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6 de fev de 2016

House of Matriarch Black No 1, Devotion, Forbidden - Avaliações


Talvez seja fácil assumir como certo que construir um perfume harmônico seja menos complicado do que criar algo conceitual, polêmico e cheio de contrastes. Entretanto, na prática percebo ao estudar sobre o assunto que é justamente o contrário e por isso enxergo um grande valor na composições da House of Matriarch. É necessário um bom conhecimento, intuição e criatividade no desenvolvimento de um conceito que envolve múltiplas essências de origem natural (e se você já cheirou alguns materiais naturais em isolado consegue perceber mais claramente quando uma composição é sintética ou não). Christi demonstra dominar isso perfeitamente, porém com um tino comercial sempre bem claro. Com os 3 que analiso hoje para encerrar a saga eu confirmo minha impressão de que a perfumista mantém claramente um pé na qualidade, mistério e classicismo da perfumaria artesanal porém com um foco na preocupação em criar aromas que sejam agradáveis e que vendam. E o resultado final é muito satisfatório.

Black No 1: é o melhor ou no mínimo está entre os melhores da marca. Eleito por alguns como o perfume mais sexy, é fácil perceber o motivo. Apesar do estilo de couro da composição ser clássico, um aroma de bétula que remete a cheiro de jaqueta de couro, as proporções utilizadas dos ingredientes que fazem parte dele lhe garantem um toque aveludado muito prazeroso. Black No 1 abre com um cheiro herbal mais seco, amadeirado, com proeminência no aroma de pinho do abeto e do próprio pinheiro. É algo que dá um cheiro de floresta a Black No 1, porém não o domina. O tipo de agarwood utilizado aqui cria um cheiro resinoso, levemente incensado e adocicado e que combina perfeitamente com cheiro macio de jaqueta de couro que se desenvolve junto com ele. Há um aroma amadeirado cremoso que remete a sândalo também e que complementa de forma bela o resultado final.

Devotion: eu poderia dizer que Devotion é o que representa de forma mais pura e clara a identidade da House of Matriarch e a predileção de Christi por composições com incenso. A princípio Devotion não me impressionou com sua combinação de incenso clássica - aquele aroma amadeirado seco, esfumaçado e com nuances discretas mentoladas e de limão. Porém, conforme ele evolui um cheiro resinoso e levemente frutado de mirra assume o centro da composição e o torna mais distinto e ainda bem clássico. É possível perceber uma base oriental clássica, um pouco doce e ambarada dando nuances a mirra, a principal estrela da composição na minha opinião.

Forbidden: há vários perfumes comerciais e de nicho que exploram o cheiro da tuberosa como parte importante ou central de sua composição, entretanto são poucos como Forbidden que dão justamente foco ao aspecto mais evidente do absoluto de tuberosa, um cheiro bem vegetal, verde e fresco que para mim torna a tuberosa a flor branca mais diferente entre as outras flores brancas. Em Forbidden há outras ervas e folhas tornando esse lado verde e exótico ainda mais evidente. Como parte da assinatura olfativa da casa é possível perceber um blend de madeiras, especiarias e resinas criando um tom esfumaçado, exótico e tendendo para o estilo árabe de composição. O par oud e tuberosa é algo pouco explorado ainda e que acaba se tornando uma dupla interessante na composição, já que o oud fornece uma base complexa e que ressalta os aspectos mais exóticos da tuberosa.

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