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20 de jul de 2015

Guerlain Habit Rouge Dress Code Fragrance Review


Português (scroll down for english version): Habit Rouge certamente é um perfume que exemplifica o conceito de pensar fora da caixa, uma expressão comum utilizada para se referir a algo inovador, seja uma ideia ou produto. Ao transpor o universo oriental da perfumaria feminina para a masculina em 1965, Jean Paul Guerlain não somente criou uma obra-prima, mas arriscou grande, e a princípio pagou o preço disso, sendo inclusive criticado dentro da própria maison por ter criado um masculino "muito feminino".  Mas pensar sob esse ângulo - em boa parte devido a saturação de baunilha - é ignorar o brilhantismo desse clássico, o de incorporar elementos não explorados em um perfume para homens. Habit Rouge possui uma silhueta que é inconfundivelmente sua, resistente as mudanças do tempo na perfumaria, abstrata ao ponto de permitir inúmeras boas variações dentro de sua fórmula, enfatizando partes diferentes de seu cheiro. E com Dress Code, mais uma bela reinterpretação de seu aroma é criada para celebrar seu quinquagésimo aniversário .

O projeto paralelo de resgate dos perfumes históricos e descontinuados que Thierry Wasser e Frederic Saccone tem tocado na Guerlain me parece ter influenciado de alguma forma nessa nova criação. Há algo curioso em Habit Rouge, uma dualidade entre soar clássico e ao mesmo tempo moderno, como se ao retornar a fórmula que o originou Wasser tivesse encontrado inspiração para enfatizar determinadas partes de seu cheiro e criar um elegante perfume, como o nome parece sugerir.

A primeira mudança que eu observo é com relação ao aroma cítrico, atalcado e um pouco datado que Habit Rouge possui e que a versão Dress Code suavizou. A ênfase em bergamota parece ter sido diminuída e o aroma da lima ganhado mais destaque. Nuances de rosa são mais evidentes na evolução também, remetendo a algo que também remete um pouco a gerânio. O aroma clean e floral de uma combinação de qualidade de lavanda  e neroli se destaca em meio as nuances atalcadas quentes e ao aroma meio amargo e cítrico. A Base aqui parece enfatizar mais a parte amadeirada, resinosa, diminuindo a intensidade da baunilha, que ainda é perceptível mas que parece bem menos doce nessa versão. O aroma amadeirado é complexo, em partes mais cremoso, em partes seco e remetendo a lascas de madeira, e ainda há o aroma clássico do elegante acorde de couro para completar a criação. Como em todas as outras versões, ele é abstrato, logo não é fácil separar seus elementos, eles formam uma aura que evolui de forma contínua e graciosa na pele.

Certamente essa não é uma versão que mudará opiniões de quem não gosta do perfume, mas tem grandes chances de cair nos gostos dos que são apaixonados por ele. Em uma data importante, um dos perfumes mais icônicos da marca ganha um flanker que o respeita e mantém seu legado. Pense, quantos perfumes formais são parecidos a Habit Rouge? Certamente há outros muito bons e que se tornaram uma parte importante na perfumaria, mas não há outro igual ou outro que foi capaz de melhorar o que já era perfeito. Essa versão apenas já celebra o que era digno de ser celebrado desde o começo, uma comemoração em grande estilo e com muito bom gosto.

English:

Habit Rouge is certainly a perfume that exemplifies the concept of thinking outside the box, a common term used to refer to something that innovates, be it an idea or product. In transposing the oriental universe of female fragrance for men in 1965, Jean Paul Guerlain created not only a masterpiece but risked large, and at first paid the price of it, including being criticized within the maison for creating a male creation " very feminine ". But think from that angle - largely due vanilla saturation - is to ignore the brilliance of this classic, incorporing elements not explored in masculine perfumery. Habit Rouge has a silhouette that is unmistakably his, resistant to weather changes in perfumery, abstract to the point of allowing many good variations within its formula, emphasizing different parts of irs smell. And with Dress Code another beautiful reinterpretation of its aroma  is set to celebrate its fiftieth anniversary.

The side project of restoring historical and discontinued perfumes that Thierry Wasser and Frederic Saccone has touched inside Guerlain seem to have influenced in some way in this new creation. There is something curious in this version, a duality between sounding classic and modern at the same time, as if returning to the formula that originated Wasser had found inspiration to emphasize certain parts of the scent and create an elegant perfume, as the name seems to suggest.

The first change I notice is regarding the citrus scent, powdery and somewhat dated that Habit Rouge has and the Dress Code version softened. The emphasis seems to have been diminished bergamot and added more proeminence on the lime aroma . Rose nuances are more apparent in the evolution also, referring to something that seems to brings a little geranium too. The clean floral aroma and a combination of lavender and neroli quality stands out among the powdery warm nuance and bitter citric nuances in the heart.  The Dress Code basenotes appears to emphasize more of the woody, resinous aura, decreasing the intensity of vanilla which is still perceptible but less sweet but is less evident here. The woody aroma is complex, creamier parts in dry parts and referring to wood chips, and there is still the classic aroma of elegant leather chord to complete the creation. As in all other versions, Dress Code is abstract, so it's not easy to separate its elements, they form an aura that evolves continuously and gracefully on the skin.

Certainly this is not a version that will change opinions if you do not like the scent, but is likely to fall in the likes of those who are passionate about it. In an important date, one of the most iconic perfume brand gains a flanker that respects and maintains its legacy. Think how many perfumes are like the formal Habit Rouge? Certainly there are other very good masculine orientals that became an important part in perfumery, but there is no other equal or another who was able to improve what was already perfect. This version has just celebrated what was worthy of being celebrated from the beginning, a celebration made with style and taste.