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6 de jan de 2016

Eudora Lúmis e L'eau d'Issey Absolue - Avaliações Rápidas

A impressão que eu tenho da Eudora, a segunda marca do Boticário, é que ela já começou a demonstrar sinais de acomodação entre as outras. Se suas criações anteriores tentavam posicioná-la como uma alternativa de qualidade a perfumaria importada, hoje do ponto de vista criativo para vender mais fácil ela tem se moldado ao que funciona. E o que funciona no Brasil é cheiro de shampoo, desodorante e sabonete quando você tenta generalizar os gostos do público. Lúmis é um shampoo/desodorante de luxo, que teoricamente tem um acorde exclusivo de champagne rosé. Na prática, esse acorde é uma mistura de toques frutais, levemente aquáticos e daquela rosa meio azedinha e levemente saponácea. O aroma é bem agradável, mas por diversos momentos me remeteu ao cheiro dos roll-on da Rexona. A base apenas confirma isso, sendo carregada em musks brancos e baratos e que duram eternamente - muito usados em produtos de limpeza e de higiene pessoal justamente por isso. Se é sensação de limpeza e performance que você procura, Lúmis é uma opção acessível. Mas na falta de grana para ele, capricha no Rexona que dá na mesma.


Alguns perfumes são que nem músicas, bem difíceis de serem remixadas e atingir o mesmo impacto sonoro que a versão original. É o caso do L'Eau d'Issey, que conseguiu fazer uma ponte entre a intensidade dos perfumes oitentistas e a pureza cristalina dos aquáticos na década de 90, criando um aroma pseudo suave, que deixa um mega rastro aquático floral. As versões posteriores só conseguem tirar elementos, não adicionar mais e de certa forma foi o que Absolue fez. A Parte aquática e cristalina foi reduzida bastante e no lugar dela foi construído um acorde aconchegante de baunilha e musk. Esse é utilizado como pano de fundo para um floral branco abstrato, algo com tons de jasmim, gardênia e orquídea. Essa mudança faz de L'Eau um aroma entre o sensual e o zen, algo mais perolado que cristalino no aroma.