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10 de ago de 2015

Chanel Les Exclusifs Misia Fragrance Review



Português (scroll down for english version): A Chanel certamente é uma das maisons clássicas que mais me intrigam quando se trata do resultado final de suas composições. Não que elas sejam sempre espetaculares, aliás muitos dos lançamentos recentes da Chanel são medianos nas interpretações das tendências que você poderia até enxergá-los sendo lançados por outras casas menos prestigiosas. Entretanto, diferente de grifes clássicas como Guerlain, Dior e Hermés, a Chanel não apenas se preocupa em preservar suas criações históricas como também honra seus clientes mais clássicos com novas criações que fazem um ode a sua assinatura clássica. Enquanto os fãs de perfumes retrô parecem incomodar a Guerlain com seus desejos de criações que lembram os dias de outrora, a Chanel ouviu seus clientes mais fiéis ao lançar Misia, que faz referência a uma das amigas mais íntimas de Coco, Misia Sert.

Algumas críticas pela internet mostram avaliadores que não se impressionaram pelo aspecto clássico da criação, mas eu diria que eles perderam o ponto principal, pois Misia não é somente inspirado no mundo retrô da Chanel, ele mergulha de cabeça nesse mundo como se a marca não tivesse saído dos seus dias de sofisticação atalcada e floral. Misia possui um acorde cosmético fino e multifacetado, uma triangulação entre os aspectos atalcados da iris, violeta e rosa. Fazendo uma analogia a como Luca Turin descreve o clássico Chypre, se representássemos Misia em um gráfico circular as três essências formaram um círculo onde cada fatia está ligada ao centro pelo aspecto atalcado de seu aroma.

É difícil dizer onde começa e onde acaba as violetas, iris e rosa justamente por conta disso, entretanto há uma sequência na qual misia revela seu acorde cosmético com nuances de batom na pele. Primeiramente, um toque aldeídico floral e levemente adstringente, para sinalizar logo de cara que estamos entrando nos anos dourados da perfumaria. Após ele, vêm um aroma de violetas adocicado, composto por mais de uma ionona, passando o aroma atalcado, doce, frutal e levemente plástico da flor,  com uma harmonia entre cada uma dessas facetas. A iris surge logo em seguida, mais floral e com uma leve nuance terrosa, que abre espaço mais para seu lado sedoso. Ela se mistura a uma rosa levemente metálica, de nuances frutais, que me lembra uma versão mais calma e menos cerosa da pungente rosa clássica presente em Nahema, Rouge Hermes e Caron Parfum Sacré. Diferente desses que terminam em uma base resinosa densa, Misia termina com uma base de musk sofisticada sem nenhuma conotação funcional.

Como os clássicos da grife, Misia possui uma excelente performance na pele, com um aroma que parece irradiar sofisticação no mesmo volume do começo ao fim. Para mim é surpreendente que a marca honre sua história com uma criação exclusiva que pode parecer senhoril para alguns. Mas certamente aqueles que sentem falta dos perfumes do passado irão se deliciar com a perfeição de Misia na pele.

English:

Chanel is certainly one of the classic maisons that intrigues me the most when it comes to the final result of its compositions. Not that they are always spectacular, in fact many of the recent releases of Chanel are median interpretations of the trends that you could even see being launched by other less prestigious brands. However, unlike classic players like Guerlain, Dior and Hermes, Chanel not only cares to preserve its historical creations but also honor their more classics customers with new creations that are an ode to its classic signature. While retro perfume fans seem to bother Guerlain with theirs wishes of creations that recall the old days, Chanel heard their most loyal customers by launching Misia, which refers to one of the closest friends of Coco, Misia Sert.

Some critics on the internet show that reviewers were not so impressed by the classical aspect of creation, but I would say they lost the main point because Misia is not only inspired by the retro world of Chanel, its plunges headlong in this world as if the brand had not got out of their days of  powdery and floral sophistication. Misia has an exquisite and multifaceted cosmetic accord, a triangulation between the aspects of powdery iris, violet and pink. Making an analogy to how Luca Turin describes the classic chypre, if we represented Misia in a circular graph the three essences would form a circle where each slice is linked to the center by  the powdery aspect of their aroma.

It's hard to tell where it begins and where it ends violets, iris and rose just because of that link, but there is a sequence in which misia reveals its cosmetic nuances of lipstick hues in the skin. First, a floral and slightly astringent aldehydic touch, which signal right away that we are entering the golden years of perfumery. After ris comes a sweet violets smells, composed of more than one ionone, passing the powdery aroma, sweet, fruity and slightly plastic of this flower with a harmony between each of these facets. The iris soon arises then, more floral and with a slightly earthy nuance, which opens space to its silky side.It gets mixes with slightly metallic rose of fruity nuances, which reminds me a calmer and less waxy version of the classic pungent rose present in Nahema, Rouge Hermes and Caron Parfum Sacré. Unlike these that goes to heavy resins base, Misia ends with a sophisticated musk base with no functional connotation.

As the classics from the brand, Misia has an excellent performance in the skin, with an aroma that seems to radiate sophistication in the very beginning to the end maintaining the same volume. For me it is surprising that the brand honors its history with a unique creation that may seem to some more mature. But certainly those who miss the  perfumes from the past will be delighted with the perfection of Misia on skin.