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21 de jan de 2016

La Via Del Profumo Tabac, Gipsy Queen, Frutti Paradisi e Tasneem - Avaliações



Entrar no universo de perfumes da La Via Del Profumo é praticamente como abrir uma espécie de portal olfativo para um outro universo. Nele, estamos em um local onde marketing não importa, onde não há economia na qualidade do material utilizado e onde as emoções não são meramente manipuladas, e sim verdadeiras. Por mais simples que as fórmulas de Dominique Durbrana possam parecer elas carregam uma harmonia que apenas quem tem um conhecimento profundo consegue atingir. Estar diante de suas criações é uma oportunidade enorme de ver o que bons óleos essenciais e absolutos podem fazer quando bem utilizados. É o caso dos 4 perfumes avaliados hoje:

Tabac: é um dos perfumes de fundamento mais profundo entre os existentes na coleção. Seu aroma reflete um tipo de tabaco com cheiro de fumo, seco, picante, quase salgado. É um tabaco de aura negra e energia ao mesmo tempo calma e sensual. O uso da baunilha e da tonka nele me parece mais para arrendondar a ideia porém sem dar um aroma doce. Acho interessante que seu cheiro evolua para uma base chypre clássica, algo entre o amadeirado de patchouli e vetiver e um tom terroso e de musgo de carvalho.

Tasneem: é um ode ao belo aroma de ylang-ylang, a flor das flores. O ylang utilizado aqui é uma das frações do destilação do óleo essencial que mantém uma riqueza no aroma e uma suavidade nos aspectos do ylang. É possível perceber um cheiro aveludado floral, com nuances levemente frutadas,  misturado a um jasmim de alta qualidade de fundo. Tasneem possui alguns toques herbais em determinados momentos, mas o floral chique e delicado é o que predomina. É possível perceber tons de baunilha, amêndoas, madeiras e resinas aconchegantes. A textura olfativa de tasneem para mim é o equivalente floral de uma toalha bem felpuda e macia.

Frutti Paradisi: um dos maiores desafios dentro da perfumaria 100% natural é construir aromas que sejam capaz de passar uma idéia frutal sem depender de frutas cítricas. Há poucos casos onde a extração do óleo essencial pelos métodos existentes produz para as frutas um resultado satisfatório. Frutti Paradisi contorna isso usando as nuances frutais do osmanthus, que remetem ao aroma de pêssegos suculentos. Isso é misturado ao aroma mais ardido da groselha e ao aspecto frutal que remete a banana do ylang. O Osmanthus acaba criando de fundo para essa harmonia frutal nuances levemente animálicas, oleosas e com aspectos de couro. É um aroma frutal que perdura de uma forma almiscarada e sedosa na pele.

Gispy Queen: é uma das criações mais dramáticas, complexas, dinâmicas e contraditórias do perfumista, refletindo muito bem o personagem que lhe foi passado para criar seu aroma, a cigana Carmen da Opera de mesmo nome. Gipsy Queen tem a intensidade e sensualidade marcante de um chypre floral da década de 80, dependendo pesadamente do aroma de patchouli e rosa e com flores brancas como a tuberosa reforçando as nuances voluptuosas da composição. Porém, suas rosas se mostram as vezes mais delicadas e frágeis e conforme seu cheiro evolui na pele há algo mais sereno, fechado e misterioso, um aroma chypre amadeirado que acena com um lado animálico quente e convidativo.

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