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20 de set de 2015

Dior Sauvage Avaliação



É necessário analisar Sauvage, o novo pilar da perfumaria masculina da Dior, olhando primeiramente o contexto talvez. Esse é um produto onde o que é comunicado certamente está fora do aroma em si e mais centrado no contexto de seu lançamento, que para mim é o seguinte:


  1. Sauvage vêm em tempos de crise econômica e incertezas globais. Isso certamente afeta muito os mercados de luxo, que dependem da venda de artigos não essenciais. É mais fácil, entretanto, vender um perfume, um luxo mais acessível, do que uma peça de vestuário luxuoso e caro . Logo, em tempo assim não se arrisca com fragrâncias inovadoras já que uma parte considerável da receita é proveniente delas.
  2. Sauvage surge no momento onde a separação entre a linha comercial e mais exclusiva da Dior nunca esteve mais clara. Ainda que a Collection Privée não seja exatamente uma linha que arrisca em inovação, é certamente hoje o laboratório de criação da Dior e o lugar onde ela direciona criações que podem ou não vender muito.
  3. De forma indireta, a Dior deseja ser como a Chanel, capaz de ter uma aura intocada de luxo e sedução ao mesmo tempo que tenta atingir públicos bem diferentes. E na esteira do sucesso mundial de Bleu de Chanel, parece um movimento claro ofecerer algo parecido.
E é nesse contexto que surge um perfume com um nome que referencia ao passado clássico da marca, uma cor que referencia ao grande sucesso de vendas da concorrente, um frasco que lembra o luxo da linha exclusiva  e um ator escolhido para passar a idéia (pelo menos para mim) de que Sauvage é o perfume para o homem que não se encaixa nos padrões de beleza típicos dos anúncios tradicionais. Sauvage me parece feito para o homem comum, que quer ter um cheiro agradável sem ter que pensar muito a respeito.

Não posso dizer que estou decepcionado, pois já tinha essa expectativa. Entretanto, me sinto talvez surpreso pela abordagem extremamente direta e precisa que a Dior escolheu. Sauvage não arrisca, assim como Bleu, um centímetro sequer e todos os clichês possíveis da perfumaria masculina estão aqui, calibrados para que de longe ele crie uma aura agradável para quem sente.

Outra coisa que me chama muito a atenção nesse perfume é como a linha de separação entre perfumaria nacional e importada está cada vez mais sutil. Enquanto eu vejo que a Natura tem sucessivamente arriscado em criar perfumes masculinos que fujam da evolução clássica da marca e pareçam sofisticados como um importado, Sauvage poderia ser claramente o perfume da Natura para concorrer com o Bleu de Chanel (e talvez seja surpreendente que nenhuma nacional tenha feito nada ainda nesse sentido).

Sauvage abre com um frescor aromático típico da perfumaria da Natura. É algo que me lembra ao mesmo tempo a saída citrica um pouco doce do Bleu e o aroma artificial e fresco de lavanda que a Natura usa muito na perfumaria, e que pode ser percebido claramente em seu sucesso de vendas Kaiak. Em algum ponto, entretanto, algum sintético que vai em Sauvage se destaca e me faz pensar em cheiro de madeira molhada após você passar lustra-móveis de lavanda. É uma impressão que por sorte não dura muito, pois não é nada agradável. Depois disso, o perfume termina em uma fase vaga, algo que mistura o cheiro mineral levemente amadeirado do iso e super com uma leve sugestão de musgo, couro e um toque do aroma do ambroxan, um ambar luminoso, de excelente fixação.

Prevejo que Sauvage venderá muito bem se já não estiver vendendo bem. Vivemos em uma época onde estamos cada vez mais sobrecarregados de informações e incertezas, inseguros quanto a nossa identidade, tentando mesclá-la ao coletivo. É provável que a LVMH, dona da Dior, possua ferramentas sofisticadas de análise de dados e tenha percebido tudo isso ao criar esse perfume. Seu foco certamente não foram os críticos, os colecionadores de perfumes ou os mais apaixonados hardcore pela perfumaria. Pode ser que eventualmente ele agrade a essas pessoas também, visto que seu aroma é calibrado para ser agradável, mesmo que seja de uma forma meio anônima. Certamente no passado eu teria feito a Sauvage  uma crítica mais feroz, entretanto hoje entendo que ele não é para mim e vejo qual é o seu motivo de existência. Irei aguardar os flankers esperando, mesmo que sem muita expectativas, que algo bem espetacular seja criado.

3 comentários:

tirlone disse...

A primeira impressão que tive deste perfume foi a que ficou, como no ditado popular. Cheiro de produto de limpeza a base de lavanda.

Aris Adalberto disse...

Usei. Usei muito. Só sei que foi assim.

Aris Adalberto disse...

Usei e aprovei. Não sou uma sumidade em perfumes. Gostei, gostaram.

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