Pesquisar este blog

5 de nov de 2015

Givenchy PI e Lanvin Avant Garde - Avaliações Rápidas



Dos perfumes da Givenchy, Pi certamente me intriga pelo conjunto da obra. Raramente um perfume com um conceito tão hermético mantém-se por tanto tempo em produção: não há pistas claras entre o motivo da escolha da letra que representa um número tão conhecido da matemática, o conceito espacial e o frasco exótico - seria o frasco em formato de uma nave ou de uma pedra especial? Junte-se a isso o conceito de seu aroma, algo ainda pouco comum na perfumaria masculina no final dos anos 90. Em uma década dominada por criações leves e aquáticas, PI propõe um aroma gourmand denso, carregado em baunilha, amêndoas e com toques sutilmente florais. Não tive chance de conhecer a versão original, que comentam ser a versão mais doce, porém as que senti sempre me incomodavam pelo acorde de ambar muito forte que eu sentia. Talvez tanto as reformulações quanto a presença maior de perfumes gourmands no setor masculino tenham feito do PI um clássico menos extravagante. Em seu aroma atual o ambar não é muito perceptível e a cremosidade e doçura da baunilha e amêndoas demoram mais tempo para aparecer e são mais discretas. Com isso, um cheiro citríco, um pouco fougere e com aspectos herbais ganha maior evidência, uma combinação que com a base parece resultado de testes cuidados para se encontrar o equilíbrio. É uma criação interessante e que com o tempo eu consegui entender - apenas até hoje me surpreendo com o seu conceito.



Um perfume que não se pode dizer que teve a mesma sorte que o Givenchy Pi é o Avant Garde da histórica casa parisiense Lanvin. Infelizmente a administração da linha de perfumes da Lanvin é muito ruim e por isso suas criações parecem já serem lançadas com um tempo contado de vida - é comum que após 1 ou 2 anos comecem a pipocar por um tempo em promoções e depois desapareçam lentamente das prateleiras. É uma pena, pois mesmo que Avant Garde não seja uma criação de vanguarda como seu nome sugere é uma excelente e harmoniosa interpretação da tendência atual de perfumes que combinam tabaco, ambar, adocicado, especiarias e madeiras. É interessante que tenham atingido tal harmonia e riqueza nos detalhes com um orçamento que provavelmente foi apertado. Avant Garde tem cheiro daqueles tabacos de cachimbo que são flavorizados com mel, especiarias adocicadas e baunilha. A sua base tem uma harmonia de um ambar mais sedoso, levemente salgado e um vetiver amadeirado não muito seco. Nem sempre perfumes que encalham em estoque e são vendidos em promoções valem a pena ser comprados, mas se você curte esse estilo de criação mais rica em tabaco, ambar e mel vale a pena arriscar com ele.

Um comentário:

Matheus Barbosa disse...

Acho que o Pi que eu conheci é da última versão. Me falaram que era excessivamente doce, que chagava a ser enjoativo, mas a impressão que tive foi a mesma que a sua. As nuances herbais foram bem evidentes ao meu nariz, e só depois de algum tempo pude notar a baunilhas e as amêndoas, nada muito doce, realmente equilibrado. Não me animei a comprar um exatamente por isso, queria um baunilhão bem gourmand, mas não é este.

Postar um comentário

Comentários com relação a postagem? Escreva aqui
Comments related to the post? Write them here