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17 de dez de 2015

Olibere - Balinesque, Escapade a Byzance, Paradis Lontains, Midnight Spirit e Il Mio Segreto - Avaliações


Eu vejo que o caminho escolhido por Marjorie Olibere para transformar sua paixão em um negócio não poderia ser mais natural e difícil do que o apresentado na Olibere Parfums. Marjorie apesar de ter nascido em um ambiente praticamente idílico e rodeado por aromas teve sua vida e carreira definida pelo aspecto visual e pela exploração global e por isso tentar transpor em seus perfumes o elo entre a estética do filme a liberdade dos aromas é um caminho natural a seguir. É ironicamente um caminho limitante, visto que um dos principais problemas da perfumaria comercial é justamente o uso exagerado da propaganda, marketing e storytelling para vender um perfume.  A narrativa proposta também acaba interferindo de alguma forma na liberdade de interpretação já que sugere um conjunto visual para o aroma a ser sentido.

Esses dois aspectos citados anteriormente certamente dificultam separar conceitualmente os perfumes da Olibere do cenário comercial caso seus aromas não sejam realmente bons.Eles acabam não interferindo tanto no resultado final pois o conjunto de criações oferecido forma nas mãos dos perfumistas Bertrand Duchaufour e Amelie Bourgeoius um conjunto coeso, com aromas que são distintos mas apresentam um fio condutor entre seus cheiros, como se fossem cenas diferentes da mesma obra. E as combinações escolhidas conseguem atingir um equilíbrio entre serem familiares apenas ao ponto de causar conforto na exploração.

Deixo o aspecto visual de lado por não ser o meu forte na análise de um perfume e avalio as fragrâncias pela história que elas me contam do cheiro apenas:

Il Mio Segreto: todos os perfumes da Olibere possuem em maior ou menor grau um acorde atalcado moderno e meio almiscarado, mas em três criações da marca ele é uma parte importante, vista da temática de aromas verdes e florais. Para mim, Il Mio Segreto é o menos interessante nessa linha, soando um pouco anônimo em seu cheiro. Se eu não soubesse que Amelie Bourgeois é a perfumista, chutaria que esse faz parte da fase floral primaveril de Duchaufour, reprisando criações como Nuit de Tubereuse e e Ostara. Il Mio Segreto parece uma memória de um perfume, uma mistura de tons de jasmim, cheiro de seiva de plantas, tons de especiarias cremosas, toques atalcados e uma base com tons de madeira, musk e uma leve doçura. É como um sonho do qual ao acordar você não se lembra muita coisa.

Paradis Lontains: criação de Duchaufour, vai por um mesmo caminho olfativo verde-floral-atalcado de Il Mio Segreto e é como se fosse o lado mais exótico e mais definido dele. Alguns trabalhos do perfumista costumam se ligar e você certamente percebe que ele retoma temas trabalhados anteriormente. Aqui, o acorde floral branco ganha os contornos de uma tuberosa verde, similar ao feito em Nuit de Tubereuse. Ao mesmo tempo, ela é envolta em tons exóticos controlados de manga e especiarias, remetendo a temática das criações do perfumista para Neela Vermeire. O diferencial certamente se encontra no aroma de sândalo, que dá um aspecto quase masculino a criação na base, quando faz com que ela ganhe um aroma que é um misto de ambar e de lascas de madeira (aspecto mais típico da variedade australiana de sândalo).

Balinesque: da temática floral verde e musky é certamente o Olibere mais interessante e melhor realizado. Outra criação de Bertrand, entretanto sem remeter especificamente a trabalhos anteriores. Ele parece trabalhar aqui os musks e a combinação com a orquídea e os aromas verdes para passar uma sensação de incenso atalcado sem que haja contornos defumados ou um cheiro mentolado cítrico de incenso. Isso certamente é contribuição das notas secundárias da base, que passam um cheiro levemente resinoso e que se combina a cremosidade floral da orquídea e os cheiros frescos e levemente picantes da saída.

Midnight Spirit: a segunda criação de Amelie Bourgeois para Olibere faz parte da temática mais exótica e orientalista da marca, que veste os tons atalcados com algo menos delicado. Midnight Spirit é um prato cheio para fãs de perfumes de vetiver ao estilo do Hermés Vetiver Tonka. A diferença é que o tom amendoado é trabalhado em uma perspectiva ambarada clássica que junto com o cheiro de couro permanece como um aroma secundário ao cheiro do vetiver e aos aromas cítricos. É interessante também um aroma de íris que faz o papel da assinatura atalcada ao mesmo tempo que se integra com as nuances de raiz do aroma do vetiver e com o cheiro de couro proposto secundariamente.

Escapade a Byzance: certamente o perfume mais impactante da Olibere ao oferecer uma viagem exótica e envolvente por um caminho similar ao encontrado no patchouli e ambar de Coromandel. Aqui somos levados de volta a fase orientalista de Duchaufour e a um dos aspectos que sempre fez seu trabalho marcante, a riqueza nas nuances. É isso que faz de Escapade algo novo apesar da semelhança com o aroma meio amargo, terroso e extremamente elegante do Coromandel. Há tons frutados e cítricos suculentos que balanceiam os elementos mais exóticos. Ao redor desses é construído um caleidoscópio de especiarias, flores levemente atalcadas, tons amendoas e levemente alcóolicos. Me surpreende que não haja iris listada na composição, já que há um tom terroso de iris que também unifica Escapade aos demais e o torna ainda mais elegante.


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