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16 de nov de 2015

Thierry Mugler Les Exceptions Fougere Furieuse - Fragrance Review


Português: eu tenho observado que muitas vezes o maior diferencial entre uma linha exclusiva e uma linha comercial de perfume é o preço final do produto. Certamente o valor mais alto deveria levar a um maior compromisso com o luxo, distinção e preço da fórmula. Ou pelo menos um cuidado maior na conexão entre o que é proposto e o que é entregue. Mas não é raro que isso acabe não se concretizando. É ainda mais fácil que esse problema aconteça quando se trabalha justamente com uma abordagem tão direta ao nomear um perfume de uma família olfativa.

Fougere Furieuse teoricamente deveria ser uma versão superlativa do clássico Fougere e sua descrição aponta para uma interpretação clássica da ideia ao prometer um dos arquétipos da perfumaria masculina e a riqueza aromática do gerânio, musgo e fava tonka. Porém na prática a ideia passa bem longe do aroma herbáceo de uma floresta fougere e vai diretamente em uma direção cítrica aromática, praticamente unissex. O aroma cítrico escolhido apresenta o frescor da bergamota com o aroma floral do neroli. As nuances amadeiradas e mais secas da ideia remetem a uma suavização da ideia principal encontrada no perfume Rochas Lui, diferindo-se principalmente por não ter a saturação de cedro que o Lui possui e por não ser atalcado. O único momento que se percebe alguma nuance fougere é na base, e ainda sim de forma suave e não superlativa. Há o que parece ser uma mistura de toques moderados de musgo, vetiver e musks promovendo um aroma amadeirado mais redondo e menos seco.

Como perfume, Furieuse apresenta uma excelente radiância, performance e harmonia. Como conceito, é simplesmente péssimo, passando longe na família olfativa, na temática de remodernização e na utilização de forma evidente dos principais aromas propostos. Eu pessoalmente acredito que numa linha comercial isso é perdoável, mas para uma criação de 225 dólares é inaceitável.

English:

I have noticed that often the biggest difference between an exclusive line and a commercial line of perfume is the final price of the product. Certainly the highest value should lead to a greater commitment to luxury, distinction and price formula. Or at least greater care in the connection between what is proposed and what is delivered. But it is not rare that it does not end up coming true. It is even easier to this problem happen when you just work with such a direct approach to naming a scent of a olfactory family.

Fougere Furieuse should theoretically be a superlative version of the classic Fougere and its description points to a classical interpretation of the idea by promising one of the masculine archetypes of perfumes presenting aromatic richness of geranium, moss and tonka bean. But in practice the idea is far from the herbaceous aroma of a fougere forest and goes directly to an aromatic citrus direction, almost unisex. The chosen citrus scent has the freshness of bergamot with floral neroli aroma. The woody, drier nuances of the idea are seems like a smoothed interpreation of the main idea found in perfume Rocks Lui, mainly differing from it for not having the cedar saturation cedar that Lui has and for not being powdery. The only time you realize some fougere nuance is at the base, and yet smoothly and not remarkable. There is what appears to be a mixture of moderate tones of moss, vetiver and musks promoting a rounder and less dry woody aroma.

As perfume, Furieuse has excellent radiance, performance and harmony. As a concept, it's just terrible, passing away in the olfactory family, the revamping of the classic theme and the  evident use of the main proposed aromas. I personally believe that this in a commercial line would be forgivable, but in a creation of $ 225 is unacceptable.