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2 de jun de 2015

Ane Walsh para Henrique Brito - Floresta Negra


Notas: Absoluto de Baunilha, mix sândalo, ethilmaltol, oud cambodi dark, cedro atlas, folhas pêssego, tintura de sementes baunilha, balsamo do peru, patchouli light, oud sintético, absoluto de cacau, amêndoas amargas, conhaque verde, vanilina, lima da pérsia

Português (scroll down for english version):

A minha segunda criação com a minha amiga e mestra Ane surgiu de uma idéia proveniente do comentário de uma amiga. Uma vez levei a Simone alguns perfumes para ela provar, entre eles o cartier L'Heure Defendue. Sua primeira impressão foi de que esse perfume a lembrava do cheiro de bolo de chocolate floresta negra da Ofner. Esse comentário ficou na minha memória, maturando por alguns meses até se transformar em uma idéia. E se, além do aroma de chocolate, eu levasse o conceito de uma floresta negra ao sentido literal da palavra? E se fosse possível unir um aroma que começa inspirado no delicioso bolo de chocolate e cerejas e termina no cheiro de uma floresta feita de diferentes madeiras negras?

Com essa idéia em mãos, conversei com a Ane, que se entusiasmou com o projeto. Seu maior desafio em Floresta Negra foi criar um aroma realista de cerejas, já que não há extração de óleo essencial desse fruto. Entretanto, um desafio desses pode levar a bons resultados abstratos e o acorde feito pela minha querida amiga é tão realista que você parece estar sentindo o cheiro de cerejas suculentas e em calda. Você sente o aroma açúcarado, o cheiro frutal amendoado e uma idéia brilhante da minha amiga, a de acrescentar uma nuance alcóolica refrescante, vinda do conhaque verde, que dá uma naturalidade deliciosa ao cheiro.

Ane soube capturar bem o que eu desejava e criou um aroma gourmand de cerejas e chocolate mas sem torná-lo algo comum ou algo enjoativo demais. Essa floresta negra começa com uma reprodução mais realista do trio cerejas-baunilha-chocolate, mas é apoiada em uma bela base amadeirada. A lima da pérsia na saída ajuda a dar um toquezinho cítrico e verde ao cheiro das cerejas, que dominam a abertura do perfume. Após isso, o aroma de baunilha, cacau e patchouli criam a abstração do cheiro de chocolate amargo. E é como se fossemos adentrando uma floresta com árvores gourmands que pouco a pouco vão se tornando mais resinosas, secas e amadeiradas. Apesar das notas listadas acima, esse não é um típico perfume de oud ou uma criação com uma face orientalista clichê. As madeiras estão espalhadas por essa floresta, seus contornos amadeirados se misturam em um aroma negro, abstrato e confortável, uma visão panorâmica das árvores em vez de diferentes focos em seus cheiros.

Assim como Mokka Lounge, Floresta Negra não é um perfume previsível. As vezes que eu o usei percebi notas diferentes, como se em alguns dias a baunilha e o etil maltol ganhassem mais destaque. Hoje, entretanto, seu aroma me pareceu encontrar o equilíbrio perfeito que os perfumes clássicos possuem, sendo doce, gourmand e bem amadeirado também. Essa floresta que antes habitava meus sonhos se tornou realidade e cada vez que a adentro mais me apaixono por ela.

English:

My second creation with my friend and master Ane came from an idea from the comment of a friend. I once met Simone and took some perfumer for her to try, including the Cartier L'Heure Defendue. Her first impression was that this perfume reminded  her of the smell of cake that a Ofner bakery sells, one made of cherries and chocolate and called Dark Forest. That comment stuck in my memory, maturing for a few months to turn into an idea. And if, besides the aroma of chocolate, I took the concept of a black forest to the literal sense of the word? What if you could put together a scent that gets inspired by the delicious chocolate and cherry cake and ends at the smell of a forest made of different  dark woods?

With this idea in hand, I talked to Ane, who was enthusiastic about the project. Her biggest challenge in Black Forest was to create a realistic aroma of cherries, as there is no extraction of essential oil of this fruit. However, such a challenge can lead to good results and the abstract accord made by my dear friend is so realistic that you seem to be feeling the scent of juicy cherries in syrup. You feel the sweet aroma, nutty fruity smell and a brilliant idea my friend had, to add a refreshing alcoholic nuance coming from green cognac, giving a delicious naturality to the  smell.

Ane knew how to capture exactly what I wanted and created a gourmand aroma of cherries and chocolate but without making it something common or something too cloying. This Black Forest begins with a more realistic cherry-vanilla-chocolate trio playing, but is supported by a beautiful woody base. The Persian lime  in the opening helps give a citrus green little touch to the scent of cherries, which dominate the opening of the perfume. After that, the aroma of vanilla, cocoa and patchouli create the abstraction of bitter chocolate smell. And it is as if we are entering a gourmand forest with trees that gradually become more resinous, dry and woody. Despite the above listed notes, this is not a typical oud perfume or a creation with a orientalist cliche faccade. The woods are spreaded in this forest, its woody contours blended in a black aroma, abstract and comfortable, a panoramic view of the trees instead of different focuses in their smells.

As Mokka Lounge, Black Forest is not a predictable perfume. Sometimes I used it realized different notes, as if on some days the vanilla and the ethyl maltol gained more prominence. Today, however, the scent seemed to find the perfect balance that classic perfumes have, being sweet, gourmand and well woody as well. This forest that once inhabited my dreams come true and every time i went inside of it the more fall in love with.