Pesquisar este blog

6 de nov de 2015

Serge Lutens La Religieuse - Fragrance Review

|
Português (scroll down for english version): se você começa a usar com objetivo de avaliar e entender a evolução dos perfumes de Serge Lutens ao longo dos anos, percebe que há, exceto alguns casos, um padrão de transformação nas ideias e nos conceitos. Minha impressão é de que quanto mais nos aproximamos da atualidade mais temos conceitos crípticos, quase como charadas viscerais. Entretanto, isso não é acompanhado de perfumes tão desafiadores como as temáticas propõem.

Pegue, por exemplo o lançamento de 2015 para a linha de exportação, o perfume La Religieuse. Seu conceito sugere uma luta entre bem e mal, um contraste entre branco e preto. Para isso, o jasmim é utilizado de forma pura e inocente e a combinação de incenso, musks e civet como dark, misteriosa, a parte religiosa da composição.

O que eu vejo em La Religieuse passa longe dessa briga de contrastes - pelo contrário, há uma sensação de paz e harmonia. A ligação com a temática religiosa é visível, principalmente pelo uso do incenso, que permeia a composição como um aroma quente, levemente salgado e resinoso. A evolução é relativamente simples comparada com Lutens mais antigos e mais desafiadores. As 4 notas listadas parecem ter sido expandidas em suas nuances para preencher a composição do começo ao fim.

Me sinto como se fizesse parte de um ritual japonês, o Kodo, uma cerimônia voltada para apreciação do incenso. Ele se apresenta primeiramente pelo jasmim, um belo aroma com uma leve nuance frutada, algo que me remete a gardênia, mas ainda sim um jasmim marcado em suas nuances verdes, menos doce que um acorde tradicional de jasmim. O uso da civet é interessante aqui, uma das primeiras vezes que a aprecio; sua presença moderada injeta complexidade e vida com um leve ar animálico as flores brancas. O cheiro dos jasmins é como se emanasse de vasos que decoram o ambiente da cerimônia e assim que o foco passa dele, sentimos o cheiro do incenso, nuances que me remetem a ambar, patchouli e uma base de musk interessante, macia, um pouco animálica, quente, algo que se entrelaça as notas citadas anteriormente e faz com que você sinta como se o aroma desse incenso fizesse parte de você.

Mesmo que La Religieuse passe longe do conceito propagandeado, ele o atinge de uma outra forma luxuosa e serena. Há paz e harmonia para mim onde deveria haver uma luta. Para mim, as proposições de marketing de Lutens já deixaram de fazer sentido a muito tempo. Me guio mais pela presença ou ausência de harmonia, beleza e coerência em suas criações.

English:
If you start using to evaluate and understand the evolution of Serge Lutens creations over the years, you realize that there are, except some cases, a pattern of change in ideas and concepts. My impression is that the closer we get from the current times the more cryptic the concepts become, being almost visceral riddles. However, this is not accompanied by such scents as challenging the themes proposed.

Take, for example, the 2015 release for export line - La Religieuse perfume. Its concept suggests a struggle between good and evil, a contrast between white and black. For this, the jasmine is used  in a pure and innocent way and the combination of frankincense, musks and civet as dark, mysterious, the religious part of the composition.

What I see in La Religieuse passes away from this fight of contrasts - on the contrary, there is a sense of peace and harmony. The connection with religious themes is visible, mainly due to the use of incense, which permeates the composition as a warm aroma, lightly salted and resinous. Evolution is relatively simple compared with older and more challenging Lutens. The four listed notes seems to have been expanded in its nuances start to fill the order to the composition.

I feel here like I was part of a Japanese ritual Kodo, a ceremony aimed to the incense appreciation. I`m first presented by Jasmine, a beautiful aroma with a light fruity nuance, something that brings me a gardenia impression, but still  very noticeable jasmine marked on its green nuances, less sweet than a traditional use of the flower. The presence of civet is interesting here, one of the first times that I appreciate; its moderate presence injects complexity and life with a slight animalic air to the white flowers. The smell of jasmine is as if emanates from vases that decorate the ceremony environment and so the focus shifts it, we smell the incense, with nuances that reminds me amber, patchouli and a musk base interesting, soft, slightly animalic , hot, something that intertwines the aforementioned notes and makes you feel like the smell of that incense was part of you.


Even if La Religieuse pass away from the proposed concept, it reaches another one luxurious and serene. Tehre is peace and harmony for me where there should be a fight. For me, Lutens marketing propositions have already ceased to make sense a long time. I lead myself more by the presence or absence of harmony, beauty and coherence in their creations.