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23 de fev de 2016

Olfactive Studio Still Life, Still Life in Rio, AutoPortrait e Selfie - Avaliações

A ideia que Céline Verleure teve ao fundar em 2011 a Olfactive Studio é simples, direta e me surpreende que não tenha sido executada antes.  Céline propõe a conexão de duas artes que a princípio podem não parecer ligadas entre si mas que possuem muito em comum, a fotografia e a perfumaria. Ambas capturam de forma poética e técnica o que o olhar do artista percebe, um flash de um momento em específico que assim acaba ganhando vida própria e significado.

O papel de Céline aqui acaba sendo o de uma espécie de diretora artística que faz a ponte entre os perfumistas e fotógrafos responsáveis por capturar as temáticas propostas, que em sua maioria giram ao redor de elementos do universo da fotografia. Vejo nos perfumes da Olfactive Studio uma direção mais comercial e refinada, talvez preocupada em comunicar de forma direta, reconhecível e acessível o que foi imaginado, permitindo, creio eu, que mesmo os com uma bagagem limitada de conhecimento em aromas possam apreciar as composições.  Uma assinatura olfativa acaba percorrendo boa parte da coleção, e se mostrando de diversas maneiras dentro de cada temática proposta:

Still Life: um dos primeiros integrantes da coleção, Still Life é um dos que deixa a temática retratada bem aberta e abstrata, saindo dos elementos do mundo da fotografia para a captura de um momento festivo e cintilante. Certamente é um dos perfumes mais agradáveis da linha, que em seu aroma captura as festividades com uma explosão cítrica e intensa que remete a cheiro de tangerinas e limões suculentos e doces. De fundo é possível perceber alusão ao aroma doce e de bebida do rum e elementos apimentados utilizados de forma mais discreta. Na base de still life a assinatura olfativa da marca se revela, algo aveludado, um pouco plástico e brilhante, numa combinação do que parece ser musks, iso e super e ambroxan. É algo abstrato e simples, agradável, porém menos intenso que a explosão de vida da saída.

Still Life in Rio: me mostrei cético quando soube recentemente do lançamento desse perfume, uma variação da temática de Still Life que trás a festa para o Rio de Janeiro. Os poucos perfumes inspirados no Brasil de forma geral me incomodam visto que não fogem da caricatura cítrica, fresca frutal e banal. Porém, dou o braço a torcer que Still Life in Rio por mais que não seja inovador na inspiração em nosso País é muito bem executado e tem um delicioso e complexo aroma de bebida. Em partes ele me remete a um dos nossos drinks famosos, a caipirinha, retomando o aroma de limão de still life e dando lhe um aroma alcoólico mais seco e cercado do frescor picante do gengibre e o tom herbal refrescante da menta. A parte mais interessante é que nessa festa temos mais de um drink e junto com a caipirinha percebo um aroma lactônico e doce que me remete em cheiro a pina collada - um coco com leite condensado, rum e toques de abacaxi, Still Life in Rio segura por um bom tempo esse clima de celebração, demorando mais para chegar na base aveludada e mais intimista.

AutoPortrait: mais relacionado ao mundo da fotografia que Still Life e Still Life in Rio, em AutoPortrait temos a representação olfativa do Auto Retrato, uma forma de fotografia que tenta capturar algo mais profundo e significativo ao mesmo tempo que vai em uma direção mais superficial. Talvez pela temática que reflete o individuo e suas próprias experiências e percepções temos em AutoPortrait um aroma menos definido, que utiliza de forma bem intensa as nuances de cedro, iso e super, ambroxan e materiais ambarados e amadeirados. De forma geral a composição me remete em estilo a cheiro aveludado e minimalista do clássico Cartier Declaration, revisitado para incluir toques verdes, de musgo e um leve quê de pimenta.

Selfie: uma espécie de autoretrato contemporâneo e mais hedonistico e visual, esperava de um perfume inspirado na Selfie algo mais genérico e de satisfação instantânea talvez, um aroma fresco e aquático como a cor do perfume parecia me sugerir. Para minha surpresa, Selfie é talvez o mais desafiador do primeiro quarteto de testes da marca. Ao não procurar a perfeição e ao brincar com a composição, em Selfie temos uma interessante combinação de incenso, resinas esfumaçadas e doce, um aroma mais seco e clássico de labdanum. A isso uma saída bem original e interessante passa uma sensação que remete tanto ao cheiro de ervas verdes recém esmagadas como ao aroma de um misterioso xarope doce e meio amargo ao mesmo tempo, algo com nuances de frutas silvestres e especiarias. Pela retratação do momento caótico e veloz que vivemos Selfie demonstra rapidamente todas as suas nuances, resultando em uma cacofonia exótica de elementos criativos e modernos.

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