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20 de dez de 2015

Jean Paul Gaultier Le Beau Male - Fragrance Review


Português (scroll down for english version): o lançamento de um flanker de um perfume já consagrado como Le Male tem um papel mais próximo de estender a benção de seu mito sobre a nova criatura do que utilizá-lo como plataforma de crescimento de sua popularidade. Isso funciona muito bem com algo como Le Beau Male, um perfume fresco que provavelmente se destacaria menos se não fosse trabalhado dessa forma.

Conceitos de frescor costumam ter para mim uma certa artificialidade na forma como são trabalhados. Tentar estender o frescor de um perfume durante a sua evolução é como tentar evitar envelhecer sem rugas usando botox: se você exagera nos recursos para manter o que o tempo faz questão de levar embora você acaba com uma expressão forçada. O que me intriga talvez é que essa sensação artificial e forçada parece ser reforçada pelo conceito da propaganda em si - com um cara pelado em um ambiente ártico sentado em um urso falso de olhos estranhos.

A Lavanda de Le Beau Male é trabalhada para ser mais fresca e funcional e acaba perdendo a doçura e tom retrô que dão o charme do perfume original. É a parte que eu menos goste de Le Beau Male, já que me remete aos perfumes da Lacoste, que para mim parecem mais desodorantes que perfumes de fato. A parte interessante talvez seja uma certa dissonância, já que ao mesmo tempo que há algo fresco e funcional você percebe nuances amargas de ervas e um tom quase animálico e indólico emanando de fundo - como se fosse um toque de personalidade tentando escapar de uma atuação programada. Ele me parece conduzir a um praticamente imaginário aroma de jasmim, uma sugestão floral em meio ao frescor herbal e amargo. Essa parte se evanesce rapidamente, nos levando para uma versão mais discreta da combinação de musks e notas de baunilha e coumarina do Le Male.

Le Beau Male certamente se segura pelo básico de seu cheiro e pela imagem chamativa que acaba sugerindo mais do que ele de fato é. Se seu frescor juvenil não fosse tão forçado e artificial talvez teríamos algo mais interessante. Infelizmente seus tons de personalidade são momentos rápidos atrás de uma fachada que não diz muita coisa.

English: launching a flanker of a fragrance already established as Le Male has a closer role to extend the blessing of his myth to the new creature rather than use it as a growth platform to its popularity. This works very well with something like Le Beau Male a fresh scent that probably would stand out less if it were not worked that way.

Freshness concepts usually have for me a certain artificiality in the way they are worked. Trying to extend the freshness of a perfume during its evolution is like trying to avoid growing old without wrinkles using Botox: if you exaggerate the resources to maintain what the time is keen to take away you end up with a forced expression. What intrigues me is that this artificial and forced feeling seems to be reinforced by the concept of advertising itself - with a naked guy in an Arctic environment sitting in a faux bear of strange eyes.

The Lavender in Le Beau Male is crafted to be more fresh and functional and loses the sweetness and retro tone that give the charm of the original perfume. It is the part that I  like the least in Le Beau Male, since it brings me to the Lacoste perfumes, which seems most deodorants than perfumes in fact. The interesting part is perhaps a certain dissonance, since while there is something fresh and functional you perceive bitter nuances of herbs and an almost Animalic tone and indole emanating from the background - like a touch of personality trying to escape a scheduled performance . This seems to lead to an almost imaginary scent of jasmine, a floral hint amid the freshness, herbal and bitterness. This part evanesces quickly, leading us to a more discreet version of the combination of musks and notes of vanilla and coumarin in Le Male.

Le Beau Male surely assures itself from the basic smell and the striking image that ends up suggesting more than it actually is. If this youthful freshness was not so forced and artificial maybe it would have been something more interesting. Unfortunately your personality touches are fleeting moments behind a facade that does not say much.

2 comentários:

Rafael Oxn. disse...

Até hj do JPG o Kokorico ainda é meu favorito... e olha que sempre tento gosar dos "males" (se bem que Fleur du Mâle é até bonito - aroma e frasco)

mas tem razao esse beau é beeem sem graça

e sobre o ultra? ja sentiu Rick ?

Henrique/Rick disse...

Eu ainda não achei para sentir o Ultra Male nem nas perfumarias =/

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