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4 de ago de 2015

Atelier des Ors Aube Rubis Fragrance Review


Picture By Fragrantica

Português (scroll down for english version):

Em Aube Rubis, podemos conferir de uma forma um pouco mais concreta o lema da casa Atelier des Ors, a poesia da alta perfumaria. A inspiração não poderia ser mais poética do que um por do sol em um tom avermelhado, um momento de transição onde a casa tenta conectar algumas notas olfativas para passar a impressão da conexão entre a terra e o céu flamejante. O renascimento aqui proposto certamente é conhecido de muitos, o renascimento da família chypre na sua interpretação moderna; entretanto se a melodia pode parecer familiar a escolha, digamos, dos instrumentistas faz toda a diferença.

Eu vejo algumas diferenças básicas que me fazem enxergar Aube Rubis como uma versão mais luxuosa de um chypre moderno. Entre elas, o patchouli escolhido parece apresentar uma dualidade que não é comum, apresentando ao mesmo tempo um aroma terroso e meio amargo e mais adocicado e mentolado. Essa dualidade é uma espécie de fio condutor, o reflexo do brilho da nota entre o céu e a terra da inspiração e novamente uma forma de apresentação do pé no mundo clássico e moderno que parece guiar as escolhas da casa. Apesar do grapefruit e da groselha serem destacados, eles tem um papel menos para mim no panorama, funcionando apenas para prover o lado refrescante e meio amargo de um acorde chypre, aqui acrescido de um tom frutal com um lado mais moderno.

O maior diferencial de Aube Rubis para mim, entretanto, é a escolha de uma base complexa e a criação de um acorde de iris de aroma aveludado e impressão extremamente luxuosa. A aura de musk envolve o patchouli, notas cítricas e iris de uma forma deliciosa, com uma textura aveludada e um aroma sutilmente animálico. Há uma leve lembrança amadeirada seca e uma citação de um acorde ambarado, algo que remete a incenso e benjoim usado em doses bem moderadas. E a iris aqui tem um cheiro multifacetado, algo que remete as nuances de violeta, madeiras, couro, com o musk ajudando a criar também a textura cremosa do aspecto secundário da iris.

Assim como Cuir Sacre, a performance de Aube Rubis é impecável na pele e a evolução também é redonda, com uma conexão entre as notas que são utilizadas para representar, em termos figurativos, as nuances ambaradas desse pôr do sol, os diversos tons da mesma temática de união entre céu e terra. Poético e bem agradável de se observar.

English:

In aube Rubis, we can have a slightly more concrete form of Atelier des Ors  motto , the poetry of high perfumery. The inspiration could not be more poetic than a sunset in a reddish tint, a transition time that the brand tries to connect some olfactory notes to give the impression of  a link between the land and the flaming sky. The revival proposed here is certainly known to many, the rebirth of chypre family in its modern interpretation; though the melody may seem familiar the choice of, let's say, musicians makes all the difference.

I see some basic differences that make me see Aube Rubis as a more luxurious version of a modern chypre. Among them, the chosen patchouli seems to have a duality that is not common, having  an earthy classic aroma with a bitter chocolate nuance and a more sweet and minty side. This duality is a kind of thread, a reflection of the brilliance of notes between the heaven and earth inspiration and again a form of foot in classical and modern world that seems to guide the choices of the house. Despite the grapefruit and blackberry  highlighted in the description, they have a second role in the panorama at least for me, working just to provide the refreshing side and semisweet nuance a chypre accord need, with  a an additional fruity tone for a more modern side.

The biggest difference of Aube Rubis to me, however, is the choice of a complex base and the creating a scent of a velvety and very luxurious iris accord. The aura of musk involves patchouli, citrus notes and iris in a delicious way, with a velvety texture and a subtle animalc aroma. There is a slight dry woody vague impression  and a quotation from an amber accords, which  seems to reminds me of frankincense and benzoin used in moderate doses. And the iris here has a multifaceted smell, something that brings violet shades, wood and leather, with the musk also helping to create the creamy texture of the secondary iris aspect.

As Cuir Sacre, the performance of Aube Rubis in skin is flawless and the evolution is also rounded with a connection between the notes that are used to represent, in figurative terms, the ambery nuances of this sunset, the various shades of the same theme of unity between heaven and earth. Poetic and very pleasant to watch.