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23 de out de 2015

Charme Essência L'Charmant Absolu e Encanto d'Charme - Avaliações




A impressão final que me fica ao usar os dois últimos perfumes da coleção atual da Charme Essência é a de ter testado em aroma o equivalente a uma música construída de forma simples e bem feita. Quando você começa a prestar atenção e amplifica os detalhes, vê que há um cuidado meticuloso nos elementos de fundo dando suporte ao tema principal. Certamente o tema na marca é um dialogo para mim entre passado e presente, entre memórias de determinados aromas agradáveis ao perfumista Fabiano e um olhar atento ao clima e gostos atuais. E nesse dialogo ainda temos momentos de surpresa e pura criatividade e poesia.

As cores que são escolhidas para cada perfume não poderiam ser mais precisas, o que me deixou receoso a princípio em testar L'Charmant Absolu, temendo uma criação funcional construída ao redor de musks brancos. E para meu alívio, estamos diante de um gourmand fino de textura aérea, muito bem executada, como se fosse a versão olfativa de uma pluma branca.  É difícil inclusive descrever exatamente seu cheiro, visto que na sua delicadeza está sua força e complexidade e suas várias caras. Há mel? Sim, construído para ser mais doce e espesso as vezes e mais delicado e floral em outras. Há um acorde enigmático de flores brancas que me remete a jasmim, a tuberosa, a ylang. Há contornos de violeta, um aroma púrpuro mascarado pelo lado branco da composição, Há uma base amadeirada com apenas um toque de incenso. E há também um lado mais fofo, branco, com um aroma de limpeza, um contraste curioso entre o aspecto mais doce. Há um espectro grande de sensações, uma fórmula realmente interessante.

E a obra-prima da casa fica sendo para mim o maravilhoso Encanto d'Charme, que extrai de sua cor vermelha um oriental que não fica devendo nada para perfumes muito mais caros. Estamos diante do que para mim é o trabalho mais complexo e impressionante de Fabiano. A princípio uma rosa passional, quente e seca abre o perfume, embebida em ares de incenso. A ideia me parece algo cigano as vezes, ou então perfeito para a dança flamenca. Em um segundo momento, o perfume vai em uma direção olfativa similar a riqueza do perfume Opium da YSL, evidenciando uma mistura intoxicante de especiarias, resinas, rosas e incenso sem nunca parecer denso demais ou sufocante. E quando você pensa que terminou e o perfume chegou nas resinas e madeiras da base, um aroma cremoso e doce de baunilha surge, encanta e seduz com força total em um perfume que não perde um momento sequer no jogo de sedução e paixão. É simplesmente incrível.

No final das Contas ,vejo em Charme Essência quase de tudo um pouco e o resultado convence, parece coesivo. Ao testar algumas marcas, vejo claramente uma falta de identidade, como se histórias tivessem sido inventadas para preencher as lacunas de fórmulas compradas de grandes laboratórios. Aqui não há nada disso, em uma marca que cumpre o que seu nome promete, trazendo de volta e com estilo o Charme que se perdeu na perfumaria comercial. Trabalho pessoal, muitíssimo bem executado, acessível e criativo. Quer mais o quê?

2 comentários:

alunogueira disse...

belíssima resenha !

Henrique/Rick disse...

Obrigado alunogueira :)

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