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3 de out de 2015

House of Matriarch - Daft Love, Behind the Curtain e Oh My Stars - Avaliações



House of Matriarch certamente entra para a minha lista a partir de hoje como mais uma das casas independentes de perfumaria que vale a pena estar atento para o que é lançado. Eu tenho acompanhado esse setor com curiosidade e ansiedade visto que os perfumistas e donos de marcas independentes ao focarem em um público mais específico tem canalizado a criatividade de uma forma que nem a perfumaria comercial nem a de nicho tem conseguido. O resultado são aromas ricos, complexos, e que te levam por alguma temática interessante.

O Projeto Liquid Music é uma parceria de Carlos Powell e a perfumista Christi Meshell para celebrar o aniversário do grupo de Facebook Peace, Love and Perfume. A princípio estava receoso quanto ao resultado final, achando que seria muito comercial no sentido de ser pouco interessante. Porém, a minha primeira impressão com os perfumes da Christi Meshell é bem positiva e o resultado festeja o grupo com muita qualidade.

Cada um dos 3 perfumes do trio representa uma música diferente e um dos pilares do grupo. Ainda que os perfumes tenham sido feitos para se combinarem e permitir um uso conjunto, cada um é complexo o suficiente para funcionar sozinho, evoluindo lentamente durante o dia e mostrando suas facetas. A impressão é que as fragrâncias optam por um uso grande de essências naturais mas se amparam em sintéticos para garantir uma boa performance na pele.

Oh My Stars - apesar de todos os 3 serem muito bons, esse é o que eu menos gostei de sentir durante o dia na pele. A representação do aspecto Peace aliado a uma música dos Beatles chamada My Stars leva ao que eu chamaria de um aroma psicodélico, carregado em notas esfumaçadas, um quê meio de aroma de cabelo e um cheiro de uva e laranja bem evidente. O aroma de uva persiste bem mais que a saída, indo até o coração do perfume, que ganha um ar terroso e doce de iris e um aroma floral sensual. A base revela um cheiro de ambar, incenso e um aroma picante de tabacco e parece se dividir em duas fases, uma bem densa, ao estilo dos perfumes Andy Tauer, e uma segunda fase mais area e almiscarada.

Behind The Curtain - certamente o nome e inspiração casam perfeitamente com o perfume. Descrito como uma estranha e mágica poção de tinta, Behind the Curtain parece transportar seu aroma de couro e flores por um cheiro de incenso e resina bem misterioso. Há um excelente acorde de couro clássico aqui, algo que me remete ao aroma de jaqueta nova. O interessante é que essa fase mais densa vem antes que uma segunda fase, mais delicada, e funciona exatamente como uma cortina que mostra um segundo perfume na pele, tão bom quanto o primeiro, um aroma mais doce, almiscarado, com nuances exóticas de oud e patchouli e um toque floral sensual na medida. É o integrante que representa o pilar Perfume do Grupo.

Daft Love - dos 3, é o meu favorito, tanto na temática como no aroma em si. Sempre fui apaixonado pela dupla eletrônica Daft Punk e um perfume inspirado em um dos melhores álbuns da Dupla certamente era algo que eu gostaria de conhecer. Representando o pilar Love do grupo e inspirado na música Digital Love, Daft Love possui o mesma aura de pop glamouroso que a faixa passa. É outro complexo em sua sinfonia aromática e que evidencia a necessidade de testar todos os 3 na pele e prestar atenção. Daft Love começa com um aroma que me remete ao cheiro de gengibre, ambar, bebidas alcóolicas e especiarias, uma espécie de versão mais picante e luminosa do aroma de Ambre Narguile. Diferente desse, o perfume exala e mantém sua complexidade, ganhando um aroma de mel, rosas cedosas, feno e cedro. Na base, há outra transformação, ficando um aroma doce e cremoso de baunilha com um sândalo amadeirado seco e um aroma picante de tabaco, com uma dose de white musk na medida para arredondar o aroma da base, dar maciez mas sem o colocar em um território funcional. É uma bela composição chique que me parece fácil de gostar sem ser vazia em textura e riqueza.