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6 de abr de 2016

Anna Rivka Eveil - Fragrance Review



Português (scroll down for english version): há algo para mim em Anna Rivka que apesar de não me transmitir a sensação de singularidade me passa claramente a ideia de uma identidade bem definida e pessoal. Estamos diante de um perfume que busca voltar a era de ouro da perfumaria, onde as fragrâncias criadas são rebuscadas, complexas, feitas de pequenos detalhes e harmonias que só se atinge com uma boa porção de óleos essências naturais. Com Eveil Anna não procura capturar os anseios de um potencial consumidor, mas sim compartilhar sua visão do que significa um perfume para ela.

Adepta das estruturas clássicas, vejo que a joalheira pediu aos perfumistas Oliver Polge, Jacques Polge e Christopher Sheldrake  algo abstrato, macio, polvoroso até. E eles me parecem ter se inspirado e entregado a ela sua visão da sinfonia impressionista presente no clássico Guerlain L'Heure Bleue.

Eu percebo que Eveil emula a sensação polvorosa e amendoada presente no L'Heure Bleue, porém com uma saída que possue menos anis e em seu lugar usa toques discretamente fougeres que me remetem a gerânio. A iris é trabalhada de forma abstrata, nem muito atalcada nem terrosa ou muito vegetal. e ela complementa o cheiro amêndoado quase amargo da tonka e heliotropina. Baunilha, vetiver e uma base de musk bem macia surgem para arredondar a composição e terminar seu aroma de forma bem aconchegante.

Engarrafado em um belo frasco cúbico, pesado, de laterais arrendondadas e borrifador clássico, Eveil é o tipo de perfume onde o conjunto da obra me parece ter sido feito apenas pelo prazer e possibilidade de se fazer. É uma arte que busca a beleza sem compromisso com inovação ou mesmo com grandes retornos comerciais. E é uma prática quase esquecida na atualidade.


English:

There is something for me in Anna Rivka who despite not conveying to me the feeling of uniqueness clearly gives me the idea of ​​a well-defined and personal identity. We are facing a perfume that seeks to return to the golden age of perfume, where fragrances were created elaborate and complex, made of small details and harmonies that are only reached with a good portion natural oils. With Eveil Anna does not try to capture the desires of a potential consumer, but to share the vision of what means a perfume for her.

Adept of classical structures, I see the jeweler asked the perfumer Oliver Polge, Jacques Polge and Christopher Sheldrake something abstract, soft and powdery. And they seem to have inspired and handed her their vision of the Impressionist symphony in the classic Guerlain L'Heure Bleue.

I realize that Eveil emulates the powdery and almond feel present in L'Heure Bleue, but with an output that possesses less anisic nuances and instead uses slightly fougeres touches that remind me of geranium. The iris is crafted abstractly, not too powdery or earthy or very vegetal. and it complements the almond and almost bitter combination of tonka and heliotropin. Vanilla, vetiver and a very soft musk base come to round-up and finish the scent in a warm mood.


Bottled in a beautiful cubic heavy bottle, with rounded sides and classic spray, Eveil is the kind of scent where the object produced seems to have been made just for the pleasure and opportunity to do. It is an art that strives for beauty without commitment to innovation or even large commercial returns. It is a practice almost forgotten today.