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15 de out de 2015

Jean Patou Vacances, Colony e L'Heure Attendue - Avaliações


Na comemoração do centenário da marca a Jean Patou começou um processo de resgate de seus perfumes clássicos e menos conhecidos que os grandes sucessos da marca (Joy, Sublime e 1000). Esse relançamento certamente pode ser visto tanto com alegria como com cautela. Alegria pois a coerência e qualidade estética da coleção histórica de perfumes de Jean Patou é algo raramente visto na perfumaria de hoje - criações ricas, complexas e com uma assinatura olfativa claramente perceptível trabalhada de forma inteligente em cada perfume. A Cautela vem, entretanto, pois resgatar do passado as criações históricas de Jean Patou não é uma tarefa fácil, principalmente considerando que os absolutos florais hoje são bem mais caros que no passado. alguns musks não podem mais serem usados e o cravo, um elemento importante dessas criações, teve que ser restrito consideravelmente devido as novas regulamentações europeias. Some-se a isso a necessidade de conquistar um novo público e tem-se um grande desafio.Para avaliar o resultado desses relançamentos, resolvi resgatar minhas avaliações do kit histórico de miniaturas da marca - chamado de Ma Collection - e comparar com as reedições.

Versões Ma Collection

Vacances - na versão Ma Collection Jean Patou tira férias da sua assinatura olfativa ambarada, deixando o cravo e a iris para trás e focando numa estrutura mais simples e harmônica. Para mim, essa fragrância tem tudo a ver com o aroma verde e amargo do gálbano, o cheiro de pólen e amendoas da mimosa e a base almiscarada. Talvez haja algo floral e verde que para mim produz uma ilusão de rosas, mas parece misturado com a mimosa e as amêndoas.


Colony - da Ma Collection, certamente esse é um dos destaques para mim. Eu nunca encontrei outro chypre de abacaxi que soasse tão real e maduro na abertura como esse aqui. E também, nunca encontrei nenhum que pudesse segurar essa impressão bem e ir na direção de uma estrutura chypre floral clássica, formando uma espécie de irmã tropical do Chanel Cristalle. Me parece que Colony tem também uma histórica controversa, já que seu frasco original é inspirado em um abacaxi e ao mesmo tempo em uma granada e o seu nome é um ode as colônias francesas de exploração - e nisso eu me pergunto se essa não é um perfume com um senso de humor bem ácido. 

L'Heure Attendue - De todos os Patous na Ma Collection, esse é o mais ambarado de todos. Ele foca, diferente dos outros com assinatura similar, num aroma doce, resinoso e quente de ambar, algo parecido ao que se encontra no Guerlain Guet Apens. O efeito é similar, um ambar atalcado e rico com bastante flores caras e adocicadas. Ele tem ao mesmo tempo um cheiro caro e luxuoso.

Collection Heritage
Vacances - a reformulação mantém boa parte da ideia geral  do aroma casual chic de Vacances, mantendo a combinação de gálbano, mimosa e almiscar. Essa versão é tão boa quanto pois acrescenta uma complexidade extra a idéia, reforçando o aroma verde de  rosas e tornando claro um cheiro floral herbáceo de jacinto que combina muito bem com o verde amargo do gálbano e com o aroma de pólen e amêndoas da mimosa. A base me parece mais complexa também, com uma leve sugestão oriental esfumaçada em meio ao musk aconchegante.

Colony - do trio de colônias relançadas, é certamente o que sofreu uma readaptação grande, o que pode provocar um grande desapontamento entre os fãs do aroma chypre suculento de abacaxi do original. Um ponto positivo é que a marca deixou isso bem claro desde o começo, dizendo que Colony seria uma readaptação moderna do clássico. Eu creio que ou não se pode mais usar os sintéticos que recriam a fruta ou a empresa que fornecia a base com esse cheiro não existe mais.  Além disso, as restrições ao musgo de carvalho tornam complicado recriar um chypre do passado com o mesmo equilíbrio. A readaptação o transformou em um chypre floral, mais light no aspecto de musgo e com um aroma mais aldeídico, levemente atalcado e verde. A saída passou a ser cítrica e cintilante e com toques verdes, dando espaço rapidamente para uma rosa um pouco metálica e herbácea no cheiro. O jasmim dá um toque floral sutil adocicado, sugerindo nuances frutais. A Base se tornou mais amadeirada que musgosa, ganhando um aspecto almiscarado e sedoso. Certamente o novo Colony é um perfume elegante e bem feito, mas muito distantemente relacionado a obra-prima do original.

L'Heure Attendue - da mesma forma que Vacances, L'Heure Attendue é capaz de manter a aura geral da composição original e conferir uma riqueza nova a idéia. Percebo que a Collection Heritage tem uma nova assinatura olfativa que gira ao redor de aromas florais verdes e levemente atalcados. Eles podem ser percebidos aqui também e são a primeira impressão que se tem do perfume antes que ele vá para a sua assinatura ambarada rica e aconchegante.  Nessa versão, o uso nas do pêssego, rosa e ylang nas notas de coração confere a L'Heure Attendue uma aura floral chique que remete a assinatura olfativa da Chanel. No Seu último estágio temos um acorde de ambar rico, com nuances de chocolate amargo, madeiras cremosas e resinas adocicadas quentes. É certamente um aroma luxuoso e de excelente fixação e projeção.


2 comentários:

Rogeane Rita de Faria Gomes disse...

É uma casa que conheço muito pouco. Seu texto fez-me sentir curiosa.

Henrique/Rick disse...

Acho que é uma casa que tem tudo para te agradar Rogeane.

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