Pesquisar este blog

28 de jan de 2016

Dawn Spencer Hurwitz - Brilliant Collection - Avaliações


Há muitos paralelos que podem ser feitos entre o mundo da perfumaria e o das jóias. É possível dizer que em ambos os mais preciosos materiais quando lapidados exibem o melhor de si e nos fascinam pela beleza estética e sensação prazerosa que nos causam. Buscamos o brilho perfeito das pedras e a harmonia dos aromas e mesmo que saibamos apreciar nos dois mundos todos os níveis de riqueza o mais puro certamente nos fascina.

Vejo que a exposição feita pelo Denver Art Museum procura justamente nos mostrar a arte proveniente da natureza e lapidada nas mãos dos excelentes profissionais da joalheria Cartier, destacando como suas jóias estiveram presentes na vida de pessoas importantes ao longo do século 20. E temos mais uma vez as pedras preciosas ganhando vida em uma sinestesia com belas composições feitas pela Dawn. Em cada uma delas, vejo uma preocupação evidente em utilizar a abstração dos aromas para dar alma as pedras retratas e suas cores. Novamente me dedico a explorar a coleção como um todo e entender sua alma.

Jacinthe de Saphir: inspirado em uma das pedras preciosas mais impressionantes da Cartier, o Safira azul da Rainha da România, Dawn utiliza o aspecto nobre, metálico e profundo da flor jacinto para retratar o aspecto mais nobre e frio da pedra preciosa. Apesar da composição ter uma inspiração nitidamente azul devida a flor, há um contexto chypre verde e herbáceo que se mostra pelo aroma do gálbano e a nuance secundária de narcisso na composição. A flor de laranjeira as vezes dá um brilho diferente, mais quente e adocicado, balanceando o tom metálico floral do Jacinto.

Déco Diamonds: os diamantes são uma das pedras preciosas que mais transmitem a sensação de um luxo clássico e de certa forma universal devido ao seu brilho intenso e transparente/prateada. Dawn se inspirou na era do Jazz e Art Decó para compor um floral aldeídico que usa justamente o brilho intenso dos aldeídos e a riqueza de um boquet floral branco multifacetado para transmitir a preciosidade da pedra. O estilo em geral me faz pensar no Chanel No 5, um jogo de contrastes entre um sensação limpa sofisticada e uma riqueza sensual das flores brancas. A maior diferença é a ausência de tons powdery, o que dá mais ênfase às flores brancas.  A base apresenta contornos amadeirados com toques de musks levemente animálicos e transmite bem a impressão retrô e a sofisticação clássica e atemporal dos diamantes.

Rubis Rosé: novamente me vejo apaixonado por um perfume da Dawn que utiliza a rainha das flores, a rosa, para passar o tom apaixonante e vibrante dos rubis. A sensação é ainda mais reforçada ao utilizar Elizabeth Arden e seu colar de Rubis Cartier como parte integrante da inspiração. As Rosas são perfeitas para transmitir o vermelho intenso e romântico e há um buquê abstrato e multifacetado delas aqui. Tons de frutas silvestres se misturam ao cheiro meio atalcado, meio licoroso e meio verde das rosas, que são envoltas  em uma base chypre de tons resinosos quentes. Rubis Rosé me remete a um perfume mítico e icônico descontinuado, a concentração edp do Shiseido Nombre Noire.

Fumée d'Or: se na coleção Giverny in Bloom temos um perfume que unifica os outros aromas em uma temática, com Fumée d'Or Dawn cria uma abstração para o ambiente de um ourives onde as pedras preciosas são lapidas. Fumée d'Or tem um cheiro esfumaçado, quente, um aroma que remete a madeiras, pele humana, cheiro de caldeiras, palha. Há algo em seu aroma amadeirado, levemente animálico e esfumaçado/resinoso que passa uma sensação muito masculina e sóbria. E apesar de funcionar sozinho, Fumée d'Or favorece intencionalmente notas de base para funcionar como uma liga de metais nobres aos outros perfumes, servindo como moldura para ressaltar os aromas que remetem a pedras preciosas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com relação a postagem? Escreva aqui
Comments related to the post? Write them here