Pesquisar este blog

13 de dez de 2015

Miss Dior (Cherie) 2012 - Avaliação


Seria uma jogada de marketing brilhante ou desastrosa o que a Dior fez em 2012 ao transformar a filha, Miss Dior Cherie, na mãe Miss Dior? É algo que eu sempre me perguntei, já que soa como uma sucessão hereditária com a mãe viva. É fato que para uma nova geração ela não tem mais apelo e possibilidade de ser popular como a filha, mas é uma jogada estranha de identidade ainda sim. Suspeito que isso possa ser uma tentativa da Louis Vouitton de desassociar o perfume original a casa de fragrâncias que originalmente o produzia sem ter que realizar muitas alterações no aroma. De forma resumida, a Dior não é dona das fórmulas originais, recebia o produto pronto para engarrafar e vender. Ao passar a produzir internamente seus perfumes, teve que mexer nas fórmulas e acredito eu que nesse caso em específico nos nomes também, evitando assim ser processada.

Tirando os aspectos do marketing e identidade e olhando apenas o aroma em si, eu diria que o Miss Dior Cherie é praticamente a Madonna da perfumaria. Na sua juventude foi mais delicado e feminino, mais redondo e com o tempo se tornou de certa forma muscular e com seu lado mais masculino contrastando com a delicadeza feminina. Não se encaixa mais num padrão perfeito de graciosidade que parece ditar o que um chypre moderno deve ser, porém não deixa de ser interessante e poderoso.

Eu vejo uma espécie de junção de partes das duas principais versões anteriores do Miss Dior Cherie, a de 2005 e a de 2008. Do original, é trazido de volta os elementos almiscarados e amadeirados da base, de forma que o Miss Dior atual tem nuances de vetiver e um musk mais clean e funcional misturado ao aroma doce e canforado do patchouli. Do 2008 mantém-se a semelhança com o Coco Mademoiselle na forma de evolução, porém os elementos cítricos levemente doces e o patchouli parecem se destacar mais que o aroma das rosas. O curioso é que isso me parece uma questão pequena de nuances. Como eu comentei na versão 2008, parecem mudanças estratégicas em pequenos pontos que mudam o semblante do perfume.

De forma geral, apesar do 2012 ainda ter apelo para o público feminino ele funciona perfeitamente bem num contexto andrógino ou até mesmo como um masculino diferenciado. Os homens de hoje tem mais abertura para aromas com rosa e patchouli e para os que curtem isso em perfumes de nicho eu recomendo um teste nessa versão do Miss Dior. E vejo que a Dior está perdendo uma chance de capitalizar na moda oriental oud, visto que nessa versão do aroma cabe perfeitamente um acorde de açafrão e oud no meio das rosas, cítricos e patchouli.

Um comentário:

BLZ com Simone Alves disse...

Amei,mas e o meu que foi fabricado em 2007,se encaixa onde nas resenhas?RS :*

Postar um comentário

Comentários com relação a postagem? Escreva aqui
Comments related to the post? Write them here