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26 de ago de 2015

Angela Ciampagna Hatria e Aer Fragrance Reviews



Português (scroll down for english version): é bem provável que ao se deparar com o lançamento de uma nova marca de perfumes de nicho ou independentes você encontre alguma dessas frases: feito artesanalmente, fruto das inspirações pessoais do autor/perfumista, com os materiais mais nobres existentes no mercado. Quando de repente TODOS estão fazendo isso, é de se desconfiar que apenas alguns de fato estão. Eu tenho minhas dúvidas quanto a marca recém criada de perfumes Angela Ciampagna. Se as embalagens em si possuem um toque que realmente parece artesanal e com algo artístico meio medieval ou gótico, os perfumes em si não me impressionam a princípio. Hatria e Aer já são dois que me fazem pensar de que as preferências do público por determinados aromas foram preenchidos com narrativas que tentam florear e individualizar o já conhecido.

Hatria: teoricamente, inspirado no calor do mar adriático, porém na prática sem nada aquático, oceânico ou com uma sensação marinha sequer. Em vez disso, temos a madeira exótica do dia - agarwood. Esse é mais um competente perfume exótico padrão de oud e rosas, que talvez ganhe pontos por caprichar um pouquinho mais no aroma das rosas. As rosas em Hatria parecem naturais, remetendo ao aroma da rosa de damasco, suas nuances alcóolicas e o aspecto mentolado que remete a gerânio. Elas são envoltas no aroma de balsamos, ambar, incenso, açafrão e no acorde de oud criado a partir de nargamota. Hatria sai bem sucedido em quão agradável é seu aroma, mas falha em individualizar a combinação de oud e rosas e falha em criar uma narrativa interessante.

Aer: o que serviria para destacar a composição de aer novamente é um tiro no pé da marca. Um perfume com uma inspiração de névoa do crepúsculo parece mais com uma brisa da manhã e orvalho sobre capim. Aer, assim como Hatria, vai no óbvio e que funciona e não trás nada de novo. Isso é algo que certamente me irrita em quase todos os perfumes de vetiver, pois me parece uma preguiça sem tamanho do perfumista. Um vetiver mentolado, com um toque herbal especiado seco e salgado. Aer não vai além disso e nem sequer parece um vetiver natural, o que me soa estranho para um perfume de uma faixa superior de preço, considerando que óleo essencial de vetiver não está entre os produtos mais caros da perfumaria.

English:

Chances are that when faced with the launch of a new niche or independent perfume brand you'll find any of these phrases: crafted, the result of personal inspiration of the author / perfumer, with the finest materials on the market. When suddenly ALL are doing this, one would suspect that only a few actually are. I have my doubts about the new brand of perfumes created by Angela Ciampagna. If the packages themselves have a touch that really looks handmade and something with halthway between artistic medieval or gothic, the perfumes itself did not impress me at first. Hatria and Aer already are two that make me think that public preferences for certain scents were filled with narratives that attempt to embellish and individualize the already known.

Hatria: theoretically inspired by the warmth of the Adriatic sea, but in practice no water, no ocean or a sea sense at all. Instead, we have the exotic wood of the day - agarwood. This is another competent standard exotic scent of oud and roses, maybe earning points by caring a little more with the scent of roses. Roses in Hatria look natural, reminding me to the scent of damask rose, its alcoholic nuances and minty aspect with geranium nuances. They are wrapped in the aroma of balms, amber, incense, saffron and and oud accord created from nargamotha. Hatria ends successful in how enjoyable its aroma is, but fails to individualize the combination of oud and roses and failure to create an interesting narrative.


Aer: what would serve to highlight the aer composition again is a shot in the arm of the brand. A perfume with a twilight fog inspiration looks more like a morning breeze and dew on grass. Aer, as well Hatria, goes into obvious direction and for what works and does not bring anything new. This certainly annoys me and it happens in almost every vetiver perfume, because it seems to me like an endless creative laziness from the perfumer. In a brief, this is a minty vetiver, with a spicy herbal touch dry and salty. Aer does not go beyond that and do not even look like a natural vetiver, which strikes me as odd for a scent of a higher price range, considering that vetiver essential oil is not among the more expensive products of perfumery.