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30 de jun de 2015

EnVoyage Perfumes Zelda Fragrance Review























Português (scroll down for english version): pesquisando rapidamente a vida de Zelda Fitzgerald, é surpreendente que não haja nenhum filme ou mais nenhuma fragrância inspirada em sua pessoa. Zelda é uma personagem marcante, um dos ícones de uma época conhecida como década de ouro,uma época de euforia e exageros que infelizmente culminaria na crise de 29 e, posteriormente, na grande depressão. Dona de uma beleza marcante e perfeita, casada com um escritor de sucesso, Francis Scott Fitzgerald (autor do livro The Great Gatsby), Zelda foi, junto de seu amado, uma celebridade de seu tempo, daquelas que se vivessem nos dias atuais estaria constantemente nos tabloides devido as brigas do casal - com episódios descritos em livros lançados por ambos inclusive, episódios de alcoolismo e uma internação em um sanatório devido ao diagnóstico de esquizofrenia, Zelda terminou sua vida de forma trágica, morrendo em um hospital psiquiátrico durante um incêndio. Vejo que Shelley apesar de fazer menções ao final trágico da heroína de seu perfume, acertadamente a perfumista foca em um retrato da época que ela viveu, conseguindo capturar o rebuscamento dos perfumes de anos que também foram os anos dourados da perfumaria.

A princípio, ao provar Zelda na pele estranhei sua delicadeza, mas procurando por mais informações quanto ao perfume que a escritora teria usado em sua vida, há menção em uma carta a um perfume descontinuado da estilista Schiaparelli, chamado Salud/Salut, criado em 1934 como um complemento as roupas esportivas da época. A composição é descrita em um blog especializado como sendo um perfume vibrante, fresco, de um aroma floral denso em lírio do vale. Eu também suspeito que Zelda em algum momento da sua vida, devido as características de celebridade e a predileção pelo luxuoso, deve ter usado também criações aldeídicas e florais da Chanel.

Por essa linha de raciocínio, creio que ela ficaria feliz com a sua representação feita por Shelley. Zelda foca em um ponto de equilíbrio entre o rebuscamento da época, o aroma esportivo, a efervescência floral aldeídica. Curiosamente, esse lado mais esportivo e discreto da composição, em contraste com a aura luxuosa e natural, o torna um clássico de cara moderna, uma segunda pele que é elegante tanto hoje como seria no passado.

Zelda abre com uma saída cítrica clássica, levemente ácida, um pouco doce, aromática. Há para mim um toque aldeídico discreto e um aroma especiado que me remete a cheiro de canela, mais especificamente aos compostos da canela que estão relacionados a algumas flores. Isso criar um cheiro que para mim é um híbrido de canela e flor branca, que faz uma progressão para uma base floral luxuosa, um aroma de uma magnólia verde, levemente mentolada, um jasmim delicado e um uso discreto de gerânio.Já nessa etapa é possível perceber um tom de musk atalcado, animálico, algo que soa retrô mas que usado com parcimônia é discreto e não me parece chocar o nariz contemporâneo. Misturado a ele, há um cheiro abstrato que horas remete a baunilha, horas a madeira e horas a resinas incensadas levemente mentoladas.

Em Zelda, nada predomina por muito tempo, como uma harmonia decorada por diversos elementos que se alternam rapidamente. As mesmas características que mencionei em L'Hombre se aplicam a Zelda, o que me faz pensar que eles poderiam formar um casal elegante. Da mesma forma, Zelda é tão bonito que me deixa desejoso também de uma versão em excessos, um extrato onde os elementos mais marcantes sejam ressaltados e representem o lado celebridade e os excessos pelos quais Zelda ficou conhecida.

English:
Quickly researching the life of Zelda Fitzgerald, it is surprising that there is until now any major movie or fragrance inspired by her person. Zelda is a remarkable character, one of the icons of an era known as the golden decade, a time of euphoria and excesses that unfortunately culminated in the 1929 crisis and later in the great Depression. She had an outstanding and perfect beauty, was married to a successful writer, Francis Scott Fitzgerald (author of The Great Gatsby), so Zelda was, along with her lover, a celebrity of her time, one that if live in today would be constantly in the tabloids because of the couple  fights - with episodes described in books published by both - episodes of alcoholism and a hospitalization in a sanatorium which leaded to schizophrenia diganosis, Zelda ended hes life tragically dying in a psychiatric hospital during a fire. I see that Shelley despite making references to the tragic end of the heroine of her perfume rightly focused on a picture of the time she lived in, and managed to capture the far-fetched of the perfumes made in that decade, also known as the golden years of perfumery.

At first, trying Zelda at skin was strange in its delicacy, but looking for more information about the scent that the writer would have used in her life, there is mention in a letter to a discontinued perfume of the designer Schiaparelli, called Salud / Salut, created in 1934 as a complement to the sportswear of the time. The composition is described in a specialized blog as a vibrant, fresh scent, a dense floral aroma of lily of the valley. I also suspect that Zelda at some point in her life must have also used aldehydic and floral creations of Chanel due her celebrity status and exquisite taste.

By this line of reasoning, I believe she would be happy with the representation made by Shelley. Zelda focuses on a balance between the exquisiteness of the time, the sporty aroma and the aldehyde floral effervescence. Interestingly, this more sporty and discreet side of the composition, in contrast to the luxurious and natural aura, makes it a classic of modern times, a second skin that is stylish today as it would be in the past.

Zelda opens with a classic citrus output, slightly sour, slightly sweet, aromatic. There is to me  an aldehydic touch and a spicy aroma that brings me the smell of cinnamon, specifically the compounds of cinnamon that are related to some flowers. This creates a smell that seems like  a hybrid of cinnamon and white flower, which is a progression for a luxurious floral base, a scent of a green magnolia, slightly minty, a delicate jasmine and a discreet gerenium use. In this stage you can already detect a powdery musk tonality, one a little bit animalic, something that sounds retro but used sparingly is discreet and does not seem to shock the contemporary nose. Mixed into it, there is an abstract smell what time refers vanilla, woods and minty  fresh resins.

In Zelda, nothing prevails for a long time, as a harmony decorated by various elements that alternate quickly. The same characteristics as mentioned in L'Hombre apply to Zelda, which makes me think they could form an elegant couple. Similarly, Zelda is so beautiful that also makes me desirous of a version of excesses, an extract where the most striking elements are highlighted and represent the celebrity side and the excesses by which Zelda became known.