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1 de fev de 2016

Dawn Spencer Hurwitz Rendez-Vous, Zeitgeist 55 e Jitterbug - Avaliações



Mais que uma perfumista e pintora, Dawn também se mostra uma historiadora para os conceitos que propõe. É possível observar que suas criações não são meramente inspiradas em momentos históricos e seus personagens, elas de fato os refletem procurando reproduzir tipos de perfumes que fizeram sucesso no passado. O que se sente, porém, é uma preocupação com a harmonia e, quando possível, modernização da ideia, de forma que o que tem uma aura vintage também soa novo e até mesmo para mim vanguardista;ao resgatar o passado em composições como as analisadas abaixo Dawn trás o diferente para o nosso tempo.

Rendez-Vous: lançamento recente da marca, é uma composição retrô do período onde os perfumes animálicos reinavam de forma suprema na perfumaria. Dawn propõe aqui a utilização de um mix de notas animálicas, de forma que nenhuma delas sobressai. A princípio elas dão um aroma quase fecla e indólico a composição, mas conforme o tempo passa ele suaviza e evolui para um cheiro meio de couro, incenso e musk macio. Há um bouquê floral discreto, um pouco doce e narcótico e esse funciona para arredondar e domesticar a parte mais selvagem da composição. O resultado se mostra bem refinado e interessante na pele passado o momento inicial.

Zeitgeist 55: assim como Rendez-Vous, Zeitgeist também tem uma inspiração retrô e um aspecto animálico, porém dessa vez submetido ao aroma de couro, visto que o cenário dessa vez são os aromas de jaquetas de couro, James Dean e Knize 10, seu perfume de couro favorito. Há algo em Zeitgeist que oscila entre o moderno e o clássico; isso se deve as diversas facetas do couro, que horas se mostra mais próximo da camurça e com nuances mais plásticas e em outras horas parece bem clássico, um cheiro de couro lustrado, defumado e mergulhado em aromas animálicos. Há outros toques que trazem o aroma de couro negro emborrachado para os tempos modernos, como a presença de musks que remetem aos perfumes atuais de oud. É um belíssimo exercício de equilíbrio entre inspiração histórica e tradução moderna.

Jitterbug: com Jitterbug voltamos aos anos 40 e seus perfumes glamourosos, complexos e também animálicos. A diferença para Rendez-Vous é que Jitterbug coloca essências animálicas agora em um contexto oriental, especiado e aldeídico, algo que me remete a um perfume que viria uma decada depois, Youth Dew da Estee Lauder. É possível perceber uma interessante contradição aqui: o aroma apesar de começar denso, abafado e incensado se torna aveludado e com o aspecto animálico super controlado. É como se nuances de canela, aldeídos, cravo, rosas, benjoin e patchouli dançassem de forma abstrata ao redor do nariz, começando com intensidade e indo para um ritmo mais próximo de uma valsa olfativa. É um belo oriental que devido a sua dinâmica pode funcionar bem até em dias mais quentes.

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