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25 de jul de 2015

EnVoyage Perfumes Frida Fragrance Review



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Português (scroll down for english version): é possível perceber que Shelley parece guardar o melhor de seus trabalhos na captura de personagens femininas, as quais ela se preocupa em retratar com a maior complexidade e diversidade de facetas possível. Em Frida, a perfumista presta a homenagem a uma grande artista mexicana no que seria seu 108º  aniversário. E assim, ajuda a eternizar uma artista que viveu intensamente apesar de todas as dores e dificuldades enfrentadas durante a vida.

Shelley não poderia ter escolhido melhor a flor para representar Frida do que a tuberosa. Não somente pela conexão indireta com a artista - a tuberosa era conhecida pelos astecas como flor de osso (aqui uma referência indireta ao corpo de Frida e as fraturas que sofreu em um acidente severo). Seu nome científico, se traduzido literamente, se torna flor cinza e inchada, devido ao aspecto de seus tubérculos. Como Frida, a tuberosa é uma flor exuberante, de uma beleza fora do convencional e de um aroma vibrante, complexo, por um lado surrealista como a artista, por outro lado com um aroma que parece celebrar  a beleza da vida.

Em vez de apenas duas Fridas, como um de seus quadros celebra, Shelley aqui captura múltiplas Fridas. Frida a amante, carnal e ambígua pode ser percebido por um perfume que é por horas floral, de nuances frutais, e as vezes se torna carnal, sexual, com uma nuance animálica atuando no fundo da composição. Há um aspecto aqui que me faz pensar em Frida de uma forma mais solene e contemplativa, talvez pela presença de elementos chypres e do uso inteligente do aroma de couro do iso butyl quinoline, que é explorado aqui para criar o aroma de pimenta verde por ter justamente essa nuance em seu cheiro. E há também a Frida vibrante, cheia de vida, que extrai o melhor de si, que usa o que seriam seus defeitos como suas virtudes e sua beleza. O aroma da tuberosa é transformado assim pelas mãos de Shelley: a saída pode ser mais complicada, de um aroma seco, verde e que remete a seiva de plantas, mas a evolução é de um aroma floral vibrante, um mistura de tuberosa, hibisco e um quê de jasmim e ylang para complementar a beleza e exotismo da composição.

Pelas múltiplas Fridas retratadas aqui, é possível extrair diferentes impressões e texturas desse perfume, que se preocupa principalmente em celebrar as contradições que nos tornam tão humanos e atraentes como somos. Ao celebrar a grande artista, Shelley me faz pensar o que estamos perdendo de riqueza e vida na perfumaria ao procurarmos fragrâncias que não nos desafiam a princípio, que trazem mais do mesmo. Precisamos de mais pessoas como Frida Kahlo e perfumes como Frida.

English:
You can see that Shelley seems to save the best of her work in capturing female characters, which she cares to portray the greater complexity and diversity of facets as possible. In Frida, the perfumer pays homage to a great Mexican artist in what would be her 108th birthday. And in doing so, it helps to perpetuate even more an artist who lived intensely despite all the pain and difficulties faced during life.

Shelley could not have chosen better flower to represent Frida than tuberose. Not only by indirect connection with the artist - the tuberose was known by the Aztecs as bone flower (here an indirect reference to the body of Frida and fractures he suffered in a severe accident). Its scientific name, if translated literally, becomes gray and swollen flower, due to the appearance of their tubers. As Frida the tuberose is an exuberant flower, a beauty with an unconventional and a vibrant and complex aroma, having a kind of surrealist side in its smell as the artist but  on the other hand with a beauty in its aroma that seems to celebrate  life.

Instead of just two Fridas, as one of her paintings portrays, Shelley here capture multiple Fridas. Frida's mistress, carnal and ambiguous may be perceived by a scent that is sometimes fruity and floral nuances and other times becomes carnal, sexual, with animalic nuance acting in the background of the composition. There is one aspect here that makes me think of Frida in a more solemn and contemplative way, perhaps by the presence of chypre elements and a clever use of the leathery iso butil quinoline aroma, which is exploited here to create green pepper aroma that this material precisely has in its secondary notes. And there is also the Frida vibrant, full of life, which extracts the best, using what would be hers faults as virtues and beauty. The scent of tuberose is thus transformed by the hands of Shelley: the output can be more complicated, a dry aroma, green and refers the sap of plants, but evolution is a vibrant floral aroma a blend of tuberose, hibiscus and a hint of jasmine and ylang to complement the beauty and exoticism of the composition.


Due the multiple Fridas portrayed here, you can extract different impressions and textures of this perfume, which is concerned mainly in celebrating the contradictions that make us human and as attractive as we are. By celebrating the great artist, Shelley makes me wonder what we are losing wealth and life in perfumery as we seek fragrances that do not challenge in the beginning, they bring more of the same. We need more people like Frida Kahlo and perfumes as Frida.