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28 de mar de 2016

Evocative Perfumes Evelyn's Rose and Aquarelle - Avaliações




Eu vejo que a perfumaria da nosso presente momento é tanto uma benção como uma maldição. O lado da maldição se deve principalmente a tarefa cada vez mais difícil de testar e separar as criações interessantes e bem concebidas de um mar de cópias e perfumes inacabados ou concebidos as pressas. A benção, porém, se deve as distâncias mais curtas entre as diferentes criações ao redor do mundo, que te trás esperança e entusiasmo para lidar com a mesmice de muitos lançamentos. A existência de fretes acessíveis e redes sociais que unem pessoas com interesses em comum me permitiram entrar em contato com Mark Evans e assim ter a chance de conhecer o trabalho de um perfumista independente da Australia. E assim me vi mergulhando no mundo da Evocative Perfumes.

A escolha do nome, a apresentação e as temáticas me fazem pensar que Mark é fã de uma abordagem direta e elegante ao mesmo tempo. O foco são os perfumes, suas lembranças, a poesia que um simples aroma bem feito pode ter a partir do momento em que ele começa a exalar na pele e preenche nossas lembranças seja buscando associações na memória ou criando novas.

Eu sei que a simplicidade que Mark capturou tanto em Evelyn's Rose como em Aquarelle é difícil de ser executada é algo que você só passa a ter noção de fato quando se arrisca a estudar mais sobre o processo de composição de um perfume. É difícil criar um tema simples sem que ele pareça achatado demais na sua forma de evoluir ou inacabado. Isso se torna ainda mais difícil quando se trabalha com meios não alcoólicos, onde a evaporação dos químicos aromáticos acaba adquirindo uma dinâmica mais lenta em relação ao meio alcoólico. E por fim, criar composições delicadas como Evelyn's Rose ou Aquarelle e que não desapareçam na pele é realmente um triunfo técnico que só com experiência você consegue. (ou sorte de principiante, o que não é o caso aqui).

Evelyn's Rose me trás imediatamente a memória o cheiro da Rosa de Maio, um tipo de Rosa que muito me agrada mas ao mesmo tempo me parece difícil de ser trabalhada pois algumas nuances mais verdes e antisépticas da rosa dão um aroma dissonante a composição. Mark consegue criar um arquétipo de uma Rosa que me remete a rosa de maio sem essa parte dissonante (no caso, a rosa em questão é uma variedade que recebe seu nome em homenagem a tradicional companhia Crabtree & Evelyn). É possível perceber o aspecto verde, um pouco ardido e herbal e que remete a citronella, entretanto ele é suavizado por nuances de frutadas de pêssego. Elas conduzem a uma rosa aveludada, como se tivesse sido recém colhida ou como seu aroma fosse carregado pela brisa do vento. A delicadeza do aroma dessa rosa é preservado por uma base de musk que de certa forma possui também nuances de rosas e assim ajuda a perdurar a sensação do aroma.

Aquarelle é bem fiel ao seu nome e assim como Evelyn's Rose se mostra delicado em seu aroma. A impressão aquarelada que temos aqui é de um bouquet floral que em vez de mostrar o aspecto mais carnal e intenso das flores revela sua delicadeza e serenidade. Para mim, Aquerelle gira em torno de toques cítricos e cintilantes, um aroma levemente doce, verde e aromático de fréesias e muguets. Conforme o tempo passa, percebo o lado floral branco mencionado, entretanto trabalhado na direção cítrica, herbal e aldeídica das flores de tília. A sua base funciona de forma similar a utilizada em Evelyn's Rose, porém com um leve quê ambarado e sem as nuances de rosa. E seu aroma me faz pensar em férias, dias de tranquilidade, em momentos onde a gente aprecia a vida sem precisar fazer nada em específico.

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