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23 de jul de 2015

Guerlain Mon Exclusif Fragrance Review


Português (scroll down for english version): Por qual ângulo olhar para avaliar Mon Exclusif? Essa dúvida pairou na minha cabeça durante o dia, enquanto sentia seu aroma na pele e ponderava o quanto eu o apreciava. Qual ótica adotar, a da adequação ao conceito proposto ou a adequação do ponto de vista estético e histórico da marca? Seria Mon Exclusif uma parte permanente do legado ou mais um da estratégia presente no DNA da marca, a de lançar muitos produtos, variações do mesmo tempo, e observar o que permanece e o que não vende cortar?  Certamente todos os aspectos nesse caso são necessários, já que esse não é exatamente uma obra-prima da marca, mas também não é uma catástrofe.

Conceitualmente, eu diria que Mon Exclusif é contraditório. Como é possível oferecer um perfume inspirado no mundo da perfumaria customizada, bespoke, em uma maior escala? Ao mesmo tempo que o frasco vem com letras que podem dar a ele um nome só seu, ele possui um nome para evitar uma confusão na hora de vender o produto. Ao mesmo tempo que ele deseja ser exclusivo, é coletivo também.

Do ponto de vista do conceito proposto, minha impressão é de que o perfume em si, por mais adorável que seja, passa bem longe. Mais gourmand que fougere,  se a menção a Jicky não fosse feita por Thierry Wasser na divulgação do perfume, nunca me passaria pela cabeça - não há nenhum elemento clássico fougere de forma evidente ou algum link exceto a presença da coumarina de lavanda, ainda sim usadas de forma radicalmente diferente. Mon Exclusif continua a saga de gourmands delicados e açúcarados que a grife começou com Mon Precieux Nectar em 2009 e mantém o foco evidente no aroma de musks brancos cremosos.

O único momento que produz algo contraditório e diferente é na saída, quando algum dos materiais animálicos (suponho eu ser um musk) me faz lembrar de Encens Mythique d'Orient. Ainda sim, é uma nota secundária, que você percebe só aproximando o nariz do foco do aroma caramelado e da cereja. A doçura desses dois para mim é menos forte que em La Petite Robe Noire, e abre espaço para que o aroma de musk seja bem evidente na pele. É talvez a parte que me deixa mais em dúvidas: ao mesmo tempo que ele é adorável, equilibrado e aconchegante, é o cheiro de um perfume comercial almiscarado e doce.

Talvez o que decepcione mais a alguns e que me deixa reflexivo é quanto ao ponto de vista estético - qual é a importância de um semi-exclusivo comercial para uma marca de portfolio tão grande e catálogo histórico tão rico? Eu arrisco dizer que nenhuma. A abordagem comercial adotada tanto pelo aroma como pelo líquido de cor rosa me faz pensar que a marca aqui está mais preocupado em atingir diretamente o emocional feminino e ter um produto luxuoso com um preço médio que o torne atraente. O fato é que a grife tem dois públicos com gostos as vezes totalmente opostos, sendo que um deles lhe propicia boas vendas e um retorno comercial bom. Infelizmente, ao produzir aromas agradáveis a esse público, a grife as vezes tem deixado de lado os fãs das suas criações históricas, complexas e arrebatadoras.

English:

From which angle should i look to review Mon Exclusif? This doubt hovered in my head during the day, as I felt its scent on the skin and pondered how much I appreciated it. What optical adopt, the suitability of the proposed concept or the suitability of the aesthetic point of view and history of the brand? Mon Exclusif would be a permanent part of the legacy or another of this strategy in the DNA of the brand, launching many products in the same time variations, and observe what remains and cut what not sells ? Certainly every aspect in this case is needed here, since this is not exactly a masterpiece of the brand, but it's not a catastrophe.

Conceptually, I'd say Mon Exclusif is contradictory. How can you offer a perfume inspired by the world of custom perfumes, bespoke, on a larger scale? While the bottle comes with letters that can give it a name of  its own, it has a name to avoid confusion when selling the product. At the same time its wants to be unique, it is also collective.

From the point of view of the proposed concept, my impression is that the perfume itself, no matter how lovely it is, is very far from what was meant. More gourmand than fougere, if  the mention of Jicky was not made by Thierry Wasser in the scent press release it'd never occur to me - there is no classic fougere element evident or any link except the presence of lavender  and coumarin, but still used radically differently. Mon Exclusif continues the saga of delicate and sugary gourmands that the designer began with Mon Precieux Nectar in 2009 and retains the clear focus on the aroma of creamy white musks.

The only time that it produces something contradictory and different is the opening when a kind of animalic material (I suppose it's a a musk) makes me remember of Mythique Encens d'Orient. Still, it is a secondary note that you realize just approaching the nose to the focus of caramel and cherry aroma. The sweetness of these two for me is less strong than in La Petite Robe Noire, and leaves room for the musk aroma to be very evident on the skin. It is perhaps the part that makes me more in doubt: while it is lovely, balanced and cozy, it is the smell of a musky and sweet commercial perfume.

Perhaps what most disappointed some and that makes me reflective is about the aesthetic point of view - what is the importance of a commercial semi-exclusive for the portfolio of a brand so big and so  rich in its historical catalog? I dare say none. The commercial approach taken by both the aroma and the pink liquid makes me think that the brand here is more concerned with directly reach the women's emotional and have a luxurious product with an average price that makes it attractive. The fact is that the brand has two publics with the tastes, totally opposite sometimes, one of which provides it good sales and a good commercial return. Unfortunately, to produce pleasant aromas to this audience, the brand sometimes have overlooked the fans of their historical, complex and breathtaking creations.