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5 de out de 2015

Guerlain Le Bolshoi Black Swan Avaliação



Se tem uma coisa que a Guerlain certamente tem um expertise centenária e que a destaca em relação as outras marcas é a capacidade de exploração máxima da identidade olfativa da marca. Se o conceito dos flankers é um fato mais recente na perfumaria contemporânea, na casa Guerlain eles sempre estiveram presentes por meio de criações que exploravam caminhos alternativos para uma mesma ideia. É conhecido que há perfumes parecidos com os grandes clássicos da casa (Mitsouko, Aprés L'Ondee, L'Heure Bleue entre outros), mas que apenas os mais icônicos resistiram ao tempo (na maioria dos casos, já que há criações, como Parure, que morreram devido a inviabilidade de reformulação para atender as restrições atuais). Por isso é famosa a dualidade da aura familiar dos perfumes Guerlains, sempre no limiar do novo e do conhecido. É algo que sobrevive as mudanças de estilo que a marca fez para se ajustar ao público.

Em Le Bolshoï Black Swan isso é combinado a outros elementos-chaves da atuação comercial da marca, a criação de itens colecionáveis desejados por serem obtidos apenas em mercados específicos e disponíveis por um período curto de tempo. Alie-se a isso belos frascos clássicos de luxo atemporal e um posicionamento de preço digno de uma raridade e você terá perfumes cobiçados pelo fã hardcore da marca (eu me incluo nesse grupo).

Homenageando pela terceira vez em 2014 o famoso balé russo Le Bolshöi, Black Swan é ainda uma interpretação do famoso  balé O Lago dos Cisnes, encarnando em sua essência o Cisne Negro. Confesso que consigo ver a graciosidade, apelo clássico e fluidez do Balé refletido numa composição centrada em sândalo, chá e flores, porém eu discordo do conceito escolhido pela marca. Certamente o Cisne Negro tem uma sensualidade mais atraente para vender um perfume exclusivo, entretanto em Black Swan falta justamente isso e a malícia atribuída a ele. Aqui vemos, na verdade, a representação do Cisne Branco, inocente, gracioso e perfeito em seus movimentos.

A família de perfumes da qual Black Swan deriva é uma que não ganha muito os holofotes da marca, os perfumes que parecem girar ao redor da o aroma verde e cítrico de chá e de uma delicadeza que remete a jasmim verde e lírio-do-vale/muguet. Os perfumes que me parecem gravitarem ao redor dessas idéias são Cherry Blossom, Les Voyages Olfactives London, Aqua Allegoria Teazurra e Aqua Allegoria Herba Fresca. Todos os 4 exploram de diferentes formas essa temática pura, verde, virginal e harmoniosa e Black Swan se junta a eles, parecendo mais completo nas suas pontas.

Apesar de me parecer uma criação mais comercial, gosto das nuances que delicadamente dançam na ponta dos seus pés enquanto desfilam pelo meu nariz. A Guerlain usa seu histórico com aromas gourmands e entrega um de seus mais delicados talvez, uma ilusão que me faz pensar na textura de um merengue de limão ao mesmo passo que me remete ao cheiro de folhas de chá, flores de jasmim, lírio e flores de lima talvez. É uma bela harmonia verde, cítrica, floral e levemente doce. A Base possui uma textura equivalente, onde o sândalo é usado de forma suave, complementado por um toque cremoso de baunilha, tonka e musks branco.

Para um perfume tão delicado, aéreo e gracioso, a fixação de Black Swan é boa, durando umas 7-8 horas na pele. Me pego de alguma forma cético em uma edição limitada tão cara e rara, mas se eu pudesse eu me renderia as graças desse Cisne - mesmo que em seu teor negro ele soe bem alvo como a neve. Esse é o maior segredo da Guerlain, quando bem executado seus perfumes nos fazem baixar as defesas e nos levam a desejá-los.

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