Ainda sim, a temática orientalista trabalhada de forma moderna e mais leve torna Inédite uma história bem agradável de se sentir. Em alguns pontos, há trechos do aroma que remetem ao clássico Feminite du Bois, perfume da Shiseido que ganhou destaque nos anos 90 por ser um dos primeiros a conceitualmente a oferecer um perfume amadeirado feminino, graças a sua dose massiva do sintético Iso E Super, que cria um aroma amadeirado leve e abstrato. Inédite segue caminhos parecidos, creio que não de forma intencional, mas se garante com uma personalidade própria.

Sua abertura começa com uma boa dose de pimenta e especiarias para já colocar quem usa ciente da temática orientalista que irá se desenvolver. O aroma especiado não é muito seco nem intenso, parece bem calibrado e se mistura com um acorde frutado maduro e levemente doce. Nesse ponto percebo que a canela, algo que me remete ameixa e já o aroma amadeirado abstrato da base é que me remete em Inédite a Feminite du Bois, porém trabalhado com outras ideias, menos doce, mais apimentado e um pouco mais floral também. E na base, Inédite revela um aroma mais macio, menos amadeirado, com uma boa dose de musks aconchegantes, baunilha adocicada e uma pitada de patchouli.

Talvez justamente pela lembrança de um perfume que me é querido é que tenho apreço imediato por Inédite. Depois de 10 anos me dedicando a cultura do perfume e aprender mais sobre esse assunto eu não tenho mais interesse exclusivamente por histórias novas. Eu quero são histórias que mesmo que familiares se mostrem bem contadas e interessantes. E é o caso de Inédite.

English:

It occurred to me as I reflected on how to write my review of Lubin inédite that perfumes are like people in the question of the similarity. Sometimes we have people who deliberately seek to imitate someone else, either in the way of dress, hairstyle, fashion speaking or gesturing. And there are others that even without this intention refer us to someone, either a common trait in the physiognomy or way of talking similar yet different or even tastes alike in certain areas. It's not something intentional, but analytical beings are like us once catch these subtle signs. The same thing happens with perfumes and in the case of Lubin Inédite I'd say we're in the second category.

The name chosen by the French brand has just become a little ironic in this case because of its fragrance has nothing unheard. Still, the Orientalist theme crafted of modern and lighter form makes inédite a very nice story. In some spots, there are parts of the aroma that refer to the classic Feminité du Bois, a Shiseido fragrance who rose to prominence in the 90s for being one of the first to conceptually offer a feminine woody scent thanks to its massive dose of the synthetic Iso E Super, which creates a light and abstract woodsy aroma. Inédite follows similar paths, I think not intentionally, but with its own personality.

Its opening starts with a good dose of pepper and spices to already put the wearer aware of the Orientalist theme that will develop. The spicy aroma is not too dry or heavy, seems well calibrated and mixed with a ripe and slightly sweet fruit accord. At this point I notice that cinnamon, something that brings me plum and the already noticeable abstract woody aroma  is what makes me link  Inédite to Feminité du Bois, but working with other ideas, less sweet, more spicy and slightly floral too. And at the base, Inédite reveals a softer aroma, less woody, with a good dose of warm musks, sweet vanilla and a hint of patchouli.

Perhaps precisely because of the memory of a perfume that is dear to me is that I have immediate appreciation for Inédite. After 10 years dedicating myself to perfume culture and learn more about this subject I have no more interest exclusively for new stories. I want stories that are even that familiar at first are well told and interesting. And this is the case of inédite.