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24 de nov de 2015

Van Cleef & Arpels Ambre Imperial e Volnay Yapana - Avaliações rápidas



Apesar do nome me sugerir talvez uma criação mais aristocrática, o novo integrante da coleção exclusiva da Van Cleef & Arpels não passa exatamente por essa sensação. Ambre Imperial não me remete a uma sensação clássica de um acorde de ambar ou dos mistérios do oriente vistos do ponto de vista imperialista que o nome propõe. Em vez disso, a textura é mineral, atalcada, algo que parece explorar a renascença dos perfumes polvorosos, vendo-o aqui sob uma ótica levemente cítrica e do efeito leve e sedoso do ambroxan. Em alguns pontos ele se assemelha ao Hermès Ambre des Merveilles, entretanto com menos intensidade nas ideias cítricas. O Ambroxan se destaca mais, e a ele se mistura nuances caramélicas da fava tonka e o aroma cremoso e doce da baunilha. Há um lado mais amadeirado seco para complementar a impressão de ambar luminoso e sedoso e uma leve aura de incenso ressaltando o lado resinoso da ideia. Como era de se esperar pela temática, Ambre Imperial não se destaca pela novidade da sua composição, mas pela harmonia, boa duração e rastro e agradabilidade de seu aroma.


Na mesma renascença polvorosa podemos enquadrar  Volnay Yapana. Lançado originalmente em 1922, Yapana surgiu inspirado em uma erva americana que marcou a fundadora da marca. A perfumista Amelie Bourgois me parece ter se inspirado na proposta original da sensação de bem-estar e conforto que tal erva proporciona, explorando em Yapana uma textura aconchegante, atalcada e adocicada. Yapana reforça para mim o lado mais picante da base 4092 que permeia os perfumes Volnay. Seu aroma abre com um cheiro doce, quente e seco de pimenta rosa, que contrasta com toques discretos de um patchouli adocicado. É possível perceber uma nota de íris trabalhada para reforçar a textura da aura atalcada ao mesmo tempo que confere um discreto tom de couro, secundário e bem abstrato na composição. O aroma de ambar e baunilha são quentes, porém funcionam como uma segunda pele aconchegante, de ótima duração mas sem muita intensidade. Esse talvez seja o principal ponto fraco de Yapana, que apesar de chic em alguns momentos soa um pouco sedado/calmo demais.